Retrospectiva da diretora CHANTAL AKERMAN e a PRODUÇÃO EXPERIMENTAL EM CINEMA na FESTCURTASBH

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 julho, 2016 14:31

A 18ª edição do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (FestCurtasBH) será realizada de 5 a 14 e agosto, no Cine Humberto Mauro e na Sala Juvenal Dias. Neste ano, o festival reúne 169 curtas ao longo de 10 dias de programação e propõe discussões sobre a produção experimental no cinema e homenageia a trajetória da cineasta belga Chantal Akerman.

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J'ai faim, j'ai froid, Chantal Akerman, F, 1984 (12 Min.) (Segment von "Paris vu par ... vingt ans après")

Um encontro entre as diversas possibilidades cinematográficas marca a 18ª edição do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (FestCurtasBH), evento já consolidado no calendário nacional e internacional que, durante 10 dias, promove uma extensa programação que combina debates, cursos, seminários e mostras temáticas na capital mineira. No ano em que atinge a maioridade, o festival conserva seu formato de sucesso, com as mostras competitivas – Minas, Brasil e Internacional; paralelas e mostras especiais.

Ao todo, serão exibidos 151 curtas-metragens no festival. Desse total, 136 obras compõem as tradicionais mostras competitivas e paralelas do festival, selecionadas entre mais de 2.500 projetos inscritos. Outros 15 filmes foram convidados especialmente pela curadoria do FestCurtasBH para compor a programação especial.

Chantal Akerman, cineasta belga falecida em outubro do ano passado e um dos nomes mais importantes do cinema experimental, será a grande homenageada do FESTCURTASBH. Serão exibidos 15 curtas e médias-metragens raros da diretora, em formato de película, além de uma sessão do documentário No home movie, último trabalho de Chantal, ainda inédito no Brasil. Um seminário, acerca da trajetória da artista, também integra a programação.

De acordo com o gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, Philipe Ratton, a proposta curatorial aborda duas vertentes: a volta ao passado, com a exibição de obras produzidas com tecnologia analógica; e o olhar mais apurado para o futuro, pensando o cinema a partir das técnicas experimentais. “A exibição de trabalhos raros da Chantal celebra a técnica analógica. Também é possível pensar o futuro da produção de curtas-metragens a partir das oficinas e dos cursos, priorizando técnicas experimentais, que serão realizados durante o FestCurtasBH”, detalha Ratton.

Nesse sentido, a programação oferece as oficinas: Revelação alternativa 16 mm, com a proposta de trabalhar processos de revelação de filmes utilizando produtos alternativos; e Fundamentos de Som para Imagem, ministrado pelo engenheiro de som Edwaldo Mayrinck, com objetivo de introduzir fundamentos técnicos do processo de sonorização em produções audiovisuais.

Todas as mostras serão exibidas no Cine Humberto Mauro e na Sala Juvenal Dias, mas quem perder algum curta ou quiser rever os trabalhos selecionados, poderá visitar a cabine de exibição alternativa, montada em frente ao Café do Palácio.

Sobre o FestCurtasBH – O Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte é um potente difusor da produção de filmes em curtas-metragens, garantindo visibilidade a trabalhos nacionais e internacionais. A cada nova edição, o FestCurtasBH contribui com reflexões sobre questões que permeiam a sociedade, ao selecionar filmes que dialogam com temas pertinentes à contemporaneidade. Hoje, figura como um dos mais importantes eventos para a difusão e promoção da produção cinematográfica mundial no segmento.

Propondo uma discussão sobre o curta metragem, sua importância histórica e estética, o FestCurtasBH é um momento único de troca entre público – que pode conhecer obras de difícil acesso, e realizadores – que poucas vezes têm a oportunidade de ouvir as considerações do público e de outros realizadores em um ambiente de livre debate. Philipe Ratton atribui às mostras competitivas o potencial de promover esse intercambio: “Durante essas mostras, cineastas de várias regiões do Brasil vêm a Belo Horizonte e, após as exibições dos filmes participam de debates. O encontro entre os filmes, público, realizadores e crítica é uma oportunidade única e a mais importante característica do FestCurtasBH”, ressalta Ratton.

Experimentando o cinema experimental– A abertura do FestCurtasBH conta com a ousadia de Luís Macías e de Adriana Vila, do CraterCollective, de Barcelona. A dupla realiza performance ao vivo que leva o nome de Mesmo o silêncio é causa de tempestade, exibindo projeções simultâneas, em 16mm, no Cine Humberto Mauro. Também conhecida como técnica do Cinema Expandido, a atividade aborda processos experimentais e analógicos de criação, e se dedica à manipulação improvisada de elementos típicos do cinema tradicional, como o tempo, a luz, o espaço e o som.

A dupla também ministrará, de 8 a 10 de agosto, a oficina Revelação alternativa 16mm. A proposta é trabalhar vários processos de revelação de filmes por meio da utilização de produtos alternativos, como bebidas alcóolicas. Ao fim da oficina, os participantes produzirão um filme coletivo em 16mm como forma de experimentar as imagens produzidas na atividade.

