Gloria Pires liberta o inconsciente de seus pacientes em trailer de ‘Nise – O Coração da Loucura’

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 23 fevereiro, 2016 15:44

O eletrochoque, a agressividade e o tratamento desumano são substituídos pelos pincéis, telas e liberdade. A mudança faz surgir as imagens que povoam o inconsciente. É o que mostra Gloria Pires, no papel de Nise da Silveira, no trailer que acaba de ser liberado de Nise – O Coração da Loucura, com estreia em 21 de abril. Dirigido por Roberto Berliner, o longa retrata o início do trabalho da doutora com seus “clientes” através da arte e do afeto. “Eu não acredito na cura pela violência. Eu não sou capaz de fazer aquilo”, afirma ela após assistir a uma sessão de eletrochoque em um dos pacientes do Hospital Psiquiátrico Pedro II em momento decisivo de sua carreira.

O filme explora a revolução realizada por Nise que ecoou pelo resto do país, abolindo tratamentos violentos e destrutivos, como a lobotomia e o eletrochoque. Nise da Silveira foi pioneira no uso da terapia ocupacional através de um ateliê de pintura e um tratamento baseado no afeto e no convívio com animais domésticos, métodos revolucionários que são referência até hoje.

Nise – O Coração da Loucura – Trailer Oficial

Ao sair da prisão, a doutora Nise da Silveira volta aos trabalhos num hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro e se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos. Isolada pelos médicos, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma revolução regida por amor, arte e loucura.

O longa foi filmado durante dois meses no Instituto Nise da Silveira no Engenho de Dentro, local onde ficava o Hospital Psiquiátrico Pedro II. Lá foram revelados grandes nomes das artes plásticas, como Emydgio de Barros, Raphael Domingues, Lucio Noeman e Fernando Diniz. A descoberta do talento deles é apresentada no filme, que mostra o primeiro contato com a tinta, o pincel e o barro. A luta de Nise para ter seu trabalho reconhecido é retratada na produção, que também testemunha o surgimento do Museu da Imagem do Inconsciente. O local até hoje expõe os trabalhos de seus “clientes” e possui mais de 350 mil obras em seu acervo.

Nise da Silveira se formou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, onde era a única mulher em uma turma de 157 alunos. Envolvida com os círculos marxistas da época, ela acabou presa por quase dois anos durante a Era Vargas, dividindo a cela com Olga Benário. O seu retorno ao trabalho no Hospital Psiquiátrico Pedro II é o pontapé inicial de “Nise – O Coração da Loucura”.

Produzido pela TvZero, coproduzido pelo canal GNT e distribuído pela Imagem Filmes, “Nise – O Coração da Loucura” já recebeu diversos prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz pelo Júri Oficial do Festival de Tóquio 2015, e Melhor Filme pelo Júri Popular do Festival do Rio 2015.

Nise - O Coração da Loucura-23Fevereiro2016

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 23 fevereiro, 2016 15:44


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