Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo completa 10 anos

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 15 outubro, 2015 17:10

A Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo faz em 2015, no período de 30 de outubro a 8 de novembro, sua décima edição com avanços no número de atividades e de locais de apresentações. Serão 12 espetáculos, de quatro companhias internacionais (Cuba, Chile, Equador e Argentina) e oito nacionais (Natal/RN, Ribeirão Preto/SP e São Paulo/SP), em 11 locais diferentes, em um total de 52 interações com o público, todas gratuitas. Haverá ainda intercâmbio entre as companhias nacionais e internacionais, a Plataforma Crepúsculo da Terra Guarani (coordenada por Francisco Carlos), a leitura cênica de Papa Highirte (dirigida por Marco Antônio Rodrigues) e o lançamento do projeto Placca (Plataforma de Cooperação Cultural e Artística) na capital paulista. A abertura da X Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo será no dia 30 de outubro de 2015, no CCSP – Centro Cultural São Paulo com a apresentação de Ledores no Breu, da Cia do Tijolo.

A Cooperativa Paulista de Teatro, com o apoio da Petrobras, Secretaria Municipal de Cultura e PROAC-Editais,  é responsável pelo evento que há uma década está inserido como um dos mais importantes no panorama de festivais do Brasil.

Para fazer um recorte do que existe de contemporâneo nas artes cênicas no continente, em especial dentro do modo de produção de teatro de grupo, a Mostra convidou representantes da Argentina, como Fidel-Fidel. Conflicto en La Prensa (El Bachin Teatro), do Chile, La Expulsión de Los Jesuitas (Tryo Teatro Banda), do Equador Instrucciones para Abrazar El Aire (Grupo de Teatro Malayerba) e deCuba La Virgen Triste (Compañia Galiano 108). Do Brasil há companhias de Natal/RN (Grupo Carmin com Jacy), Ribeirão Preto/SP (Grupo Engasga Gato com Página 469) e, de São Paulo, o Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa com A Cidade dos Rios Invisíveis; Motosserra Perfumada com Aquilo que me arrancaram foi a única coisa que me restou; OPOVOEMPÉ comArqueologia do Presente – A Batalha da Maria Antônia; Cia Nova de Teatro com Caminos Invisibles… La Partida, A Digna Companhia com Condomínio Nova Era e Cia do Tijolo com Ledores no Breu, que abre a mostra no Centro Cultural São Paulo.

Se no ano passado já havia a intenção de “capilarizar” a mostra pela cidade, em 2015 o desejo torna-se mais concreto com a inclusão de vários locais que saem do eixo central da cidade: além do CCSP – Centro Cultural São Paulo, do Espaço Sobrevento, da Praça Roosevelt e da SP Escola de Teatro, haverá sessões em trens da CPTM, em quatro CEUS (Perus, Inácio Monteiro, Azul da Cor do Mar e Casablanca), no Instituto Pombas Urbanas e no CCJ – Centro Cultural da Juventude.

O Artivismo como eixo temático

Um eixo temático percorre o veio central dessa edição comemorativa da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo: o Artivismo Latino – Resistências Poéticas. Na conceituação dos antropólogos da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Raposo e John Dawsey, o termo que mescla arte e política “[diz respeito a] … intervenções sociais e políticas, produzidas por pessoas ou coletivos, através de estratégias poéticas e performativas. A natureza estética e simbólica do artivismo propõe-se amplificar, sensibilizar, refletir e  interrogar temas e situações num dado contexto histórico e social, visando a mudança ou a resistência. Artivismo consolida-se assim como causa e reivindicação social e simultaneamente como ruptura artística – nomeadamente, pela proposição de cenários, paisagens e ecologias alternativas de fruição, de participação e de criação artística.”

Com a intenção de colocar foco em tais questões, a Cooperativa Paulista de Teatro buscou nesse conceito uma forma de propiciar um campo de reflexão e experiência sobre os atuais desdobramentos estéticos e éticos na relação entre arte e contexto social.

