No Dia da Mentira, estreia do animado ‘Asterix e o Domínio dos Deuses’ quase foi ‘cancelada’ no Brasil

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 4 abril, 2016 11:52

O Dia da Mentira, celebrado hoje, dia 1º de abril, surgiu na França (lá é chamado de “Poisson d’Avril”) e se espalhou por diversas nações. Dando continuidade à tradição francesa, a Embaixada da França em Brasília resolveu fazer uma ‘pegadinha’ e distribuiu um comunicado dizendo que o filme Asterix e o Domínio dos Deuses não seria mais lançado no Brasil. A brincadeira foi realizada por meio de newsletter que explicava que o filme havia sido proibido no Brasil, devido a uma liminar obtida em São Paulo pelas ‘Associações de Defesa dos Animais’, em função das ‘horríveis e insuportáveis’ cenas de violência psicológica infligidas por Obelix aos javalis. Segundo a Embaixada, o Quai d’Orsay (Itamaraty francês) ainda não reagiu, mas teme que essa proibição se torne um assunto de Estado devido ao Asterix ser um elemento essencial da identidade da França!

Asterix e o Domínio dos Deuses-Poster nacional

Claro que tudo não passou de uma brincadeira e a animação tem sua estreia nacional confirmada para 7 de abril! Na França, o longa levou mais de três milhões de espectadores ao cinema.

Nesta nova aventura, os personagens mais famosos das histórias em quadrinhos francesas – Asterix e Obelix – enfrentam o imponente Júlio César. O imperador romano decide mudar sua tática de guerra e instalar um novo condomínio de luxo ao redor da aldeia gaulesa e, enquanto Asterix e Obelix veem com desconfiança esse novo plano, os gauleses parecem cada vez mais aceitar a dominação romana. Com distribuição da Bonfilm, a produção chega aos cinemas em versões 2D e 3D, dublado e legendado.

O imperador romano Júlio César sempre quis derrotar os irredutíveis gauleses, mas jamais teve sucesso em seus planos de conquista. Até que, um dia, ele resolve mudar de estratégia. Ao invés de atacá-los, passa a oferecer os prazeres da civilização aos gauleses. Desta forma, Júlio César ordena a construção da Terra dos Deuses ao redor da vila gaulesa, de forma a impressioná-los e, assim, convencê-los a se unir ao império romano. Só que a dupla Asterix e Obelix não está nem um pouco disposta a cooperar com os planos de César.

Sobre os Diretores
Diretor e animador formado pela conceituada escola de imagem Gobelins, Louis Clichy escreveu e dirigiu o filme “A quoi ça sert l’amour”, sobre a música homônima de Edith Piaf. O sucesso da obra abriu as portas para Clichy como animador na Pixar onde é conhecido por seus trabalhos em “Corneil e Bernie”, “Wall-e” e “Up: Altas Aventuras”. Fez sua estreia no mundo da música dirigindo o videoclipe “Du monde tout autor” da banda francesa Louise Attaque.
Astier é ator, roteirista e diretor, e seu primeiro papel foi no cinema no filme “Comme t’y es belle!” ao lado de Michéle Laroque, e em seguida participa em 2007 do sucesso de público francês “Astérix nos Jogos Olímpicos”. Alexandre Astier tem sua carreira consagrada com a criação da série “Kaamelott”, na qual também interpreta o papel de Rei Arthur. Ao longo dos anos desenvolve projetos como produtor e compositor de trilha sonora mas também exerce a função de roteirista e diretor, quando lança seu primeiro longa em 2012, “David e Madame Hansen”.

A criação do fenômeno Asterix
É em 1959 que começa a aventura Asterix, com uma primeira aparição no número zero da revista “Pilote”. Albert Uderzo se lembra: “Encontramos François Clauteaux que queria criar um jornal para crianças francesas. Na época, fora os títulos belgas Tintim e Spirou, os jornais eram repletos de quadrinhos americanos. Nessa época de pós-guerra quando as influências eram muito fortes, ele queria que as crianças pudessem ler histórias nas quais a cultura francesa fosse predominante”.
Algumas semanas antes de 29 de outubro, os autores René Goscinny e Albert Uderzo estão sob pressão, pois precisam encarar um formidável desafio: criar uma série em quadrinhos original saída da cultura francesa. Eles já trabalharam no “Roman de Renart”, mas ficam sabendo que outro autor de quadrinhos já tinha explorado essa história. Eles só têm três semanas para criar um personagem. É preciso um anti-herói, não forte, não musculoso, não muito grande, não muito inteligente, mas que deverá ser esperto… Após muitas reflexões, eles reveem a História da França. E, de repente, o período dos gauleses e seus nomes com sons musicais e engraçados se impõe a eles. René Goscinny conta: “Esses gauleses que, curiosamente, estavam meio esquecidos na França, nos pareciam ser um tema cheio de possibilidades! Inspirando-nos no nome de Vercingétorix, lembranças das primeiras aulas de História da nossa infância, logo batizamos nossos personagens: Asterix, Obelix, Panoramix, e outros “ix”. Nossos romanos terão nomes em “us”, como por exemplo: Encorutilfaluquejelesus. Suas cidades, nomes terminando em “um”: Babaorum, Aquarium, Petibonum”
Assim nasceu Asterix. Ele devia ser solitário, pois não queriam um auxiliar. Mas Albert Uderzo é cabeçudo e desenha um grande gaulês, grande como ele gosta: será Obelix! Rapidamente, essa série em quadrinhos, “As Aventuras de Asterix o Gaulês”, toma um espaço incrível: a primeira história em quadrinhos é publicada em 1961 e vende a 6.000 exemplares, 10 anos depois, o 17º livro história em quadrinhos de “O Domínio dos Deuses” vende mais de um milhão de exemplares. Os quadrinhos, agora cult, fazem de Asterix o gaulês mais conhecido do mundo! Hoje, a série em quadrinhos tem 35 números, traduzidos em mais de 110 línguas e dialetos, 355 milhões de livros de histórias em quadrinhos foram vendidos pelo mundo. Isso representa 13.000 toneladas de quadrinhos, o equivalente em peso a 13 milhões de javalis – dá para satisfazer o apetite de Obelix!

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 4 abril, 2016 11:52


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