Em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CATV), de Belo Horizonte, será realizada a oficina Fundamentos de Som para Imagem, de 10 a 12 de agosto. Ministrada pelo engenheiro de som Edwaldo Mayrinck, o curso introduz os fundamentos técnicos do processo de sonorização em produções audiovisuais. “Essas atividades reforçam o caráter de formação do FestCurtasBH e contribuem para que a linguagem do curta-metragem seja mais difundida”, detalha Philipe Ratton.

No universo de Chantal Akerman – Pioneira do cinema experimental, Chantal Akerman foi um dos principais nomes da indústria cinematográfica nos anos 1970. Ficou conhecida após dirigir uma série de filmes que abordavam, de maneira crua, a alienação e a opressão femininas. Em sua trajetória, constam quase 50 filmes, entre curtas e longas-metragens, ficções e documentários. Nesta edição, além da exibição de 15 curtas-metragens raros o destaque fica por conta da exibição inédita do documentário No home movie, último longa-metragem dirigido por Chantal.

A obra, que encerra o FestCurtasBH, estreou no Festival de Locarno, na Suíça, em 2015, e narra a história da mãe de Akerman, uma mulher que chegou a Bélgica em 1939, fugindo da perseguição a judeus na Polônia. No apartamento em Bruxelas, ela vive isolada, sem perceber as mudanças que acontecem no mundo. “A sombra de um passado familiar é algo muito comum em vários trabalhos de Chantal. A angústia da alma feminina também é retratada pela cineasta em diferentes momentos”, aponta Philipe Ratton.

O gerente de cinema também ressalta que a escolha dos temas para as mostras especiais, como a de Chantal Akerman, reflete a maturidade atingida pelo FestCurtasBH ao longo dos anos. “Estamos propondo essa retrospectiva das obras de Chantal porque ela foi uma cineasta que assumiu o protagonismo no cinema e abriu portas, principalmente para as mulheres, e para quem quisesse experimentar novas linguagens. Promover essas reflexões no público é algo que mostra a força que o festival tem alcançando”.

Conectado à retrospectiva, será realizado o seminário Vida e Obra em Chantal Akerman, conduzido pela ensaísta e pesquisadora de cinema Carla Maia, que atua também como professora, curadora e produtora. A atividade será realizada em 11 de agosto, também no Cine Humberto Mauro.

Mostras competitivas – A Mostra Competitiva Internacional conta com 21 participantes selecionados de países como África do Sul, Irã, Alemanha, Canadá, Croácia, Estados Unidos, entre outros. Já a Mostra Competitiva Brasil reúne 20 projetos de cineastas do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia entre outros. A produção audiovisual de Minas Gerais tem categoria própria. Na Mostra Competitiva Minas, há 11 projetos concorrendo aos prêmios. Ao todo, 52 filmes disputam nas três Competitivas do Festival. Todas as sessões de filmes das mostras competitivas Brasileira e Minas são seguidas de debates com os realizadores e o público.

Mostras Paralelas – Já as mostras paralelas: Movimentos de MundoTopologias ImagináriasAnimação; MalditaJuventudes e Infantil, somam 84 curtas com diferentes propostas temáticas e estéticas.

Topologias Imaginárias – Novidade nesta edição do FestCurtasBH, apresenta 10 curtas e é resultado de um olhar mais apurado dos organizadores do Festival. “Para Topologias Imaginárias, foram selecionados os curtas que apontam a imagem como tema, como substância elementar. Os trabalhos se constituem como exercício de concepção dos autores, discutindo a própria representação da imagem e da memória”, aponta Ratton.

Infantil – Reúne 17 obras voltadas para o público infantil, uma ação que busca divulgar essas produções de difícil distribuição. “Se o curta-metragem muitas vezes fica relegado a nichos específicos, isso ainda é mais evidente no caso de filmes para criança, por isso fazemos uma mostra específica”, complementa Bruno Hilário, coordenador da Gerência de Cinema. Para potencializar ainda mais o alcance dessas sessões, escolas da região metropolitana serão convidadas a trazer alunos para as sessões.

Animação – Com 22 curtas, aborda as diferentes técnicas e possibilidades de fazer cinema de animação.

Juventudes – Derivada da mostra juventude, a Juventudes pretende abordar de forma distinta a produção ligada ao público jovem. Nesta mostra serão exibidas 18 produções que retratam diferentes estados das juventudes, diferentes visões sobre um tema que se caracteriza pela multiplicidade.

Maldita – Já tradicional na curadoria do FESTCURTASBH, a mostra maldita reúne filmes que abordam de forma diferenciada diversos temas. Serão exibidos 5 filmes que exploram o horror, o terror, e o humor negro, por exemplo.

Movimentos do Mundo – A mostra Movimentos do Mundo reúne 12 filmes que retratam questões políticas e sociais em sociedades diversas. Nesse sentido, ganham corpo as representações de povos, territórios, discursos e fronteiras que se cruzam e se misturam.

SERVIÇO

18º Festival Internacional de Curtas Metragens de Belo Horizonte – FestCurtasBH

Período: 5 a 14 de agosto
Local: Cine Humberto Mauro e Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro
Entrada gratuita, com retirada de ingressos 30 minutos antes de cada sessão
Informações para o público: (31) 3236-7333

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 julho, 2016 14:31


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