Documentário sobre índios Ãwa estreia em circuito comercial nesta quinta

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 11 maio, 2017 13:41

Os irmãos cineastas Henrique e Marcela Borela se depararam com um material digno de roteiro de filme, e assim o fizeram. No documentário TAEGO ÃWA, que estreia nesta quinta-feira, dia 11 de maio, registros recentes se misturam a imagens antigas dos índios Ãwa. O longa chega ao circuito comercial de salas de cinema após um hiato de 20 anos. TAEGO ÃWA é o primeiro filme goiano, em duas décadas, a receber um convite curatorial de uma distribuidora, por sua relevância temática e estética.

O filme estreia nas seguintes cidades, através do projeto SESSÃO VITRINE PETROBRAS: Rio Branco (Cine Teatro Recreio), Maceió (Cine Arte Pajuçara), Fortaleza (Cinema do Dragão), Brasília (Cine Brasília e Espaço Itaú de Cinema Brasília), Vitória (Cine Metrópolis), Goiânia (Cine Cultura Goiânia), São Luís (Cine Praia Grande), João Pessoa (Cine Banguê e Cinespaço Mag Shopping), Recife (Cine São Luís), Teresina (Cine Teresina), Curitiba (Cineplex Batel, Cinemateca de Curitiba e Espaço Itaú de Cinema Curitiba), Niterói (Cine Arte UFF), Rio de Janeiro (Espaço Itaú de Cinema Botafogo), Porto Alegre (Cine Bancários e Espaço Itaú de Cinema Porto Alegre), Aracaju (Cine Vitória), São Paulo (Espaço Itaú de Cinema Augusta e Caixa Belas Artes), Palmas (Cine Cultura Palmas), Salvador (Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha), Belo Horizonte (Cinema Belas Artes), Santos (Cinespaço Miramar) e Belém (Cine Líbero Luxardo).

Foi através de cinco fitas VHS com registros dos índios Ãwa, mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia, achadas numa faculdade, que Marcela e Henrique deram início ao projeto. A partir daí, encontraram outros materiais e foram em busca daquele povo, investigando a fundo a origem e a trajetória dos Ãwa até aqui, inclusive o passado de enfrentamento com os brancos, o histórico de reclusão, a luta por demarcação de território e pela restituição das terras.

Marcela Borela conta que apesar de terem feito o filme ao longo de 12 anos em busca de imagens de arquivo, a motivação das filmagens só poderia surgir em parceria com os Ãwa. “Nossa primeira intuição foi a de não filmá-los, mas sim mostrar à eles o conjunto de informações e conteúdos que vínhamos juntando sobre suas histórias. Queríamos que o filme partisse do gesto de devolver aos Ãwa aquelas imagens de arquivo que narravam 40 anos de seu desterro e cativeiro, em busca de justiça. Aquelas pessoas tinham sido filmadas demais e fotografadas demais, numa redoma de um discurso de extinção, invisibilidade e animalidade que nos chocava. De certa maneira, carregávamos uma revolta. Descobrimos que eles estavam reivindicando Taego Ãwa, a terra tradicional, depois de 40 anos de silêncio. Foi nessa primeira visita à Ilha em 2011. Ali propusemos o filme, mas eles estavam desconfiados. Estavam sofrendo retaliações por estarem encorajados em voltar à terra.”

O irmão, Henrique Borela, completa: “Seis meses depois da nossa primeira visita, os Ãwa entraram em contato conosco e disseram que eles queriam que o filme fosse feito. Aí nós fomos novamente à Canoanã, na Ilha do Bananal, em 2012, quando tratamos do filme e de como ele seria. Decidimos ali que seria sobre a terra, que se chamaria Taego.”

E por fim, Marcela retoma: “No Taego Ãwa a gente filma junto, nós e nossa equipe com a família Ãwa do Araguaia (Tutawa, seus filhos, netos, bisnetos). Somos dois irmãos, uma família, filmando outra família. Acho que esses laços ficam potencializados nesse trabalho. Decidimos coisas entre nós, como diretores e roteiristas, decidimos coisas com nossa equipe, mas sempre vibrando mais relação com a família Ãwa, bastante liderados pelos netos de Tutawa, jovens da nossa idade.”

