IMS adquire acervo fotográfico e filmes em super-8 de Jorge Bodanzky

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 8 junho, 2016 10:47

A mostra No meio do Rio, entre as árvores, com curadoria de Thyago Nogueira, coordenador de fotografia contemporânea do IMS, e André Sturm, curador geral do MIS, apresenta a produção fotográfica e cinematográfica de Jorge Bodanzky desenvolvida na região da Amazônia. Expoente do cinema nacional, Bodanzky aproximou-se da região pela primeira vez em 1968, enquanto trabalhava como repórter fotográfico da revista Realidade. A reportagem sobre a circulação de dinheiro falso na rodovia Belém-Brasília não chegou a ser publicada, mas durante a viagem o jovem fotógrafo teve a ideia de rodar um filme.

Jorge Bodanzky no MIS-08Junho2016

Nascia, assim, Iracema, uma transa amazônica (1974), seu longa-metragem mais conhecido e premiado, que acompanha a rotina de um caminhoneiro e de uma prostituta ao mesmo tempo em que apresenta uma crítica contundente ao modelo de desenvolvimento levado a cabo na região. O olhar atento a personagens capazes de revelar as complexas questões culturais e sociais de um período é uma das marcas do trabalho do diretor, que se tornou célebre com filmes como Terceiro milênio (1982) e A propósito de Tristes trópicos (1990). Com longas-metragens, vídeos, super-8 e fotografias, alguns deles inéditos, a exposição percorre quase 50 anos de carreira dedicados a ampliar o nosso conhecimento sobre os encantos e conflitos da Amazônia.

Por ocasião da abertura, acontecerá, no dia 18 de junho, às 15h, uma conversa entre Jorge Bodanzky, Thyago Nogueira e David Pennington, professor de cinema na UnB, que trabalhou com Bodanzky na Amazônia por mais de 20 anos. O evento é gratuito, com retirada de senhas na recepção do MIS. Serão exibidos, ainda, os filmes Iracema, uma transa amazônica (1974), Terceiro milênio (1982) e No meio do rio, entre as árvores (2010), dirigidos por Bodanzky. A exposição faz parte do evento Maio da Fotografia no MIS, que apresenta também uma mostra do fotógrafo inglês Martin Parr, além de outros artistas. A programação completa segue abaixo.

O acervo de cerca de 18 mil fotografias de Jorge Bodanzky estava depositado em comodato no Instituto Moreira Salles desde 2013. A partir de 2016, passa a integrar definitivamente a coleção do IMS e, a ele, se juntam mais seis mil fotografias e 43 filmes em super-8 feitos pelo diretor. Entre os destaques do acervo, estão as viagens de Bodanzky pelo Brasil e pela América Latina, durante os anos 1960 e 1970. Parte desse material foi publicada na primeira edição da revista ZUM.

Desde maio, Bodanzky também assina uma coluna bimestral de entrevistas em vídeo no site da revista ZUM. O tema da primeira coluna é o trabalho do fotógrafo alemão Michael Wesely. Veja mais em revistazum.com.br

Sobre o fotógrafo

Jorge Bodanzky (1942) nasceu em São Paulo, onde frequentou o curso de introdução ao documentário ministrado no Teatro de Arena. Durante o curso, assistiu a Aruanda (1960), filme do paraibano Linduarte Noronha que considera como o “marco zero de minha decisão de fazer cinema”. Em 1964, ingressou no curso de arquitetura da UnB, onde se iniciou na fotografia. Voltou a São Paulo com o golpe militar. Aqui, trabalhou na revistaManchete e noJornal da Tarde, antes de deixar o país para estudar cinema na Escola Superior da Forma de Ulm, na Alemanha, com o diretor Alexander Kluge. Regressou ao Brasil em 1967 para fotografar O profeta da fome, filmede Maurice Capovilla. Nos anos seguintes, trabalhou como fotógrafo das revistasIriseRealidade, como câmera para TVs estrangeiras e em filmes de Carlos Reichenbach, José Agripino de Paula, Antunes Filho e Maurice Capovilla. Estreou como diretor de cinema em 1974, com Iracema, uma transa amazônica, lançado em DVD pelo IMS no ano passado. A repercussão internacional do filme, proibido no Brasil até 1980, inclinaria a balança em direção à carreira de cineasta. Dirigiu também Caminhos de Valderez (1974), Gitirana (1975), Os Mucker (1979) e Pandemonium (2010), entre outros.

Jorge Bodanzky no MIS

Abertura da exposição

Data: 18 de junho (sábado)
Horário: 12h às 20h (entrada para as exposições até as 19h)
Ingresso: Entrada gratuita para todas as exposições

Bate-papo com Jorge Bodanzky, Thyago Nogueira e David Pennington (professor de cinema na UnB, trabalhou com Bodanzky na Amazônia por mais de 20 anos)

15h

Local: Auditório MIS (172 lugares)
Ingresso:Gratuito, retirada de senhas na recepção do MIS com uma hora de antecedência do início do evento.
Exibição de filmes de Jorge Bodanzk
Local: Auditório LabMIS (66 lugares)
Ingresso:Gratuito, retirada de senhas na recepção do MIS com uma hora de antecedência do início de cada filme.

14h

Iracema, uma transa amazônica (dir.: Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1974, 90 min., drama, Brasil/França/Alemanha Oriental, cor)

O filme mais conhecido de Jorge Bodanzky narra a história de um caminhoneiro e de uma prostituta ao longo da rodovia Transamazônica, ainda em construção. Filmado com som direto e atores não profissionais, Iracema foi precursor na combinação de documentário e ficção. O filme estreou na televisão alemã e participou da Semana da Crítica do Festival de Cannes, em 1976. Pelo conteúdo de denúncia, foi proibido no Brasil até 1980, quando foi projetado no Festival de Brasília e arrematou os prêmios de melhor filme, atriz, atriz coadjuvante e montagem.

Com: Paulo César Pereio (Tião Brasil Grande) e Edna de Cássia (Iracema) nos papéis principais.

16h

Terceiro milênio (dir.: Jorge Bodanzky, 1982, 90 min., Brasil, documentário)

O filme acompanha a campanha eleitoral do senador Evandro Carreira, candidato a governador do Amazonas. Sem roteiro pré-definido, a equipe segue o personagem loquaz em viagem pelo rio Solimões, partindo de Tabatinga, na fronteira tripartite do Peru com a Colômbia, em direção a Manaus. Depoimentos de caboclos, de madeireiros, do sertanista Paulo Lucena, de índios brasileiros e peruanos são colhidos desde a cidade de Benjamin Constant até o vilarejo de Cavalo Cocho.

19h

No meio do rio, entre as árvores (dir.: Jorge Bodanzky, 2010, 70 min., Brasil, documentário)

O documentário mostra as oficinas de vídeo, circo e fotografia ministradas às comunidades ribeirinhas no Alto Solimões, dentro de reservas ambientais. Com o conhecimento adquirido, os próprios alunos começam a registrar as suas vidas cotidianas, destacando tanto a beleza natural da região quanto as consequências negativas da exploração econômica dos recursos disponíveis.

SERVIÇO

Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo | (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br
Estacionamento conveniado: R$ 12 | Valet: R$ 18 [Conveniado]

Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado.

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 8 junho, 2016 10:47


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