Crítica do filme A 5ª Onda

Lucas Lima
Por Lucas Lima 20 Janeiro, 2016 08:17

Se existe um tema que nos últimos anos vem se tornando uma “febre” nos blockbusters exportados de Hollywood, excluindo claro às adaptações dos quadrinhos, é sem dúvida aqueles que abordam uma temática catastrófica aonde, normalmente, são protagonizados por adolescentes. Nos últimos dez anos, aproximadamente, fomos apresentados à diversos filmes com essa abordagem, alguns trazendo ideias interessantes e, em certo modo corajosos, cheios de mensagens sobre conflito de classes sociais, e outros completamente desnecessários.

Aproveitando essa sensação, vide que quase todos filmes neste formato são relativamente sucessos de bilheterias, chega aos cinemas brasileiros a ficção científica A 5ª ONDA, que tem como protagonista a estrela em ascensão Chloë Grace Moretz – que vem se firmando em cada novo projeto, se mostrando bastante versátil.

Ron Livingston, center left, and Chloë Grace Moretz, center right, and Zackary Arthur, below center, star in Columbia Pictures' "The 5th Wave."

Lançado em 2013, o livro escrito por Rick Yancey acompanha a jornada de Cassie (vivido por Chloe Moretz), uma adolescente, como muitas outras de sua idade, que foi obrigada a se adaptar completamente após a invasão do planeta Terra por extraterrestres. A trama em si deixa de lado o aspecto sci-fi para focar toda sua atenção no aspecto humano de sobrevivência. Apesar entendermos a opção da história, fica quase impossível não sentir a falta de explicações básicas para sustentação do foco inicial, o que resulta em uma rejeição quase que automática. Devemos entender que mesmo que o argumento inicial seja até certo ponto interessante, devido aos erros estruturais do roteiro, o pano de fundo da trama (busca por sobrevivência a todo custo) acaba ficando completamente de lado.

O grande problema do filme, que tem seu roteiro, adaptado por Susannah Grant, Akiva Goldsman e Jeff Pinkner, é ser desenvolvido em volta de inúmeros clichês, sendo muitos deles vistos em outras obras do mesmo gênero, desta forma, fazendo um grande copilado e não trazendo quase nada de original. Ao utilizar personagens jovens, vide que quase todos são adolescentes, não se torna um erro ou limitação ao roteiro, muito pelo contrário, existem muitos exemplos recentes de sucesso mundial, mas o que realmente incomoda é inserir crianças neste contexto. Isso soa em determinados momentos do filme como uma grande brincadeira, sem responsabilidade alguma de ser sério e em diversos momentos se torna extremamente infantil, ao utilizar cenas nada convincentes de guerra e morte, situações bobas para causar conflitos ou soluções, além de diversas pontas abertas existentes no roteiro.

Alex Roe; Chloe Grace Moretz

A trama, na teoria, em diversos momentos tenta passar sentimentos de emoção, tensão e ainda diversos trechos sentimentais, mas devido a forma como são introduzidos deixa ainda mais evidente as fragilidades e falta de coerência no roteiro. Em certos momentos podemos observar que o próprio elenco não demostra conforto em seus personagens, apesar do talento e muito esforço de Chloe Moretz, falta profundidade e talvez, uma química maior nas ações de Cassie, o que atrapalha visivelmente o desenvolvimento do todo. Outros elementos no roteiro são completamente mal construídos, como por exemplo, Evan que é vivido pelo ator Alex Roe. Esse personagem é de suma importância para virada final do filme, mas novamente a forma como foi construído e abordado, compromete todo o desenrolar das cenas. Ainda assim outros destaques, negativos, aparecem nos personagens secundários, como Colonel Vosch – o qual é vivido pelo experiente ator Liev Schreiber – que devido suas próprias ações e falas entrega completamente suas intenções, deixando dessa forma um sentimento de “estava na cara que seria isso…”.

Diante de um roteiro bastante irregular, se esperava que a direção anda-se em sentido contrário ao fraco roteiro, mas o que vemos em A 5ª Onda é um sentimento de submissão. Talvez a falta de experiência em projetos desse nível, tenham levado cineasta J Blakeson a realizar um direção quase que desastrosa, que unida a uma produção confusa e um roteiro mal escrito e cheio de clichês, não conseguem conduzir as cenas e nem as passagens de tempo corretamente, causando diversos desconfortos ao longo da exibição. Outro ponto que atrapalha bastante o interesse geral ao longo do filme, é sem dúvida à falta de comprometimento da própria produção, aonde fica nítido que a forma fracassada de ambientação de cenários (arte em geral), de ter uma fotografia harmônica com a proposta de cenas, e claro, a trilha sonora que é uma tragédia a parte, afundaram ainda mais quase todos as tentativas de seriedade das cenas.

Apesar de entrar na onda dos sucessos recentes voltados ao publico adolescente, o longa não consegue convencer e nem se firmar como uma produção à altura de seus concorrentes. Se você não é um adolescente que suspira ao ver romances dramáticos infantis travestidos de ficção, muito provavelmente, sairá da sala de cinema com uma sensação de arrependimento.

A 5ª OndaA 5ª Onda (The 5th Wave)
Direção: J Blakeson
Roteiro:
Susannah Grant, Akiva Goldsman e Jeff Pinkner
Gênero: Ação | Aventura | Sci-Fi
Distribuidora: Sony Pictures
Elenco: Chloë Grace Moretz, Nick Robinson, Liev Schreiber, Ron Livingston.
Estreia no Brasil em: 21 de Janeiro de 2016

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Avaliação (1/10)

Lucas Lima
Por Lucas Lima 20 Janeiro, 2016 08:17


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