Os espetáculos internacionais

  • Fidel-Fidel. Conflicto en La Prensa (El Bachin Teatro), da Argentina, é uma obra que investiga o conflito dos meios de comunicação, o poder que constituem, e suas formas de influenciar, operar e construir subjetividades formando opiniões de acordo com seus próprios interesses. Na véspera do novo ano de 1959, jornalistas de um periódico de Buenos Aires tentam fazer uma revolução social. Eles querem divulgar uma nota que diz “jornalistas se negam a mentir”, pois estão entusiasmado com a notícia que vem de Cuba sobre a revolução e Fidel, e dessa forma querem mudar o curso da história.
  • La Expulsión de Los Jesuitas (Tryo Teatro Banda), do Chile, dirigido por Andres del Bosque, é um espetáculo bufão com cinco atores/músicos no palco para contar a história da Companhia de Jesus no Chile, desde a sua chegada em 1593, durante a Guerra de Arauco, até à sua expulsão em 1767, cujas causas ainda são um mistério.
  • O grupo de Teatro Malayerba, do Equador, traz Instrucciones para Abrazar El Aire, um espetáculo que se move entre o exílio interno e memórias compartilhadas. Arístides Vargas e Charo Francés, que estão no comando da companhia há mais de 30 anos, têm focado em histórias tocadas pela violência política, memória e esquecimento. Este trabalho transita por registros – lírico, bem humorado, cotidiano e ritual – que tece uma história que abrange as fronteiras da América Latina: o roubo e desaparecimento de uma criança durante os anos da Guerra Suja na Argentina.
  • De Cuba, La Virgen Triste (Compañia Galiano 108) aborda a paixão e morte de Juana Borrero, poetisa que estremeceu o meio cultural cubano no final do século XIX, antes de morrer, aos 18 anos de idade. A montagem reuniu trechos de cartas, poemas e pinturas de Juanna, que ecoam no corpo e voz da atriz Vivian Acosta para mostrar as paixões e amores da personagem Juana, contidos na sua obra.

Os espetáculos nacionais

A programação de espetáculos nacionais, ainda dentro do tema artivismo, contemplou peças de São Paulo, Natal e Ribeirão Preto. Os representantes paulistas são:

  • A Cia do Tijolo apresenta Ledores no Breu, que abre a mostra no Centro Cultural São Paulo no dia 30 de outubro. O espetáculo reflete sobre as consequências do analfabetismo e, principalmente, do analfabetismo funcional. A partir de textos de Paulo Feire, Lêdo Ivo, Zé da Luz, Patativa do Assaré, Luiz Fernando Veríssimo, canções de Cartola, Jackson do Pandeiro e Chico César, figuras se cruzam, histórias se embaraçam e tecem as trajetórias dessas vítimas do crime de não saber ler;
  • O Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa em A Cidade dos Rios Invisíveis faz uma montagem inusitada e convida o público a percorrer todos juntos – atores, público e passageiros comuns – o trecho entre as estações Brás e Jardim Romano da Linha 12 Safira em um trem da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Inspirado no livro “Cidades Invisíveis”, do escritor italiano Ítalo Calvino, o espetáculo foi desenvolvido com os moradores do Jardim Romano e construído a partir de relatos e depoimentos sobre as enchentes que assolam o bairro há décadas;
  • O coletivo Motosserra Perfumada apresenta a trajetória de Matheus em Aquilo que me arrancaram foi a única coisa que me restou, um jovem despedaçado que corre batendo de porta em porta para reaver pedaços do seu corpo com amigos, familiares, amores, casos. Em cena, no palco, quilos de carne penduradas, tijolos, vasos, pás de metal e uma motosserra acompanham uma banda de rock, em uma performance que pretende refletir a questão do gênero masculino nos tempos atuais;
  • OPOVOEMPÉ apresenta nessa edição da Mostra o Arqueologia do Presente – A Batalha da Maria Antônia, um trabalho que transita entre a performance, a instalação e o Teatro Documentário com a possibilidade de interação do público com jornais, teses, imagens, áudios originais e jogos de tabuleiro para que possa refletir sobre a ditadura militar, o AI-5, os eventos ocorridos em 1968 e o atual momento histórico brasileiro, o aparato repressivo, o desmonte da educação, o papel da mídia e a polarização da sociedade;
  • A Cia. Nova de Teatro apresenta uma visão contemporânea e emergente sobre os processos  migratórios em Caminos Invisibles… La Partida. O espetáculo mescla música tradicional andina, canto, textos em quéchua e aymará, teatro documental e vídeos. O encontro dessas raízes, ancestralidades e identidades se confronta com o cotidiano da metrópole, pois, apesar do Brasil ser um “celeiro de mistura de etnias e culturas”, costuma-se valorizar a presença de imigrantes de origem europeia e americana em detrimento ´as presença dos irmãos vizinhos da América Latina;
  • A Digna Companhia traz Condomínio Nova Era, um espetáculo cuja dramaturgia é inspirada em uma pensão real de São Paulo (residência do autor Victor Nóvoa por vários meses) e que aborda, por meio das histórias dos moradores, temas como moradia, habitação, especulação imobiliária, ação militar e  manifestações populares;
  • O Grupo Carmin, de Natal/RN encena Jacy, texto dos filósofos Pablo Capistrano e Iracema Macedo. O espetáculo tem como mote o abandono dos idosos e a política de crescimento desenfreado das cidades. O estopim para a pesquisa surgiu a partir de uma frasqueira encontrada em uma lixeira. Dentro da maleta, muitas fotos denunciavam que sua dona, provavelmente mulher, beirando seus 90 anos, havia atravessado os períodos da 2ª Guerra Mundial, a ditadura brasileira, envolveu-se em um conflito político no estado, viveu um amor estrangeiro, e terminou seus dias sozinha em Natal;
  • O Grupo Engasga Gato, de Ribeirão Preto/SP, traz às ruas da cidade seu espetáculo Página 469, fruto do intercâmbio do diretor André Carreira com a companhia riopretense. Com o objetivo de ressignificação do espaço urbano, a partir das premissas do Teatro de Invasão e da Cidade como Dramaturgia, a companhia encena  a história da Liga Pública do Bem, que tem como missão encontrar e  readequar  Getúlio, um funcionário público dissidente.

Atividades paralelas

1 – Intercâmbios de processos de trabalho entre grupos visitantes e locais

Espaço de encontro entre artistas, pensadores, estudantes e público em geral para reflexão, a partir das proposições feitas pela equipe curatorial, sobre temas que podem abarcar o atual momento do teatro latino-americano, suas estratégias de criação, seus modos de produção, a relação com a cidade, escolhas estéticas. Serão três encontros com grupos nacionais e internacionais, e uma mesa sobre política cultural.

2 – Crepúsculo da Terra Guarani

Coordenada pelo dramaturgo e diretor Francisco Carlos, traz ao público um experimento com três dias de duração, na forma de Conferências Desconstruídas, com atores e atrizes, seguidas de debate, e jam sessions envolvendo linguagens da dança, teatro, performance, happening, audiovisual, fotografia, canto-dança-gestualidade-Guarani, que resultará em uma ação cênica apresentada no último dia da Mostra na Sala Jardel Filho, no CCSP.

O evento terá como mote os temas relacionados ao universo Guarani (história, geografia, território e especialidade Guarani, ontologia, mitos de criação e destruição da terra – Terra Má e Terra em Males – e a travessia do mar em direção a Leste), palavra sagrada, ativismo e lutas Guarani (demarcação de terras), fumaça do cachimbo (bruma mortal), xamanismo e casas de reza.

3 – Leitura cênica de Papa Highirte

Com direção de Marco Antônio Rodrigues, a X Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo realiza a leitura cênica da polêmico texto teatral de Oduvaldo Vianna Filho, escrito em 1968. Papa Highirte é um ditador típico do Terceiro Mundo banido de seu país, Alhambra, depois de governá-lo por seis anos. Deposto por um golpe militar, fica exilado por três anos, enquanto planeja seu retorno ao poder, mas acaba morto por um revolucionário. Esse texto recebeu o 1º prêmio no Concurso do Serviço Nacional de Teatro, mas logo depois foi censurado e não pôde ser encenado nem publicado até a revogação do AI-5, em 1979, quando foi apresentada no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, sob a direção de Nelson Xavier. Essa peça também foi traduzida e adaptada para o francês por Jacques Thieriot e levada ao ar pela France Culture.

4 – Lançamento da Placca em São Paulo

A PLACCA – Plataforma de Cooperação Cultural e Artística – criado pela representação da Cooperativa Paulista de Teatro na cidade de Campinas, é um projeto voltado aos associados da CPT que tem por objetivo o compartilhamento de vários itens do universo artístico e cultural. De figurinos a aulas de tai-chi-chuan, de máquina de fumaça a hospedagem, tudo pode ser trocado. Os modos de partilha são definidos pelos próprios interessados, mas se dá, normalmente, por doação, empréstimo, troca e locação a preço de custo.

O projeto, lançado recentemente em Campinas, pretende, com essa ação na capital, ampliar as possibilidades de trocas entre cooperados. Mais informações sobre os procedimentos adotados para as trocas encontram-se no site da Cooperativa, no endereço http://www.cooperativadeteatro.com.br/.

Histórico da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo

A Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo é um projeto realizado pela Cooperativa Paulista de Teatro que se iniciou em 1997, com a 1ª Mostra Brasileira de Teatro de Grupo, teve andamento em 1998 com a 2ª Mostra Brasileira de Teatro de Grupo e ganhou nova dimensão com as edições que se seguiram, já no âmbito da América Latina.

Desde sua criação a Mostra decide um tema para agregar os espetáculos dos grupos com vistas a um debate que oriente cada edição. Em 2006 foi definido como eixo o papel das Redes na produção teatral latino-americana, em 2007 a diferença entre Tradição e Atualidade, em 2008 a Estética e a Política, em 2010 as dimensões Públicas e Privadas na cena latino-americana, em 2011 Teatro e História, em 2012 o Teatro e a Mulher, em 2013 a relação do Teatro com temas sociais, e em 2014, Teatro e Identidade Cultural.

O propósito é a reunião, na cidade de São Paulo, de coletivos teatrais do Brasil e de países de línguas latinas, para uma real troca de experiências estéticas e de modos de produção, além de proporcionar de maneira acessível ao público da grande São Paulo um significativo recorte da produção teatral contemporânea. Nas nove primeiras edições apresentaram-se na cidade, além de 49 companhias brasileiras, 42 grupos dos países da América Latina, cinco europeias, uma estadunidense e uma africana.

Programação da X Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo

Ledores no Breu
Cia do Tijolo (São Paulo/SP)
30 de outubro às 21h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
06 de novembro às 20h – Local: Instituto Pombas Urbanas
08 de novembro às 20h – Local: SP Escola de Teatro
Duração: 65 min Recomendação: Livre
Sinopse: Inspirado no texto “Confissão de Caboclo” do poeta Zé da Luz e no pensamento e prática do educador Paulo Freire, o espetáculo trata das relações entre homem sem leitura e sem escrita com o mundo ao seu redor.
Ficha Técnica – Atuação: Dinho Lima Flor/ Direção: Rodrigo Mercadante/Assistente de direção: Thiago França/ Luz: Milton Morales e Cia do Tijolo/ Trabalho de corpo e direção de ator: Joana Levi/ Pesquisa dramatúrgica: Dinho Lima Flor/ Concepção de cenário de figurino: Dinho Lima Flor e Karen Menatti/ Música composta: Jonathan Silva/ Contra regra: Cida Lima/ Produção: Cris Rasec

A Cidade dos Rios Invisíveis
Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa (São Paulo/SP)
31 de outubro às 15h – Local: CPTM
01 de novembro às 15h – Local: CPTM
02 de novembro às 15h – Local: CPTM
Obs: Por causa da lotação limitada e do uso de aparelhos de áudio pelos espectadores, esse espetáculo requer reserva antecipada pelo e-mail acidadedosriosinvisiveis@gmail.com (máximo de 2 reservas por pessoa). Os aparelhos serão emprestados mediante documento com foto.
Duração: 210 min Recomendação: Livre
Sinopse: Através do percurso Brás – Jardim Romano, pela linha 12 – Safira da CPTM, o público percorrerá as estações e encontrará bairros que se transformam em cidades fantásticas. Partindo do universo de Ítalo Calvino em “As cidades invisíveis”, os espectadores, munidos de aparelhos sonoros, serão guiados pelo som a imaginar universos possíveis, paisagens desconhecidas e uma vida urgente e pulsante. Ao chegar no Jardim Romano, o palco passa a ser os locais nos quais a enchente foi vivenciada pelo bairro, bem como, as casas, ruas, becos que buscam retratar o modo de vida daquele lugar. A travessia encerra-se no rio, matriz primeira do devaneio poético.
Ficha Técnica: Ideia original, roteiro e direção: João Júnior/ Dramaturgia: Estopô Balaio/ Atores: Ana Carolina Marinho, Juão Nin, Johnny Salaberg e Renato Caetano/ Atores-moradores: Adrielle Rezende, Bruno Cavalcante, Bruno Fuziwara, Keli Andrade e Paulo Oliveira/ Participação: Emerson Alcade/ Trilha Sonora: Marko Concá/ Sonoplastia: Carol Guimaris e Doutor Aeiuton/ Poesias: Debora Fiúza “Rata”, Emerson Alcade e Jacira Flores/ Canções: Diane Oliveira, Dustin Mc e Matheus Farias, Juão Nin, Marko Concá/ Figurino: João Júnior/ Artes Visuais: Paula Mendes, Renato Caetano e Clayton Lima/ Dança de Rua: Kel Look, Popper Diniz, Jeans, Bia Ferreira, Big Baby e Mell Reis/ Produção: Wemerson Nunes, Clayton Lima e Ana Maria Marinho/ Comunicação: Ramilla Souza 

Jacy
Grupo Carmin (Natal/ RN)
31 de outubro às 21h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
01 de novembro às 20h – Local: SP Escola de Teatro
03 de novembro às 20h – Local: Instituto Pombas Urbanas
Duração: 55 min Recomendação: 12 anos
Sinopse:  O espetáculo revela o processo de uma investigação artística a partir de uma frasqueira, encontrada no lixo, contendo vestígios de vida de uma senhora de 90 anos. A peça de teatro documental convida a plateia para acompanhar a trajetória de uma mulher comum, que atravessou a Segunda Guerra Mundial e a ditadura no Brasil, esteve no centro de um importante conflito da política no Rio Grande do Norte, viveu um amor estrangeiro e terminou seus dias sozinha em Natal. De caráter tragicômico, revela fatos sobre o abandono dos idosos, a política e o crescimento desenfreado das cidades.
Ficha Técnica – Textos: Paulo Capistrano e Iracema Macedo/ Dramaturgia: Henrique Fontes e Pablo Capistrano/ Direção: Henrique Fontes/ Assistente de direção: Lenilton Teixeira/ Consultoria: Marcio Abreu/ Atores: Quitéria Kelly e Henrique Fontes/ Videomaker: Pedro Fiúza/ Designer de Luz: Ronaldo Costa/ Direção artística e cenografia: Mathieu Duvignaud/ Trilha sonora original: Luiz Gadelha e Simona Talma/ Coordenação de produção: Quitéria Kelly/ Assistente de produção e desenhista: Daniel Torres/ Designer gráfico: Vitor Bezerra/ fotógrafo: Vlademir Alexandre

Arqueologia do Presente – A Batalha da Maria Antônia
OPOVOEMPÉ (São Paulo/ SP)
31 de outubro às 21h – Local: Anexo (CCSP)
01 de novembro às 20h – Local: Anexo (CCSP)
03 de novembro às 21h – Local: Anexo (CCSP)
Duração: 120 min Recomendação: 12 anos
Sinopse: É um espetáculo teatral que busca, no entrecruzamento das linguagens, a força poética e propulsora do encontro de corpos dentro de um espaço cênico específico caracterizado pela operação da poesia sobre a realidade.
Ficha Técnica: Concepção, direção e dramaturgia: Cristiane Zuan Esteves/ Atores criadores: Manuela Afonso, Ieltxu Martinez, Mariana Senne/ Atriz convidada: Andrea Tedesco/ Iluminação: Grissel Piguillem/ Direção de arte: Vânia Medeiros/ Direção de produção: Manuela Afonso e Anayan Moretto/ Núcleo artístico opovoempé: Ana Luiza Leão, Cristiane Zuan Esteves, Manuela Afonso, Paula Possani. 

Fidel-Fidel. Conflicto en La Prensa
El Bachin Teatro (Argentina)
01 de novembro às 17h – Local: CEU Inácio Monteiro (Zona Leste)
03 de novembro às 20h – Local: Azul da Cor do Mar (Zona Leste)
04 de novembro às 19h30 – Local: CEU Perus (Zona Oeste)
05 de novembro às 21h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
06 de novembro às 20h – Local: CEU Casa Blanca (Zona Sul)
Duração: 60 min Recomendação: 12 anos
Sinopse: Fidel-Fidel. Conflicto en La Prensa é um espetáculo que se insere nos conflitos dos meios de comunicação, do poder que constituem e suas formas de incidir, operar e construir subjetividade, formando opinião de acordo com seus próprios interesses. Um espetáculo onde a figura de Fidel e a Revolução Cubana como brincadeira jogam de forma poética, convertendo-se em inspiração, possibilidade e exemplo de liberação para gerações passadas, presentes e futuras.
Ficha Técnica – Texto, encenação e direção geral: Manuel Santos Iñurrieta/ Atores e Atrizes : Iñurrieta Manuel Santos , Carolina Guevara , Jerome Garcia Julieta Grinspan , Marcos Peruyero e Federico Ramón/ Música original : Juliet Grinspan e Paul Grinspan/ Arranjos e interpretação: Paul Grinspan/ Costumes: Agustina Filipini / Perucas: Alejandra Maria Alonzo/ Cenografia : Marcos Peruyero – o Bachin teatro / Iluminação: o teatro Bachin/ Áudios e vídeos : Jerónimo García/ Assistência técnica: Marina Garcia e Diego Maroevic/ Fotografia : Nicholas F. Branco / Imprensa: Deborah Lachter

Instrucciones para Abrazar El Aire
Grupo de Teatro Malayerba (Equador)
01 de novembro às 20h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
03 de novembro às 20h – Local: CEU Casa Blanca (Zona Sul)
04 de novembro às 20h – Local: CEU Inácio Monteiro (Zona Leste)
05 de novembro às 20h – Local: CEU Azul da Cor do Mar (Zona Leste)
06 de novembro às 19h30 – Local: CEU Perus (Zona Oeste)
Duração: 80 min Recomendação: 12 anos
Sinopse: A peça, baseada em fatos reais, reconstitui certos fatos acontecidos numa casa da cidade de La Plata, Argentina, em 1976, porém não se trata de uma reconstituição ao pé da letra, em vez disso vemos a peça sem suas referências históricas; um documento de ficção que chama o autor a este trabalho.
Ficha Técnica – Autor: Arístides Vargas/ Direção: Arístides Vargas, Maria Del Rosário Francés e Gerson Guerra/ Elenco: Maria Del Rosario Francés e Arístides Vargas/ Iluminação: Gerson Guerra

La Virgen Triste
Compañia Galiano 108 (Cuba)
02 de novembro às 17h – Local: CEU Casa Blanca (Zona Sul)
03 de novembro às 20h – Local: CEU Inácio Monteiro (Zona Leste)
04 de novembro às 20h – Local: CEU Azul da Cor do Mar (Zona Leste)
05 de novembro às 19h30 – Local: CEU Perus (Zona Oeste)
07 de novembro às 21h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
Duração: 65 min Recomendação: 14 anos
Sinopse: A Virgem Triste não é um texto biográfico sobre Juana Borrero, senão uma peça inspirada em sua poesia. Juana Borrero foi uma poetiza e pintora cubana de fins do século XIX. Morreu poucos meses antes de completar 18 anos, foi uma menina prodígio e por direito, uma das figuras mais fascinantes do Modernismo Americano.
Ficha Técnica – Autora: Elizabeth Mena/ Direção e encenação: José A. González/ Elenco: Vivian Acosta/ Figurino: Raúl Martin/ Iluminação: Carlos Repilado/ Música: Juan A. Leyva/ Diretor Técnico: Pedro Balmaseda

