Exposição de MIGUEL AUN na CâmeraSete resgata a tradição da arte fotográfica

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 28 março, 2017 16:09

Exposição de MIGUEL AUN na CâmeraSete resgata a tradição da arte fotográfica

Encantado pela simplicidade, o fotografo Miguel Aun eternizou paisagens, rostos e silhuetas de Minas Gerais. Com curadoria de Guilherme Horta, uma seleção das principais obras produzidas em seus mais de 40 anos de profissão será disponibiliza ao público pela Fundação Clóvis Salgado, na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais.

Dividida em sete recortes, num total de 67 fotos, e a reconstituição do laboratório estúdio de Aun, a exposição evidencia o olhar singular do artista sobre diversos elementos do cotidiano. “Sempre me encantei pela simplicidade do povo, pelo relaxamento e pela tranquilidade da vida que eles têm. Eles vivem em outro tempo, sem essa ansiedade”, explica o artista.

Reconhecido como um dos mais importantes fotógrafos de Minas Gerais, por seu domínio dos elementos fotográficos e também pelo incentivo e até mesmo fomento da arte da fotografia, Miguel Aun é filho de Elias Aun, dono do antigo Foto Elias, estúdio de Belo Horizonte que fazia fotos de todos os tipos, com destaque para a produção de 3×4.

Desde muito jovem, Miguel teve contato com a fotografia, mas antes de adotar a profissão, cursou Engenharia Elétrica na UFMG e onde concluiu uma pós-graduação em Física. “Custei a me assumir como fotografo. Somente depois de ter uma foto minha selecionada para a revista Realidade, é que pensei: Eu sou fotógrafo”, diz.

A partir daí, passou a trabalhar em uma das lojas de seu pai e a estudar cada vez mais a fotografia. Além dos livros, Miguel afirma que a observação foi essencial para o seu aprendizado. “Aprendi muito pesquisando o que outros fotógrafos faziam, como eles usavam a luz e o contraste, o estilo de cada um. Eu ia olhando essas coisas e tentando fazer igual”, revela. Aun se destacou também na produção de fotos publicitarias, mas a magia da fotografia acontecia era nos finais de semana, quando podia passear pelo interior e fazer imagens das imagens que lhe encantavam.

Sete Recortes – O primeiro dos sete recortes é Portas e Janelas, um mosaico de imagens de janelas e portas vazias que irão recepcionar o público na CâmeraSete. “É como se fosse um convite a entrar, a desvendar a exposição” explica o curador Guilherme Horta. O percurso segue com o recorte Bitola Estreita, que reúne fotografias do trecho entre as cidades mineras de Tiradentes e Antônio Carlos, de 1978. O nome da série remete à distância entre os trilhos de trem, chamada de Bitola, que neste trecho é menor do que a distância padrão.

O público terá contato ainda com imagens da tradicional Feira de Pirapora, com as pessoas que comercializam queijos, verduras, frutas e até animais; de diferentes Ofícios tradicionalmente mineiros, como alfaiataria e limpeza urbana; de cenas pinçadas do cotidiano; da Série Boi No Muro, fotografias selecionadas vencedoras do prêmio Masp Pirelli. O último recorte Nas Janelas e nas Portas inverte a lógica do primeiro, agora com imagens de indivíduos que integram e compõem as fotos. “São imagens espontâneas de indivíduos que parecem posar para o Miguel”, explica Guilherme Horta.

Foto de família – Um importante viés da exposição é o resgate da história fotográfica de Belo Horizonte, por meio da história do próprio Miguel e de seu pai, Elias que, além de fotografo, foi também precursor na produção de equipamentos fotográficos. Já que não os encontrava para comprar, acabava fazendo ele mesmo, passando também a comercializa-los.

No mezanino da CâmeraSete, junto à reprodução do estúdio do fotógrafo, o público poderá encontrar fotos da família e diversos equipamentos e objetos que Miguel utilizou como máquinas, equipamentos para revelação e fotos reveladas em papéis Vintage. Outro destaque nessa área é a inserção de um texto inédito, escrito por Fernando Brant sobre Miguel Aun e sua obra.

Guilherme Horta destaca que essa parte da exposição assume um caráter educativo, por reunir esses materiais em diversas vitrines. “São câmeras, filmes e rolos em exposição que as pessoas poderão aprender o que é um filme 35mm ou o que é uma prova de contato, por exemplo”, comenta

SERVIÇO
EXPOSIÇÃO MIGUEL AUN
Data: 31 de março a 13 de maio
Horário: De terça-feira a sábado das 9h30 às 21h
Local: CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais
Endereço: Av. Afonso Pena, 737 – Centro
Entrada gratuita

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 28 março, 2017 16:09


Escreva um comentário

Nenhum comentário

Ainda não há comentários!

Não existem comentários ainda, mas você pode ser o primeiro a comentar este post.

Escreva um comentário
Leia os comentários

Escreva um comentário

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados*