Fundação Clóvis Salgado apresenta Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 28 outubro, 2015 11:04

As histórias de amor são atemporais e irrestritas a geografias. A nova montagem operística da Fundação Clóvis Salgado, LUCIA DI LAMMERMOOR, ópera em 3 atos de Gaetano Donizetti, tem essa característica. A história de amor, loucura e poder dos clãs Ashton e Ravenswood, tendo ao centro o amor impossível da jovem e apaixonada Lucia, possui traços únicos. Ambientada originalmente na Escócia do século XVII, a trama é atualizada e ganha contornos contemporâneos e atemporais. Essa obra, que completa 180 anos em 2015, integra a lista de óperas da FCS, cuja primeira montagem foi realizada há 30 anos.

LUCIA DI LAMMERMOOR, encenada pela primeira vez em 26 de setembro de 1835, inaugura um formato operístico diferenciado para sua época, apresentando inovações tanto na música quanto no libreto, de Salvadore Cammarano. O enredo é baseado no título The Bride of Lammermoor,de Walter Scott. Nas mãos de Donizetti a história ganha contornos dramáticos com o relacionamento entre membros das duas famílias inimigas, cujos filhos se apaixonam. A trama atinge seu ápice na célebre “ária da loucura”, um dos mais sublimes momentos da tradição operística do bel canto, que desperta sempre enorme expectativa entre os apreciadores do canto lírico. Donizetti também presenteia o público, nesta ópera, com um memorável sexteto, que ocupa lugar de relevância no repertório operístico mundial.

Na FCS, o frescor da montagem é mantido pela regência de Silvio Viegas, futuro maestro titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais que tem reconhecido destaque na condução de óperas; pela dinâmica direção cênica de André Heller-Lopes constantemente destacado por seu talendo em direção operística, além dos trabalhos de Renato Theobaldo na cenografia; Sofía Di Nunzio nos figurinos e de Gonzalo Córdova na iluminação.

A montagem ganha vida nas vozes do trio de solistas responsáveis por interpretar uma das mais belas e difíceis composições de Donizetti: a soprano Jaquelina Livieri (Argentina), que estreia nos palcos brasileiros no papel de Lucia; Eric Herrero (SP) vivendo o jovem Edgardo de Ravenswood; e o barítono Leonardo Neiva (DF) encarnando Enrico Ashton, Lord di Lammermoor. Completam o elenco de solistas o baixo, Mauro Chantal (MG), no papel de Raimondo; o tenor Santiago Ballerini (Argentina), como Arturo; a mezzosoprano Aline Lobão (MG), no papel de Alisa; e o tenor Mateus Pompeu (MG), vivendo Normanno. As participações da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e do Coral Lírico de Minas Gerais completam o elenco de mais uma grande produção operística da Fundação Clóvis Salgado.

PARA COROAR O BEL CANTO Responsável por compor melodias riquíssimas, que dialogam com a dramaticidade das histórias, Donizetti apresenta em LUCIA DI LAMMERMOOR uma das maiores expressões da sua originalidade e genialidade musical. Para o maestro Silvio Viegas, que participa pela segunda vez de uma montagem dessa ópera, Donizetti foi responsável pela última grande ópera do Bel Canto, comum às montagens operísticas da primeira fase do romantismo italiano. Segundo ele, o Bel Canto é caracterizado por melodias opulentas que exigem dos intérpretes grande virtuosismo e uma excelente linha de canto.

A suntuosidade da obra poderá ser conferida na íntegra, já que a escolha do maestro foi manter todas as cenas, inclusive a primeira do terceiro ato durante o embate entre Enrico e Edgardo. “É muito raro para o público ter a oportunidade de assistir a essa cena, que tem uma importância muito grande por se tratar do confronto entre os antagonistas da trama”, revela.

Para o regente, LUCIA é o resultado de um grande encontro entre o drama e uma primorosa melodia. “Podemos identificar duas características para que a obra possa ser considerada uma obra prima. A música é maravilhosa e a transposição do drama para o palco é muito bem sucedida. A música é capaz de representar perfeitamente o que foi proposto pelo drama”. Como exemplo, o maestro cita a cena da ‘loucura’, em que há um diálogo entre Lucia e a flauta, e o sexteto que encerra o segundo ato, em que cada voz expressa uma emoção diferente.

Para Silvio Viegas, a teatralidade de LUCIA DI LAMMERMOOR também é responsável pelo sucesso da obra. Em sua escrita, Donizetti consegue estabelecer uma dinâmica de contrastes. “Como grande compositor, ele conhecia muito bem o palco e, por isso, conseguiu criar o drama de forma muito eficiente”, conta.

Para o regente, LUCIA DI LAMMERMOOR exige músicos e cantores capazes de alcançar as diversas propostas e variações estabelecidas por Donizetti na partitura. “Nesta montagem, temos um elenco extremamente maduro e competente. É um trio de jovens solistas e já despontam como grandes nomes do canto lírico nacional e internacional”, completa. Para o maestro, um outro grande desafio dessa obra é equilibrar a escrita orquestral de Donizetti com as vozes dos solistas, sem cobri-las e valorizando-as.

SERVIÇO
Ópera Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti
Data: 10, 16, 18, 20 e 22 de novembro
Horário: Domingo, às 19h, e demais dias da semana, às 20h
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro/BH-MG
Duração: 2h40, com dois intervalos de 20 minutos (total 3h)
Classificação: 10 anos
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia entrada)

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 28 outubro, 2015 11:04


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