Estreia em junho filme PAULINA, que aborda a “cultura do estupro”

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 2 junho, 2016 16:52

PAULINA, de Santiago Mitre, protagonizado por Dolores Fonzi (O Crítico e Truman), estreia no dia 16 de junho com distribuição da Esfera Filmes.

O filme foi o vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes e da Mostra Horizontes Latinos no Festival de San Sebastián em 2015 e foi exibido na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Depois de estudar e se formar em Direito na cidade de Buenos Aires, Paulina retorna a sua cidade, Posadas, na divisa entre Argentina e Paraguai. Apesar de ter uma carreira promissora pela frente, escolhe ir atrás de suas convicções. Mas ela não imaginava o preço que teria que pagar.

A história é um remake do longa argentino La Patota, dirigido por Daniel Tinayre em 1961 e acompanha Paulina, uma professora violentada por um grupo de rapazes. Segundo o diretor: “Não tinha assistido à versão original até que eles me disseram para trabalhar em sua adaptação. Vi o filme uma vez e decidi nunca mais assisti-lo: uma vez fora o suficiente. Havia algo no personagem de Paulina que me deu um estalo, me colocou em apuros. No início, tentei compreendê-la, e logo percebi que era impossível, que não tinha que entender Paulina, e que justamente aí estava o que me interessava nessa história. Paulina é movida por uma força de sobrevivência que beira o irracional e essa força é o que move o filme, que nos arrasta junto com ele. A versão original trabalhava com uma ideia do perdão através de parâmetros morais e religiosos. Para mim, a religião não interessa, mas percebi que poderia trabalhar com os temas do filme em outra perspectiva, e tentar construir uma fábula política, onde a convicção estivesse no centro. De alguma forma, o que a religião representava na versão original, foi suplantada por outro tipo de crença: a ideologia. Quão longe você pode levar uma convicção social? Qual é o limite da ideologia? Com estas perguntas, Paulina embarca em uma busca pessoal, e sozinha sofre pela dor que viveu. O que a faz se identificar com outras mulheres que sofreram violência semelhante, é a mesma e dolorosa pergunta: como você sobrevive a isso?”

A atriz Dolores Fonzi, que interpreta Paulina, tem sido elogiada por sua atuação pela crítica especializada. Para escrever a cena de violência o diretor conversou com diversas mulheres que trabalham dando assistência psicológica a mulheres vitimas de violência.

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“Há alguns anos fiz um filme chamado ‘O Estudante’, em que trabalhei com um personagem que não acreditava em nada, um pragmático, alguém que seguia a vida sem se perguntar o porquê das coisas. De alguma forma, PAULINA é o inverso do meu filme anterior. Paulina tem suas convicções, pensa sobre as causas, sabe o porquê de tudo o que faz, e essa convicção é o que desencadeia o drama. Nesse filme, como no anterior, há personagens que se transformam, que mudam completamente. E em ambos há uma vontade de enxergar mundos políticos a partir de uma perspectiva contemporânea. Um dos desafios que PAULINA coloca é como respeitar as decisões com as quais não concordamos. É fácil respeitar as decisões que você mesmo tomaria, mas torna-se (quase) impossível quando temos que compreender as coisas que consideramos erradas. Por que Paulina decide o que decide? O que procura? O que quer provar? É algo que nos perguntamos muito durante o filme, e continuamos a nos perguntar agora, e espero que o espectador se pergunte também.”, diz Santiago Mitre.

PAULINA levou o Grande Prêmio da Semana da Crítica em Cannes 2015. Santiago Mitre já esteve outras três vezes no mesmo Festival como roteirista: com “Leonera” (2008), “Abutres” (2010) e “Elefante Branco” (2012), todos feitos em parceria com Pablo Trapero.

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Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 2 junho, 2016 16:52


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