Condomínio Nova Era
A Digna Companhia (São Paulo/ SP)
02 de novembro às 20h30 – Local: Espaço Sobrevento
03 de novembro às 20h30 – Local: Espaço Sobrevento
04 de novembro às 20h30 – Local: Espaço Sobrevento
Duração: 110 min Recomendação: 12 anos
Sinopse: O texto, inspirado em uma pensão real de São Paulo, aborda, por meio das histórias dos moradores, temas da atualidade como moradia, habitação, especulação imobiliária, ação militar e manifestações populares.
Ficha Técnica – Dramaturgia: Victor Nóvoa/ Direção: Rogério Tarifa/ Elenco: Adilson Azevedo, Eduardo Mossri, Flavio Barollo, Helena Cardoso, Jonathan Silva, Liz Mantovani, Karen Menatti, Rogério Tarifa, Victor Nóvoa e Zimbher/ Direção musical: Jonathan Silva e Zimbher/ Composição da trilha original: Jonathan Silva, Zimbher e Flavio Barollo (música: Homem Falido)/ Cenografia: Ana Rita Bueno e Rogério Tarifa/ Instalação audiovisual: Flavio Barollo/ Figurinos: Ana Rita Bueno/ Criação de luz: Marisa Bentivegna/ Workshop de preparação de atores: Ana Cristina Colla/ Operação Som e Luz: Igor Sane/ Atores nos vídeos: (Quarto Jucilene) Bruno Maldegan e Priscila Ortelã/ Design gráfico: Vertente Design/ Fotos Alécio

Página 469
Grupo Engasga Gato (Ribeirão Preto/ SP)
03 de novembro às 18h – Local: Praça Roosevelt
04 de novembro às 19h – Local: Instituto Pombas Urbanas
06 de novembro às 15h – Local: CCJ
Duração: 50 min Recomendação: Livre
Sinopse: Uma ambulância rompe o espaço público. De dentro dela, saem três integrantes cegos da “Liga Pública do Bem”, que tem a missão de encontrar e readequar funcionários municipais dissidentes. Guiados por uma denúncia anônima, os três enfrentam o caos do centro urbano em busca de Getúlio, um funcionário que abandonou seu posto de trabalho há alguns anos, fugindo do frio do ar condicionado e da opressão de sua pequena salinha.  A peça envolve os espectadores num jogo de esperanças e tristezas, neste encontro entre figuras que refletem as invisibilidades que atravessam diariamente o espaço da cidade.
Ficha Técnica – Criação e concepção: Grupo Engasga Gato e André Carreira/ Direção: André Carreira/ Dramaturgia: André Felipe/ Elenco: Douglas Pires, Fausto Ribeiro, Fernanda Soto, Gabriel Galhardo, Monalisa Machado e Poliana Savegnago/ Ator convidados: Álvaro Cherubini/ Cenografia: Grupo Engasga Gato e André Carreira/ Figurinos: Zezé Cherubini/ Coordenação Geral: Grupo Engasga Gato/ Produção Executiva: Grupo Engasga Gato/ Assistente de Produção: Grupo Engasga Gato/ Registro Fotográfico: Rogener Pavinski/ Assessoria de Imprensa e Clipagem: Priscila Prado/ Realização: Grupo Teatral Engasga Gato

