Coral Lírico de Minas Gerais interpreta repertório variado na abertura de temporada da Série LÍRICO NO MUSEU

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 29 abril, 2015 17:10

A mistura de idiomas e a variação entre composições sacras e seculares dão o tom da abertura de temporada da série Lírico no Museu. Sob regência do maestro Lincoln Andrade, O Coral Lírico de Minas Gerais interpreta repertório diversificado, combinando canções operísticas, musicais e oratórios. O público terá a oportunidade de ouvir a composição Suíte Lorca, de Einojuhani Raitavaara, além de peças de Handel, Benjamin Britten e Georges Bizet entre outros grandes compositores da Música Coral.

Com vários anos dedicados ao estudo da música-coral, Lincoln Andrade tem estimulado a versatilidade do Coro. Ao criar um mosaico com diversas possibilidades do canto coral, o maestro pretende mostrar todo o colorido Desse gênero musical. “Dispomos de condições únicas graças à formação dos nossos cantores, à dedicação aos ensaios e à estrutura que encontramos na Fundação. Por isso, é nossa obrigação apresentar um repertório único, diferenciado, que outros grupos não têm condições de fazer e que faça jus a um Coro Profissional”, diz.

No programa desta apresentação, o Coral vai combinar diferentes idiomas em um só concerto. Os coralistas vão cantar em inglês, latim, alemão, espanhol, hebraico e francês, idiomas muito diferentes entre si e que exigem preparação específica. “Nossos cantores dominam diversos idiomas e estão acostumados a alterná-los em uma mesma apresentação”.

A abertura do concerto será com o trecho final da obra da peça Oh Love Divine, do oratório Theodora, de Handel. Segundo Lincoln Andrade, o trabalho de Handel traz traços leves da composição barroca. “A composição conta a história do amor entre dois santos mártires cristãos, perseguidos e sacrificados pelos romanos. Há um profundo sentido emocional nesta obra. Ela exalta a esperança de amor divino e eterno”, destaca o maestro.

Executado pela segunda vez no repertório do Coral Lírico, o moteto O Vos Omnes, de Pablo Casals, era originalmente cantado como parte da liturgia católica da Semana Santa. O texto de Casals é uma adaptação de trechos bíblicos. Esta composição será interpretada a cappella. Outra obra de tema religioso é Richte mich, Gott, de Felix Mendelssohn. Escrita em linguagem conservadora, a obra traz densas nuanças do estilo lutherano. De acordo com Lincoln Andrade, “a composição de Mendelssohn possui um ar solene, sem muitas ousadias na relação texto e música, mas com muita elegância e a força de uma escrita para oito vozes”.

As mudanças de texturas e os contrastes de dinâmica para transmitir o sentimento de alegria gerado pela promessa de liberdade são o tema de Traditional Spiritual, de Jester Hairston, peça que encerra a primeira parte do concerto. A composição está relacionada ao movimento abolicionista afro-americano e evoca as figuras dos profetas Elias e Moisés.

Tempo de ópera – A ópera Gloriana, do britânico Benjamin Britten, é uma homenagem à Elizabeth II, que foi coroada rainha da Inglaterra seis dias antes da estreia. De acordo com Lincoln Andrade, a composição é uma narrativa sobre diferentes momentos da vida da rainha.

A famosa Marcha dos Toureiros, da ópera Carmen, fecha o repertório operístico.  “Carmen é a síntese da expressão musical de Bizet, com um estilo melódico característico e um significado musical e expressivo únicos”, aponta Lincoln Andrade.

A apresentação desse trecho dá sequência a uma série de homenagens que o Coral Lírico faz a Bizet ao longo do ano. Em março, a obra do compositor francês completou 140 anos desde a estreia, em 1875.

Suíte Lorca, de Einojuhani Rautavaara, também faz parte das obras que foram interpretadas poucas vezes pelo Coral Lírico. Composta por quatro peças breves, a obra é um estudo no uso de escalas simétricas de tom e semitom, como explica o maestro. Canción de jinete, ou canção de montaria, é baseada em um ritmo de galope, enquanto El grito, baseia-se, literalmente, em um grito. La luna assoma, ou a lua nasce, possui melodia emergente, e em Malagueña as vozes imitam o dedilhado de um violão.

Contemporaneidade da música coral – O gênero musical também faz parte do programa. A composição West Side Story, de Leonard Bernstein e libreto de Stephen Sondheim, é inspirada na peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Ambientada na Upper West Side, bairro de Nova York, a peça explora a rivalidade entre os Jets e os Sharks, duas gangues de rua de diferentes etnias.

