Documentário ‘Central’ mostra a realidade dentro do pior presídio do Brasil

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 20 março, 2017 13:33

Em meio ao caos do sistema carcerário que se desencadeou no Brasil, em que centenas de presos são submetidos à superlotação, falta de infraestrutura e de higiene e má alimentação dentro dos presídios e as cidades estão vivendo ondas de violência nunca vistas, estreia o documentário CENTRAL – O poder das facções no maior presídio do Brasil, que retrata de dentro das celas a realidade nua e crua do pior presídio do Brasil e também da América Latina.

O documentário, inédito no cinema brasileiro, é dirigido por Tatiana Sager com codireção de Renato Dornelles e usa como ponto de partida o Presídio Central de Porto Alegre – considerado em 2008 o pior presídio do país pelo Congresso Nacional e um dos piores da América Latina pela Organização dos Estados Americanos (OEA) – para traçar uma radiografia da crise nas penitenciárias brasileiras.

Central traz à tona, além da narrativa vista sob a ótica dos diretores, o olhar dos próprios presos sobre a realidade em que vivem. Com câmeras nas mãos, os presos captaram imagens diretamente nas galerias, onde nem mesmo a polícia tem acesso. O filme mostra a vida como ela é dentro de celas superlotadas, sem higiene e com uso liberado de todos os tipos de drogas.

O documentário é inspirado no livro Falange Gaúcha – a história do Crime Organizado no RS, de Dornelles, que aborda a dimensão das disputas de poder entre as facções, os conceitos de violência simbólica e econômica, segregação e vulnerabilidade social e, ao mesmo tempo, os conceitos de vingança privada, universidade do crime e o senso comum, expresso no ditado popular “bandido bom é bandido morto!”. O filme também dialoga sobre a questão da segurança pública, um dos principais temas em debate no país. Entender a lógica do encarceramento em massa é mergulhar na história de um Brasil pouco conhecido, em que o Estado atua na contramão da própria reconquista da liberdade e ressocialização dos cidadãos infratores.

A partir de depoimentos de policiais militares, autoridades, como o juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, o promotor de Justiça Gilmar Bortolotto, e o sociólogo Marcos Rolim, familiares e presos, o filme também desnuda as diversas faces de uma mesma história, procurando expressar a autenticidade de um mundo que corre à margem, mas que está absolutamente integrado à nossa estrutura social.

O documentário recebeu os prêmios de Melhor Documentário de Língua Portuguesa no FESTin – Portugal (2016), de Melhor Documentário no 33° Prêmio Nacional dos Direitos Humanos de Jornalismo (2016) e de Finalização FAC-RS (2014). Além de ter participado da seleção oficial do Florianópolis Audiovisual do Mercosul (FAM), em Santa Catariana (2016), e do DocMontevideo, no Uruguai (2016), da Mostra Panorama do Festival Visões Periféricas, no Rio de Janeiro (2016) e da Mostra Gaúcha do Festival de Cinema de Gramado, no RS (2016).

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 20 março, 2017 13:33


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1 Comentário

  1. Douglas junho 6, 21:44

    É um horror esse lugar, não entendo por que não fecharam ainda esse calabouço medieval.

    Responder a esse comentário
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