‘Nunca vi o mundo com os meus olhos e não sinto falta’, declara Dennis no filme ‘O Olho do Minotauro’

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 24 agosto, 2017 12:55

“Meu marido, Charlie, é autista. Eu sou autista. Anthony é autista. Somos uma família totalmente autista e penso: ‘Isso não é maravilhoso?’”, se diverte a mãe da família aos risos no documentário “Conectados”. Essa história faz parte das 32 produções de 19 países que a oitava edição do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência exibe no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 28 de agosto. Com entrada gratuita, o evento ainda traz dois debates nesta semana: “Tecnologia assistiva de ponta” e “Amor e relacionamento”, nos dias 23 e 24, respectivamente.

O elo comum de todas as tramas são a superação e o amor. Na produção “O Olho do Minotauro” (FOTO), Dennis, um rapaz cego de nascença, sonha em ser escultor: “Nunca vi o mundo com meus olhos e eu não sinto falta porque não faço ideia o que é ser capaz de enxergar. Posso até imaginar como é o mundo ao meu redor”. Inéditos, os documentários trazem narrativas protagonizadas por pessoas com diversas deficiências como síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, atrofia muscular espinhal, deficiência física, visual, auditiva e intelectual.

Na programação, filmes de 19 países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Suíça, Itália, Espanha, Polônia, Bulgária, Finlândia, Turquia, Ucrânia, Tailândia, Alemanha, Rússia, Índia, Myanmar e Letônia. O evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura e produção da Lavoro Produções e ainda terá edições no CCBB de Brasília (5 a 17 de setembro) e de São Paulo (20 de setembro a 1º de outubro). O festival, que segue depois para Brasília e São Paulo, vai premiar o filme mais votado do público nas três cidades, e mais cinco destaques dados pelo Júri, que este ano é composto pela cantora, compositora, bailarina e atriz com deficiência visual, Sara Bentes; pela coreógrafa e bailarina do Grupo Pulsar, Teresa Taquechel, e Wilson Marx, poeta e consultor sobre o tema do autismo.

Os curadores Lara Pozzobon e Gustavo Acioli acreditam que o evento cumpre duas funções: “ao mesmo tempo em que nos leva a refletir sobre aspectos fundamentais da vida em sociedade e do autoconhecimento, também nos faz refletir sobre o nosso país, por meio da comparação com as mais diversas culturas e sociedades representadas na nossa seleção. Tal comparação é sempre reveladora, principalmente quando descobrimos que somos mais avançados no que pensávamos que éramos atrasados, e mais atrasados no que pensávamos que éramos avançados”.

“Em 2003, quando o CCBB exibiu a primeira edição do Assim Vivemos, as discussões sobre o tema eram muito reduzidas. Ainda há muito trabalho a ser feito, mas acreditamos que o cinema, seja pelo filme de ficção ou pelo documentário, tem sido uma grande ferramenta de conscientização e o festival tem contribuído bastante ao transportar o público para as mais diversas realidades e situações que envolvem a questão da deficiência.” reflete Fabio Cunha, gerente geral do CCBB Rio.

Realizado a cada dois anos, o festival se mantém como o principal evento que celebra a inclusão cultural no Brasil. Ao primeiro, realizado em 2003 no Rio de Janeiro e em Brasília, seguiram-se edições inéditas em 2005, 2007, 2009, 2011, 2013 e 2015. Desde 2009, São Paulo também abriga o festival. Em 2010 e 2012, foram feitas itinerâncias em outras cidades, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Pelotas e Santa Cruz do Sul, ampliando seu alcance e possibilitando que mais pessoas conhecessem o projeto e, através dos filmes, histórias de vida inspiradoras e altamente transformadoras. Comprometido com a promoção de acessibilidade para todos os públicos, o festival oferece audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braille para pessoas com deficiência visual; e legendas LSE nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates para as pessoas com deficiência auditiva. Os portadores de deficiência física também contam com garantia de acessibilidade, uma vez que o Centro Cultural Banco do Brasil tem sua arquitetura concebida para o acesso de pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes.

SERVIÇOS

8º edição do festival “Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência”

CCBB – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília

Rio de Janeiro: até 28 de agosto – CCBB – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Entrada gratuita.

Sessões em diversos horários.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 24 agosto, 2017 12:55


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