A LOUCURA ENTRE NÓS nesta quinta nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador!

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 1 agosto, 2016 14:39

Chaves, grades, olhares, preconceitos, tudo nos separa do que não consideramos “normal”. E numa época onde é cada vez mais difícil lidar com as diferenças, o documentário A LOUCURA ENTRE NÓS nos tira da zona de conforto ao quebrar o isolamento de pessoas que vivem nos limites de ruptura com a realidade, para fazer um sensível mergulho nos paradoxos da reinserção da loucura no mundo em geral. Ao mesmo tempo, desata nós de personagens e histórias que exalam as contradições da razão, nos fazendo refletir sobre nossos próprios conflitos, desejos e trajetórias.

A loucura entre nós é o primeiro longa metragem da diretora Fernanda Fontes Vareille e terá sua estreia nacional no dia 04 de agosto de 2016 em Salvador, Rio de janeiro e São Paulo, seguindo para mais dez cidades nas semanas seguintes: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Niterói, Porto Alegre, Recife e São Luis.

O documentário tem patrocínio da Petrobahia e a Carbocloro, através do artigo 1° da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual. Produzido pela Águas de Março Filmes, ele foi livremente inspirado no livro homônimo do médico psiquiatra Marcelo Veras, sobre sua experiência com o Hospital Juliano Moreira, na Bahia, e a ONG Criamundo, de reinserção na sociedade da pessoa em estado de sofrimento mental. Tanto o dia a dia da Criamundo quanto o do Hospital Juliano Moreira são o ponto de partida para o encontro com personagens singulares, cujos depoimentos, histórias e relações, retratados sem filtros ou julgamentos, nos leva a pensar nos caminhos, ganhos e perdas que cada um de nós vive na busca por uma possível “normalidade”.

“Encontrei uma realidade que provoca reflexões profundas sobre como a sociedade brasileira pode lidar de uma maneira mais humanizada com a questão da Saúde Mental” – Fernanda Fontes Vareille

Fernanda Vareille lembra que A loucura entre nós não é um filme sobre essas instituições, mas sobre sujeitos e suas histórias. Revela, principalmente, a subjetividade de duas personagens em especial: Leonor e Elisângela, duas mulheres de realidades sociais bem distintas, mas que se encontram em trajetórias e questionamentos comuns. Ao dar voz àqueles que, muitas vezes, compõem uma parcela da população negligenciada, a obra abre ao público um universo novo e cheio de contradições. Cabe, então, à humanidade retratada pela câmera da diretora subverter qualquer tentativa de reduzir as personagens a marionetes da Saúde Mental. O documentário, portanto, não se propõe a discutir questões envolvendo a possível validade dos dispositivos de atendimento e assistência da pessoa em estado de sofrimento mental, mas prefere questionar: Quais os limites da nossa sanidade? O que nos define como “normais”?

O filme divide suas cenas entre as ruas da capital baiana e a realidade entre muros, salas e portões do Hospital Juliano Moreira. Neste último, uma equipe enxuta de quatro pessoas filmou em clima de imersão. Esse processo foi fundamental para o amadurecimento no olhar que é dividido ao longo do documentário. A realidade se impõe com os momentos de surto, aparente normalidade e apatia por parte das duas personagens principais. Extremamente generosas com a câmera, elas têm muito a dizer e despem-se completamente para o olhar do público, revelando muitas coisas que, ainda hoje, permanece como tabu quando se fala de questões envolvendo o sofrimento mental.

Ao mostrar o exato momento em que um grupo de pessoas sai do hospital para conquistar autonomia nas suas relações com suas famílias – e com a própria cidade – o filme dialoga também com questões absolutamente contemporâneas em relação à Reforma Psiquiátrica e a Luta Antimanicomial no Brasil. Nesse sentido, a voz dada aos pacientes reforça o ideal de um futuro onde não existam manicômios, mas sim processos capazes de extinguir para sempre qualquer lógica de cidadãos de primeira e de segunda classe no tratamento de pessoas com sofrimento mental.

“Presenciar o surto de Leonor, por exemplo, foi um momento revelador e, de certa forma, influenciou na direção do filme. A realidade passou a ser mais dura do que imaginávamos. Perdemos a ingenuidade”. – Fernanda Fontes Vareille

A equipe de A loucura entre nós chegava cedo ao hospital e permanecia durante todo o dia convivendo com as personagens. Muitas vezes estavam presentes sem produzir nenhum material, apenas observando e conversando para que todos, pacientes e funcionários, se acostumassem com a nova presença – e, principalmente, com a presença da câmera. Ao todo foram três anos de filmagem (iniciada em 2011, com finalização de produção em março de 2015), numa jornada onde houve uma tomada de nova consciência, capaz de ressignificar todo o processo. E se o mundo retratado no início atrai nossa atenção por ser distante e exótico, ele passa a revelar novas camadas de interesse à medida que vai se abrindo.  A maior conquista desse amadurecimento é a produção de um material que nos leva à percepção de que “A Saúde Mental” talvez sequer exista; o que existem são histórias contadas, uma a uma. 

FESTIVAIS E PRÊMIO

A primeira exibição de A loucura entre nós aconteceu no dia 16 de julho de 2015 na 4 ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Depois participou da primeira edição do Pirenópolis.Doc, que aconteceu no início de agosto de 2015 na cidade de Pirenópolis, em Goiás, de onde saiu com o prêmio de melhor longa-metragem da Mostra Competitiva Nacional (júri popular).  Em 2015, o documentário foi exibido ainda no Ateliers Varan, prestigiada escola de cinema francesa em Paris (numa sessão especial para professores e estudantes de cinema), além de participar da 6ª edição do CachoeiraDoc – Festival de Documentários de Cachoeira, na Bahia, do Indie Festival, em Belo Horizonte, e da 13ª edição do VLAFF – Vancouver Latin American Film Festival, no Canadá. Em 2016, participou (no dia 7 de abril) do Festival du Cinéma Brésilien em Paris, no Cinéma L’Arlequin, do Festim Lisboa e do Madeira Film Festival, ambos em Portugal, na Mostra do Filme Livre do Centro Cultural Banco do Brasil e no David Rockefeller Center de Harvard, nos Estados Unidos. 

Documentário|76’|cor|DCP|Brasil|2015

Quais os limites da nossa sanidade? O que nos define como “normais”? A loucura entre nós, filme dirigido por Fernanda Fontes Vareille, lança um olhar sobre os corredores e grades de um hospital psiquiátrico, buscando personagens e histórias que revelam as fronteiras do que é considerado loucura. Através, principalmente, de personagens femininas, o documentário exala as contradições da razão, nos fazendo refletir nossos próprios conflitos, desejos e erros. Livremente inspirado no livro homônimo do médico psiquiatra Marcelo Veras, o filme faz um sensível mergulho nos paradoxos da reinserção da loucura no mundo em geral, subvertendo qualquer tentativa de reduzir as personagens retratadas a marionetes de questões envolvendo a sanidade mental.

A LOUCURA ENTRE NÓS-01Agosto2016-1

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 1 agosto, 2016 14:39


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