11ª edição da Bienal Naïfs do Brasil apresentou a diversidade da produção artística ingênua no país e dialogou com o popular e o contemporâneo

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 10 dezembro, 2012 19:01

11ª edição da Bienal Naïfs do Brasil apresentou a diversidade da produção artística ingênua no país e dialogou com o popular e o contemporâneo

“Era mais importante que eu aprendesse a usar as minhas mãos do que a minha cabeça. Na minha terra, as mãos produzem comida, a cabeça só produz confusão”. A frase atribuída ao Mestre Vitalino traça um paralelo entre o processo criativo do artista Naïf e o fazer manual e espontâneo de um ofício.

Criada em 1992, por iniciativa do SESC São Paulo, a Bienal Naïfs do Brasil comemorou 20 anos de existência e, em sua 11ª edição propôs aproximar o mundo popular, colorido e criativo da arte ingênua à linguagem contemporânea; assim estabelecendo conexões com o exercício primário da arte, expressão que se manifesta em linguagens simples ou complexas, mas, que envolve necessariamente a intervenção humana.

Aberto ao público em 8 de Agosto, o evento congregou o universo de 55 artistas, que representaram as mais diferentes regiões do país e traçaram um panorama da diversidade de temáticas e formas da realização naïf brasileira.

Os visitantes puderam identificar os novos contornos, como, por exemplo, a presença de abordagens e referências urbanas e atuais; técnicas tradicionais e inovadoras, evidenciando o realinhamento do propósito primitivo-moderno que marca a arte ingênua.

A opção de aproximar as obras selecionadas pelo júri, com as de outros 10 artistas contemporâneos convidados, idealizada pela curadora Kiki Mazzucchelli estimulou a criação de conexões e relações insuspeitas entre as produções naïf e contemporânea e, foi um dos fatores mais referenciados pelo público visitante.

Entre agosto e dezembro, o Sesc atendeu escolas, por meio da parceria entre Sesc e o Fundo para o Desenvolvimento da Educação; grupos de terceira idade de diversas cidades do interior paulista,pesquisadores, colecionadores, galeristas, especialistas, jornalistas, estudantes e interessados, com a finalidade de ampliar conhecimentos e garantir o debate acerca da produção visual no país.

Neste contexto, a Bienal foi instrumento de circulação de ideias e veículo criativo para pessoas de todas as idades e formações. Foram ao todo 100.489 visitantes e um significativo retorno em experiência, sensibilização e aprendizado.

FDE

A parceria entre Sesc e o Fundo para o Desenvolvimento da Educação, visou estimular e facilitar o acesso de alunos e professores da Rede Estadual de Ensino à 11ª edição da Bienal. As ações envolveram visitações guiadas, dinâmicas, oficinas e jogos educativos que proporcionaram aos grupos contato com o universo das artes visuais.

Ao todo foram atendidas 162 escolas e 6480 alunos de Piracicaba e região, em um projeto que envolveu educadores, profissionais de ensino, técnicos do Sesc e colaboradores.

Atividades relacionadas

As mesas realizadas no dia 9 de agosto, O processo de Seleção da Bienal e Além da Vanguarda reuniram público de 100 pessoas que puderam conhecer mais sobre os, debates e conceitos que permearam a criação da curadoria e escolha do júri. Com a presença de Marta Mestre, curadora do MAM-RJ; Fernando Oliva, curador e crítico; Kiki Mazzucchelli, curadora da mostra; Juliana Braga, coordenadora do programa de artes visuais do Sesc São Paulo e Prof. Laymert Garcia dos Santos, do Departamento de Sociologia da Unicamp.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 10 dezembro, 2012 19:01


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