“O que Restou do Sagrado”, de Mário Bortolotto, reestreia no Castelinho do Flamengo

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 6 abril, 2016 12:05

Trabalho em conjunto do Grupo Fragmento e Tartufaria de Atores, “O que Restou do Sagrado”, reestreia dia 12 de abril no Castelinho do Flamengo com sessões gratuitas. Cumprindo temporada até o dia 12 de maio, a peça fica em cartaz às terças e quintas, às 20h30, com distribuição de senhas a partir das 20h.

Escrito por Mário Bortolloto, em 2004, o espetáculo é composto por 7 personagens que questionam o caráter de Deus e o poder divino do perdão.  Como na fábula de Jean-Paul Sartre, Entre Quatro Paredes,  pessoas que não se conhecem são confinadas em um espaço para se torturarem enquanto compartilham confissões terríveis. Só que em “O que restou do Sagrado”, isso se dá em rotação acelerada.

Para o crítico Renato Mello, “O que Restou do Sagrado”, é uma oportunidade de se assistir a um texto forte, com uma proposta original, resultando num espetáculo de enorme vitalidade em que é possível perceber-se a enorme paixão pelo “fazer teatral” de cada artista ou técnico envolvido nesse ótimo processo de criação artística. O elenco formado por Ana Carolina Dessandre, Carolina Godinho, Daniel Bouzas, Diogo de Andrade Medeiros, Fábio Guará, Elio de Oliveira, Lucas Tapioca e Monique Vaillé, realiza uma alternância permanente através de um jogo cênico de idas e vindas, em que cada personagem tem seu momento solista dentro da coletividade. A direção de atores de Nirley Lacerda faz um encaixe correto nessa troca em cena e na alternância constante nos diálogos, com atuações que encontram o acerto do tom para a dimensão das tragédias interiores de cada personagem.

Trata-se de salvar a humanidade através do arrependimento. Mas para isso é preciso antes crer na existência de Deus. Confinados numa igreja, todos têm até o clarear do dia para se arrepender e salvar o mundo lá fora da fúria de Deus. Para isso precisam confessar seus piores pecados e arrepender-se genuinamente.

Os personagens enfrentam seus próprios medos enquanto se acusam mutuamente. Partindo da frase de Santo Agostinho: “Deus permitiu o mal para dele extrair o bem”, Bortolotto trata da maldade do mundo e questiona a ausência de intervenção divina diante dos dramas que se desenrolam no decorrer da trama. A  relação entre Deus e o homem, a investigação da própria existência de Deus, a maldade e complexidade humana, são questões que jorram do texto com o ritmo e com  a urgência do punk- rock.

“O que Restou do Sagrado” estreou, como primeiro trabalho em parceria do Grupo Fragmento e Tartufaria de Atores, em 2014 na Casa Hoffmann, no Festival de Curitiba, onde obteve sucesso de público e crítica, sendo convidado a apresentar sessão extra; ainda em 2014, participou do  FETUBA (MG); em novembro de 2015 estreou no Rio de Janeiro, no Castelinho do Flamengo, com uma temporada de sucesso de público, tendo todas as suas sessões esgotadas.

SERVIÇO
“O que Restou do Sagrado”
Reestreia: 12 de Abril
Horário: Terça-feira e Quinta-feira – 20h30
Temporada: De 12 de Abril a 12 de Maio
Local: CASTELINHO FLAMENGO – Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho
Endereço: Praia do Flamengo 158 – Flamengo
Classificação: 16 anos
Entrada Gratuita (distribuição de senhas a partir de 20h)
Duração: 50 min
Gênero: drama

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 6 abril, 2016 12:05


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