“TAEGO ÃWA” é uma produção da Barroca e F64 filmes em parceria com a Associação do Povo Ãwa – APÃWA, da Cinemateca Brasileira, do NPD-GO – Núcleo de Produção Digital de Goiás, do Instituto Federal de Goiás – Câmpus Cidade de Goiás, da Ideia Produções e da Balaio Produções, tendo como produtora associada Luana Otto. O filme foi viabilizado através do Edital Longa.doc 2013, Edital de Fomento ao Documentário Brasileiro, da SAv/Minc e recebeu também patrocínio da SPcine – linha 3, para sua distribuição.

Contexto político nacional

No longa-metragem, o grupo Avá-Canoeiro do Araguaia narra sua trajetória de desterro, cativeiro e luta pela reconquista de sua terra tradicional, também chamada Taego Ãwa – que leva o nome da primeira mulher de Tutawa, Taego, que é mãe de Kaukama – ela que por sua vez é mãe, avó e bisavó de todos os Avá-Canoeiro do Araguaia que nasceram após o contato de 1973. No contato, realizado pela FUNAI, os Ãwa foram retirados à força da Mata Azul e de pois foram enjaulados e expostos para visitação pública. Boa parte do grupo morreu de doenças alheias. Os remanescentes acabaram entregues aos Javaé – ocupantes de uma terra vizinha ao território Avá-Canoeiro. Tutawa, capturado ainda jovem pela frente de atração da Fundação Nacional do Índio (Funai), morreu em 2015 sem ao menos ter o direito de serenterrado no último refúgio de seu povo antes do trágico contato: o Capão de Areia.

A Terra Indígena Taego Ãwa, que aguardava demarcação do Ministério da Justiça desde 2012, teve portaria declaratória publicada e homologada Dilma Rousseff, pouco antes dela ser afastada de suas atividades, no dia 12 de abril de 2016. Na ocasião da demarcação da TI Taego Ãwa, ocorria o 13º Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília (DF), organizado pela Articulação Nacional dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que se repete em 2017, como o maior encontro pelos direitos constitucionais dos povos indígenas no Brasil.

Cinco fitas VHS encontradas no armário de uma faculdade disparam o desejo desse filme. Anos depois, munidos de mais registros, vamos ao encontro dos Ãwa na Ilha do Bananal. Levamos conosco a memória do desterro ao qual foi exposto o povo Tupi que mais resistiu à colonização no Brasil Central. As imagens foram vistas, sentidas e mais imagens surgiram desse encontro em meio à luta por Taego Ãwa.

Prêmio e Festivais

19ª FICA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL – Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Produção Goiana
VII CACHOEIRA.DOC, MOSTRA COMPETI​TI​VA DE LONGAS E MÉDIAS METRAGENS – Melhor Filme de Longa-metragem pelo Júri Oficial

19ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES – Seleção Oficial Mostra Aurora
38º CINÉMA DU RÉEL​ – FESTIVAL DU FILM DOCUMENTAIRE – First Film Competition
FINCAR – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE REALIZADORAS
2º PIRENÓPOLIS.DOC, FESTIVAL DO DOCUMENTÁRIO BRASILEIRO – Filme de Arbertura
49º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO – Mostra A Política no Mundo e o Mundo na Política
12º BRÉSIL EN MOUVEMENTS, SÉANCE ACCES A LA TERRE
20º JIHLAVA INTERNATIONAL DOCUMENTARY FILM FESTIVAL
3​2º BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE DE SÃO PAULO
FORUMDOC.BH 20 ANOS – FESTIVAL DO FILME DOCUMENTÁRIO E ETNOGRÁFICO
8a SEMANA DOS REALIZADORES
XII PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA DA BAHIA

MOSTRA CORPOS DA TERRA – IMAGENS DOS POVOS INDÍGENAS NO CINEMA BRASILEIRO – Filme de Abertura

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 11 maio, 2017 13:41


Escreva um comentário

Nenhum comentário

Ainda não há comentários!

Não existem comentários ainda, mas você pode ser o primeiro a comentar este post.

Escreva um comentário
Leia os comentários

Escreva um comentário

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados*

Transformers - O último Cavaleiro

Facebook

Homem Aranha: De volta ao Lar




Tal mãe Tal Filha