Pyotr Tchaikovsky | Confira artigo especial sobre compositor russo

Felippe Alves
Por Felippe Alves 7 dezembro, 2012 12:00

Pyotr Tchaikovsky | Confira artigo especial sobre compositor russo

Não é de hoje que planejava criar uma seção de Música Clássica aqui na Frequência Não Modulada. Sei lá, quem sabe um compositor clássico por mês… não sei. O fato é que resolvi começar a tratar sobre este gênero tão rico nesta edição de hoje. E pra introduzir o tema, ninguém melhor que um dos maiores compositores clássicos que este mundo já viu: Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Indubitavelmente a frente do seu tempo, é muito conhecido por seus ballets, elevando a dimensão do gênero, além de ter imensurável importância no romantismo do século XIX.

Tchaikovsky nasceu a 7 de maio de 1840 em Vyatka Guberniya, hoje Votkinsk, na Rússia. Passou seus primeiros 18 anos de vida por lá. Sua família tinha muitas posses e nenhuma ligação com a música. Seu pai era engenheiro e dirigia as instalações mineiras do Estado e queria que ele estudasse advocacia, olha que ironia (mas ainda assim o ajudou financeiramente até os 25 anos de idade). Quem deu as primeiras lições de música ao Tchai (vou chamá-lo assim) foi uma governanta francesa.  Foi no ano de 1863 que ele se matriculou no Conservatório de São Petersburgo e estudou composição, orquestração, flauta e órgão. Ainda adolescente, assistiu à opera “Don Giovanni”, de Mozart, e ficou estarrecido: “Devo a Mozart ter me dedicado inteiramente à música”.

Em 1867, Tchaikovsky compõe sua Primeira Sinfonia, apresentada em 3 de fevereiro de 1868. Dois anos depois compôs Romeu e Julieta, um poema sinfônico que obteve tremendo sucesso. Por falar em sucesso, fama, badalação, dinheiro e mulheres (oh ok, sem brincadeiras por aqui), ele compôs o Concerto Nº1 para Piano em 1875, obra que se tornou imensamente conhecida, sendo uma das obras mais executadas e gravadas no mundo. Assista ao concerto no link abaixo:

Outra de suas peças mais performadas é a Abertura 1812, onde Tchai comemora o fracasso da invasão francesa à Rússia no ano de 1812. Conta com um triunfante final com 16 tiros de canhão e, em alguns concertos ao ar livre, chegou a ser executada com canhões de verdade, além de coros de sinos. Tchaikovsky passou a ser reconhecido internacionalmente como regente de suas próprias composições. Pra você ter uma idéia, foi ele que inaugurou o Carnegie Hall, em Nova York: uma das salas de concertos mais importantes do mundo. Assista a Abertura 1812 abaixo:

Agora, se me permitem, preciso reservar um espaço especial para os ballets de Tchaikovsky. O Lago dos Cisnes foi o primeiro ballet de Tchaikovsky. Foi encenado pela primeira vez no Teatro Bolshoi em Moscou em 1877. Conta a história do jovem Príncipe Siegfried que se apaixona por Odette, uma rainha que foi transformada em um cisne por um feiticeiro malvado. Odette explica que está destinada a permanecer neste estado, até ser resgatada pelo seu amor verdadeiro. Encantado, o príncipe jura amor eterno a ela. No seu aniversário de 21 anos, ele é enganado por Rothbart, um feiticeiro malvado, e acaba declarando seu amor verdadeiro a Odile, a gêmea malvada de Odette. Quando Siegfried se dá conta que foi ludibriado, volta ao lago e duela com Rothbart e destrói seu poder. Assim, Odette e ele ficam juntos pra sempre. A performance, por ironia do destino, foi um fracasso e ficou fora do repertório por muitos anos. Logo a peça mais icônica do compositor, cultuada através dos séculos e referenciada em muitos desenhos e filmes, como Cisne Negro, do diretor Darren Aronofsky, em 2011. Ouça abaixo a abertura do Lago dos Cisnes, regida pela Orquestra de Montreal. Divina.

Depois, ele compôs A Bela Adormecida, encenado em 1890. O ballet conta a história da princesa Aurora que, ao nascer, é ameaçada por uma fada malvada de nome Carabosse, que não foi convidada ao batizado da princesa. Então, ela roga uma praga: ao completar 16 anos, furaria o dedo numa roca e morreria. Então uma fada boa dá outro presente: que ela não morrerá e sim dormirá um sono profundo, só despertando de um beijo de um príncipe. Quem em sã consciência beijaria uma cadáver fria e gélida? Necrofilia, sim ou com certeza? Ok, eu disse “sem piadinhas”. Em 1891, ele rege suas principais obras no Carnegie Hall, em Nova York. Na mesma época em que apresentou o clássico ballet O Quebra Nozes, em dezembro de 1892.  

O Quebra Nozes conta, em 2 atos, a história da fantasia de Clara, uma menina que ganha um boneco de presente de natal, O Quebra Nozes. Quando todos vão dormir, Clara vai à sala para brincar com o boneco e adormece, entrando, assim, no mundo da fantasia. Os brinquedos ganham vida, dançam, lutam, viajam para o Reino das Neves e Reino dos Doces, onde Clara e o príncipe são homenageados com danças típicas de vários países e com um gracioso pas-de-deux- da Fada Açucarada. Assista à “Valsa das Flores”, d’O Quebra Nozes, abaixo:

Tchai teve três mulheres essenciais em sua vida: sua mãe, que tinha uma estima e amor imensos; Nadejda von Meck: sua mecena (patrocinadora das artes), uma viúva rica, que gostava de reunir jovens na própria casa e os incentivava para a música; e Antonina Ivanovna Miliukova, sua esposa e ex-aluna. Só que tinha um porém: ele era homossexual e acabou se casando unicamente de fachada, pra “manter a imagem”. Nem precisa dizer que o casamento foi um fiasco completo. Mas este não foi o único desgosto. Nadejda suspende a ajuda financeira a Tchai, mas há quem diga que ela tenha deixado de ajudá-lo depois de sacar a verdadeira opção sexual dele. E ela teria ficado irritada com o fato dele ter sido grosso com ela em relação às contribuições mensais em uma só, o que lhe permitiria comprar uma casa em Paris. Mas são só rumores.

Tchaikovsky e sua esposa Antonina

Mesmo um tanto desprezado na Europa, Piotr Tchaikovsky é um dos compositores que tem mais obras bem sucedidas em toda a história da música clássica. Todas os seus trabalhos são intensos, mas esta peça que vou falar em especial ultrapassa o significado de intenso. Nas palavras do próprio, sua última peça, a Sinfonia Nº6, é a sua melhor. “Sem exagero, toda minha alma está nesta sinfonia”. Ele deu o título de “Patética” a essa sinfonia, justamente por expressar seu sofrimento por viver reprimido por não assumir sua homossexualidade e como isso o corroía por dentro. Logo após completar essa sinfonia em agosto de 1893, ele veio a falecer em 6 de novembro do mesmo ano, vítima de tifo. Mas ele ainda conseguiu regê-la em São Petersburgo em 28 de outubro de 1893. Assista abaixo a performance regida por Vladimir Fedoseyev:

Assim como os demais compositores clássicos, Tchaikovsky canalizava sua dor no que fazia. Por isso seu trabalho era tão significativo, profundo e sensível. Para quem ama música clássica, ele é imprescindível na sua playlist. Arrepios na certa.

Felippe Alves
Por Felippe Alves 7 dezembro, 2012 12:00


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