Exposição de fotografias do francês Raymond Depardon no CCBB Rio encerra no próximo dia 5

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 Janeiro, 2018 11:44

O público carioca tem até o dia 5 de fevereiro para conferir a exposição “Un moment si doux”, do fotógrafo e cineasta francês Raymond Depardon no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio. Com entrada franca, a mostra reúne cerca de 170 fotos em cores, diferentes formatos e temas variados. O evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apoio da EDF Norte Fluminense e da Embaixada do França no Brasil. A produção é da Bonfilm.

As fotografias foram tiradas em vários países da Europa, África e América Latina, incluindo Brasil. Autorretrato, paisagens, personagens e situações corriqueiras do dia a dia são algumas cenas retratadas. Produzidas entre 1950 e 2013, sendo a maior parte inédita, as imagens estiveram expostas entre 2014 e 2015 no imponente Le Grand Palais, em Paris, no museu MUCEM, em Marselha, e, recentemente, no Centro Cultural Recoletas na Argentina.

“Eu não sabia que eu era um fotógrafo da cor. Mas ela sempre esteve lá, desde o início. Eu sempre vi a cor como algo muito suave, ao contrário do preto e branco, com que eu me torno mais maniqueísta, querendo mostrar ao mundo que sofre. Na cor, eu sou completamente diferente. Eu estou mais ligado a minha infância feliz na fazenda dos meus pais, ao desejo amoroso também”, comenta Raymond Depardon.

Com passagem pelo Rio de Janeiro na semana passada, o fotógrafo e cineasta francês esteve no país para a “Mostra Depardon de Cinema” realizada nos CCBBs do Rio e de São Paulo entre os dias 3 e 22 de janeiro. Foram exibidos 22 filmes, entre as mais de 40 obras do cineasta, produzidos entre 1969 e 2017, e com temas como o universo psiquiátrico (São Clemente, de 1980, Emergências, de 1989, e 12 Dias, o último filme dele que estava em seleção oficial no Festival de Cannes 2017); o mundo camponês (três longas na série Perfis Camponeses entre 2000 e 2008), o Chade (La captive du désert, de 1989) o sistema judiciário (Presos em flagrante, de 1994), o mundo político (1974, Um presidente em campanha, de 2002), a vida quotidiana francesa (Jornal da França, de 2012, e Os habitantes, de 2016), sempre com um olhar humanista, entre outros.

O trabalho do Raymond Depardon foi consagrado com inúmeros prêmios no mundo inteiro: Gran Premio Nacional da Fotografia, César do Melhor Documentário, Prêmio Louis Delluc, entre outros. Além da exibição dos longas-metragens, o cineasta Raymond Depardon participará de uma palestra sobre documentários.

SOBRE RAYMOND DEPARDON

Fotógrafo e repórter, Raymond Depardon, filho de fazendeiros, nascido em 1942 na França, fez as suas primeiras fotos aos 12 anos na fazenda dos seus pais. Mudou-se para Paris em 1958 e entrou na Agência de imprensa Dalmas em 1960. Depois, viajou o mundo a partir da idade de 18 anos em busca de belos momentos fotográficos. A cada retorno, trazia na bagagem fotos impactantes que, muito rapidamente, foram reconhecidas por todos os profissionais e publicadas em jornais famosos.

O FOTÓGRAFO

Depardon começou a fotografar no final dos anos 50 na agência Dalmas, para a qual chegou a cobrir as guerras da Argélia e do Vietnã. Em 1966, montou com Gilles Caron sua própria agência, a Gamma e, em 1978, ingressou no time da famosa agência Magnum, onde está até hoje. A maioria de suas obras é em preto e branco, mas também fotografou a cores desde o início da sua carreira.

Hervé Chandès, curador e CEO da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, justifica o foco da exposição: “Existe, desde as primeiras imagens nos 50 até hoje, uma continuidade na obra de Depardon que se revela de uma maneira evidente na exposição. Ele tem realmente um apetite e uma curiosidade pela cor (…). “A cor é a metáfora da curiosidade”, diz ele. “Raymond Depardon usa a cor por seu prazer, liberado de qualquer restrição, sem tema nem expectativa. Alma de nômade, ‘rico em solidão’, ele fotografa lugares sem acontecimentos, aparições, cenas da vida, faz fotos ‘que todo mundo poderia fazer e que ninguém faz’ e sente nelas um momento doce, colorido, silencioso, sonhador, simples, indiferente ao momento decisivo e perfeitamente humanizado”.

O CINEASTA

Em mais de 30 anos, Raymond Depardon construiu uma obra maior, além de modismo, que explora incansavelmente o mundo, os homens e as grandes problemáticas do nosso tempo.

Ele foi um dos últimos documentaristas a defender o uso da lente de 35 mm, o que dá a sua obra uma qualidade e uma dimensão espetacular.

Pode-se dizer também que ele foi um dos únicos documentaristas franceses a ter o ambicioso projeto de mostrar o que é a França durante esses 30 últimos anos. Além de escolher temáticas do seu interesse pessoal e imediato, acompanhou a história do país com uma consciência aguda do papel do cineasta e de sua enorme responsabilidade social. Isso prova que ele tinha a convicção profunda de que o cinema não é uma arte fútil e que tem o dever de deixar marcas e testemunhas essenciais para entender o mundo.

Em toda sua obra cinematográfica, Depardon reivindicou a neutralidade. Filmou muitas pessoas desesperadas ou sofridas, em situações muito difíceis, mas em nenhum momento demostrou uma curiosidade perversa ou buscava comover o espectador. Ele filma os seres humanos, seu carácter único e opaco e, ao mesmo tempo, uma coisa mais ampla, mais inconsciente, que mistura sua liberdade e o que o determina. Depardon não busca uma comunicação imediata ilusória com as pessoas filmadas, não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do “humano” em todo a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico.

SERVIÇO

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS – UN MOMENT SI DOUX | até 05/02/2018
Horário: Quarta-feira a segunda-feira, a partir das 9h às 21h

CCBB RIO DE JANEIRO

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Rio de Janeiro-RJ
Informações: (21) 3808-2020
Horário de funcionamento: Quarta a segunda, das 9h às 21h
Acesso e facilidade para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria,
Restaurante e Livraria Travessa | Confeitaria Colombo

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 Janeiro, 2018 11:44


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