IMS apresenta grande exposição individual do albanês Anri Sala, um dos principais nomes da arte contemporânea

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 agosto, 2016 14:07

IMS apresenta grande exposição individual do albanês Anri Sala, um dos principais nomes da arte contemporânea

Anri Sala: o momento presente é a primeira apresentação ampla no Brasil do artista albanês Anri Sala (Tirana, 1974), um dos nomes mais importantes no cenário contemporâneo internacional. Trata-se de um projeto que compreende duas exposições no Instituto Moreira Salles. A primeira delas abrirá na sede do IMS do Rio de Janeiro no dia 10 de setembro, às 17h, com uma conversa entre o artista e a curadora Heloisa Espada. O evento é gratuito e terá distribuição de senhas 30 minutos antes do início. A segunda exposição ocorrerá na nova sede do IMS na Avenida Paulista, no segundo semestre de 2017.

As duas mostras – com listas de obras distintas, pois foram elaboradas em diálogo com as características de cada espaço – explicitam a dimensão política e ao mesmo tempo sensível da obra de Anri Sala por meio de instalações, vídeos, fotografias e objetos. Por um lado, o espectador é levado a avaliar criticamente o momento atual a partir de um ponto de vista histórico; por outro, é impactado sensorialmente por meio do som. As exposições reunirão obras de diferentes fases, mas se concentrarão principalmente em videoinstalações sonoras, tais como Long Sorrow (2005), Answer Me (2008), Le Clash (2010) e Tlatelolco Clash (2011).

Na sede carioca do IMS, Anri Sala invadirá as salas e os jardins da antiga residência do embaixador Walther Moreira Salles com uma música improvisada e dissonante. A exposição no Rio de Janeiro tem como foco o diálogo das obras de Sala com a arquitetura modernista da casa projetada por Olavo Redig Campos em 1951. Ali, o artista potencializa a experiência do público em relação ao espaço, propondo uma nova forma de circulação, bloqueando passagens usuais e induzindo o visitante a percorrer áreas externas pouco habitadas. Numa intervenção ainda mais direta, ele substituiu uma das vidraças que dão para o pátio interno da casa pela obra No Windows No Cry (Olavo Redig Campos) (2016).

Outro destaque é a instalação sonora Bridges in the Doldrums (2016), criada especialmente para esta exposição. Mais uma vez em relação direta com a arquitetura, a obra ocupa a sala de azulejos, no interior da casa, e a varanda do painel de cobogó, na parte externa. Os dois ambientes são separados por uma porta de vidro fechada, de modo que eles são visualmente acessíveis, mas acusticamente isolados um do outro. Para chegar até a varanda do cobogó, é preciso dar a volta pela parte de fora da casa. Bridges in the Doldrums faz parte de uma série de instalações iniciada em 2005, com instrumentos de percussão que exploram a noção de simultaneidade e sobreposição por meio da manipulação de ondas sonoras.

O passado colonial do Brasil e suas raízes africanas levaram Anri Sala a produzir também uma nova versão do vídeo de Làk-kat, filmado em 2009, no Senegal, para a atual exposição no país. Após realizar Làk-kat 2.0 (British/American) (2015), em que o trabalho é mostrado simultaneamente em duas telas, uma com legendas em inglês britânico, outra em inglês americano, o artista propõe agora para o Brasil a videoinstalação Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese) (2016), composta por três telas que levam as legendas citadas no título. Além de abordar relações de poder por meio da impossibilidade de se traduzir algumas palavras em uólofe (língua original da região onde hoje fica o Senegal), o vídeo busca se aproximar de expressões idiomáticas típicas do Brasil, de Portugal e de Angola. Por isso, para realizar essa nova versão, Anri Sala trabalhou em colaboração com a escritora brasileira Noemi Jaffe, o angolano Ondjaki e o português José Luís Peixoto.

Ainda que se concentre sobretudo em trabalhos em que a investigação sonora tem papel central, Anri Sala: o momento presente apresenta também o vídeo Intervista: Finding the Words (1998), a primeira obra com a qual o artista se tornou conhecido, realizada como trabalho de conclusão de curso, quando ele ainda estudava vídeo na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs de Paris. A obra permanece atual e pertinente, pois condensa uma série de aspectos que continuam prementes na obra de Sala: a obsessão por ausências e faltas, a capacidade de extrair significados do que não é dito e a opção por abordar a história a partir de narrativas ambíguas.

Para a curadora, ”entre performance, ficção e documentário, os trabalhos presentes em Anri Sala: o momento presente propõem experiências nada apaziguadoras por meio da justaposição de contingências pessoais, históricas e políticas”.

Acompanha a mostra um catálogo com textos inéditos de Heloisa Espada, Moacir dos Anjos e Natalie Bell, além da tradução de um artigo de Jacques Rancière. A publicação será lançada durante a abertura da exposição e estará à venda nos centros culturais do IMS e em lojadoims.com.br.

SERVIÇO
Anri Sala: o momento presente
Curadoria: Heloisa Espada
Abertura: 10 de setembro, 17h: conversa com o artista com mediação de Heloisa Espada. Em inglês. 19h30: exibição do filme 1.395 Days without Red.
Evento gratuito com retirada de senhas 30 minutos antes.
Visitação: de 11 de setembro a 20 de novembro
Horário: De terça a domingo, das 11h às 20h
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Entrada franca
Classificação livre

Visitas mediadas para grupos: agendar pelo telefone (21) 3284 7485 ou educativo.rj@ims.com.br
Tel.: (21) 3284-7400

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 agosto, 2016 14:07


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