Sobre o Coral Lírico de Minas Gerais – Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais, corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e que interpreta um repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Dentro das estratégias de difusão do canto lírico, o Coral Lírico desenvolve diversos projetos que incluem Concertos no Parque, Lírico na Cidade, Concertos Didáticos e participação nas temporadas de óperas realizadas pela Fundação Clóvis Salgado. O objetivo desse trabalho é fazer com que o público possa conhecer e fruir a música coral de qualidade, além de vivenciar o contato com os artistas.

Lincoln Andrade – Lincoln Andrade possui doutorado em Regência pela Universityof Kansas (EUA), mestrado em Regência Coral pela University of Wyoming (EUA), onde também foi professor assistente e ministrou aulas de canto coral e regência coral. Premiado nos Estados Unidos e na Europa, foi diretor musical do grupo ‘Invoquei o Vocal’; maestro titular do Madrigal de Brasília e do Coral Brasília. Ainda na capital federal, foi professor e diretor da Escola de Música de Brasília. Regeu concertos na Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal e Turquia. Também é professor de regência e coordenador da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lincoln Andrade é o apresentador e produtor musical do programa Conversa de Músico, veiculado semanalmente pela TV Senado.

Sobre os compositores:  

G.F. Handel – (1685-1759) Célebre compositor germânico, desde jovem possuía grande talento musical. Passou a primeira parte da sua carreira em Hamburgo, como violinista e maestro da orquestra da ópera local, mas foi em Londres que desenvolveu a parte mais importante da sua trajetória, ao consolidar-se como importante autor de óperas, oratórios e música instrumental. Sua produção é vasta e contém mais de 600 obras.

Benjamin Britten (1913-1976) Foi compositor, maestro, violetista e pianista. Com dez anos de idade, já tinha composto diversos quartetos de cordas. Aos 14 anos, a lista de suas obras já alcançava 534 títulos. Em 1945, estreou a ópera autoral Peter Grimes, com sucesso estrondoso. Juntamente com Joan Cross, formou um novo projeto operístico, o English Opera Group, em 1947, e se dedicou a realizar digressões e a se especializar em óperas de câmera. Fez diversas viagens pelo mundo buscando inspiração e realizando apresentações.

Georges Bizet – (1838-1875) Compositor francês de óperas, destacou-se como aluno no Conservatório de Paris ao vencer diversas competições. Durante sua carreira, teve suas composições orquestrais e para piano ignoradas e o seu grande reconhecimento só veio após a sua prematura morte, quando já no século XX, seus trabalhos passaram a ser interpretados com mais frequência.

Pablo Casals – (1876-1973) Virtuoso violoncelista e maestro catalão, percorreu a Europa e os Estados Unidos promovendo concertos e recitais. Apesar de ter realizado diversas grandes obras com orquestras e música de câmara, seus trabalhos mais notáveis foram as gravações das Suítes para Violoncelo de Bach.

Felix Mendelssohn – (1809-1847) Compositor, maestro e pianista alemão do período romântico, começou a compor aos nove anos e, entre suas principais obras, estão a suíte Sonho de uma Noite de Verão, que inclui a marcha nupcial e os oratórios São Paulo e Elijah.

Jester Hairston – (1901-2000) Compositor, condutor de corais e ator norte-americano, é considerado um dos grandes especialistas em músicas espirituais afro-americanas e corais. Realizou sua formação musical na Juilliard School e realizou trabalhos notáveis com coros na Broadway. Entre suas principais composições estão a canção gospel Amen e a natalina Mary’s Boy Child.

Einojuhani Rautavaara – (1928) Compositor finlandês de música clássica contemporânea, é um dos nomes mais notáveis após Jean Sibelius. Estudou na Juilard School em Nova York e lecionou na Sibelius Academy na Finlândia. Suas composições são escritas em uma grande diversidade de formas e estilos.

Eric Whitacre – (1970) Maestro e compositor norte americano, é vencedor do prêmio Grammy e conhecido por seu trabalho com orquestras e corais. Diversas de suas obras são homenagens a diferentes poetas como Federico García Lorca e Emily Dickinson. Alguns dos seus trabalhos mais célebres vem do projeto Virtual Chord, que propõe agrupar vozes individuais a um coral online.

Leonard Bernstein – (1918-1990) Maestro, compositor e pianista americano, é vencedor de diversos Emmys e obteve grande reconhecimento ao dirigir a Filarmônica de Nova York entre 1954 e 1989. Foi uma das figuras mais influentes na música clássica americana e inspirou a carreira de uma grande geração de novos músicos. Suas composições são diversificadas e abrangem peças para balé, cinema, teatro e ópera. Entre suas principais obras estão as composições Candide, On the town e West Side Story.

SERVIÇO
Série Lírico no Museu – Coral Lírico de Minas Gerais
Data: 28 e 29 de abril
Horário: 19h
Local: Museu Inimá de Paula
Endereço: Rua da Bahia, 1201 – Centro
Entrada gratuita

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 29 abril, 2015 17:10


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