Instituto Moreira Salles disponibiliza gratuitamente partituras inéditas de 18 arranjos para dois pianos escritos por Radamés Gnattali nos anos 1950 para composições de Ernesto Nazareth

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 1 abril, 2015 16:09

Guardião do acervo de Ernesto Nazareth, além de criador e mantenedor do site Ernesto Nazareth 150 anos, o Instituto Moreira Salles disponibiliza pela primeira vez, para download gratuito, as partituras editoradas e revisadas de 18 composições de Ernesto Nazareth em arranjos de Radamés Gnattali para dois pianos.

Nascido em 1906 em Porto Alegre, Radamés Gnattali é reconhecido como um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Sua vasta obra circula com facilidade entre o popular e o erudito, incluindo peças para as mais diversas formações instrumentais.

Além de pianista virtuoso, que iniciou sua carreira de concertista executando obras de Liszt e Tchaikovsky, Radamés foi um dos grandes arranjadores do Brasil, contratado pela Rádio Nacional entre 1936 e a década de 1960, e depois pela TV Excelsior e pela TV Globo. Nesse período, chegava a fazer nove arranjos por semana, em geral para orquestra a ser regida por ele, resultando em centenas de arranjos de músicas populares. A riqueza dessas músicas que conheceu como arranjador influenciou também sua atividade como compositor erudito, servindo de base para incontáveis citações e transfigurações que incluiu em suas composições com imensa maestria.

Desde muito cedo, ainda no Rio Grande do Sul, Radamés entrou em contato com a obra de Ernesto Nazareth, que viria a influenciá-lo por toda a vida. Em 1953, Radamés foi um dos primeiros intérpretes a gravar composições de Nazareth em LP. Foram oito faixas em arranjos para piano e orquestra de cordas, que saíram no disco de 10 polegadas Ernesto Nazareth (Continental – LPV2001).

Em 1955, Radamés formou um duo com sua irmã Aída Gnattali (Porto Alegre, 1911), cujo repertório consistia principalmente de músicas de Ernesto Nazareth arranjadas por Radamés para dois pianos. Ambos, além de excelentes pianistas, tinham uma leitura à primeira vista fenomenal, o que permitia que preparassem e apresentassem com relativa facilidade essas peças de tão difícil execução.

Segundo Alexandre Dias, coordenador do site Ernesto Nazareth 150 anos e responsável, ao lado do arranjador Paulo Aragão, pela revisão das partituras, “estes arranjos representam o que há de melhor em termos de escrita pianística, equilibrando os pianos de maneira excepcional. Neles, Radamés expande a linguagem nazarethiana, incorporando novos vocabulários harmônicos, sem desvirtuá-la. Em verdade, as músicas de Nazareth são potencializadas e elevadas a novos patamares.”

 

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 1 abril, 2015 16:09


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