Caminos Invisibles… La Partida
Cia. Nova de Teatro (São Paulo/ SP)
03 de novembro às 20h – Local: Centro Cultural da Juventude
04 de novembro às 16h e às 20h – Local: Centro Cultural da Juventude
Duração: 70 mim Recomendação: 14 anos
Sinopse: O espetáculo, composto por atores brasileiros e bolivianos, narra a trajetória de imigrantes sul-americanos, com destaque para os povos andinos, que deixam seus países em busca de melhores condições de vida e chegam à grande metrópole paulistana. Este cenário se funde com as situações de ilegalidades na luta pela sobrevivência. O mercado da moda, que mobiliza a problemática social, ironicamente, satiriza o mercado de massa, enquanto é abastecido pela mão de obra escrava do imigrante.
Ficha Técnica – Direção e dramaturgia: Carina Casuscelli/ Direção artística e iluminação: Lenerson Polonini/ Atores performers: Carina Casuscelli, Cléo Moraes, Rosa Freitas, Roselaine Araújo, Giuliano Pallos e Juan Cusicanki/ Núcleo Andino: Richard Rivera, Freddy Wara, Verônica Yjura Quispe, Oscar Condori, Remy Quispe, Sonia Maribel, Janete Aline, Brayan Jorge, Victor Barrientos, Cesar Chui e Kelly Dav/ Participação especial: Conjunto Autoctono “Jach’a Sicuris de Italaque”/ Figurinos: Carina Casuscelli/ Vídeos e documentação audiovisual: Cristian Cancino e Giuliano Conti/ Direção musical: Wilson Sukorski/ Concepção espacial e produção: Carina Casuscelli e Lenerson Polonini 

La Expulsión de Los Jesuitas
Tryo Teatro Banda (Chile)
03 de novembro às 19h30 – Local: CEU Perus (Zona Oeste)
04 de novembro às 21h – Local: Sala Jardel Filho (CCSP)
05 de novembro às 20h – Local: CEU Casa Blanca (Zona Sul)
06 de novembro às 16h – Local: CEU Azul da Cor do Mar (Zona Leste)
08 de novembro às 17h – Local: CEU Inácio Monteiro (Zona Leste)
Duração: 75 min Recomendação: 13 anos
Sinopse: Delineada na ideia bufonesca, musical, misteriosa e delirante, a peça nos mostra os religiosos da Companhia de Jesus chegando ao Chile e empregando um esforço sobre humano para deterem a Guerra de Arauco. No entanto será o próprio Rei da Espanha que acabará expulsando de seus reinos (1767) aqueles que talvez tenham sido seus ardentes defensores durante as guerras da independência.
Ficha Técnica – Dramaturgia: Francisco Sánchez e Neda Brikic/ Direção: Andrés Del Bosque/ Assistente de direção: José Araya/ Música: Tryo Teatro Banda/ elenco: Daniela ropert. Alfredo Becerra. Eduardo Irrazábal, José Araya e Francisco Sánchez/ Sonoplastia: Julio Gennari/ Iluminação: Tomás Urra/ Produção: Carolina González

Aquilo que me arrancaram foi a única coisa que me restou
Motosserra Perfumada (São Paulo/ SP)
06 de novembro às 21h – Local: Anexo (CCSP)
Duração: 90 min Recomendação: 16 anos
Sinopse: O espetáculo persegue a trajetória de Matheus, um homem que corre atrás de tudo aquilo que perdeu em sua vida. Por trás de toda a correria de Matheus está a questão do gênero masculino, refletida no seu objetivo principal, que é o de reconquistar os seus olhos para conseguir chorar. Os testemunhos performáticos que interrompem a peça, entre uma cena e outra, nesse sentido, colocam em questão a construção deste gênero, o modo como os homens são educados na cultura machista a exibir sua dureza e como a eles é, brutalmente, negado o direito à fragilidade.
Ficha Técnica:  Criação: A Motosserra Perfumada/ Dramaturgia e direção: Biagio Pecorelli/ Com: Alex Bartelli, Biagio Pecorelli, Camilla Rios, Felipe Vasconcellos, Bruno Caetano, Jonnata Doll e Paula Micchi/ Banda ao vivo: Jonnata Doll, Feiticeiro Julião, Edson Van Gogh e Augusto Coaracy/ Direção de arte e figurinos: Hugo Cabral/ Desenho de luz: Marcelo Lazzaratto/ Trilha composta: Jonnata Doll e Biagio Pecorelli/ Ilustração: Mozart Fernandes/ Adaptação e operação de luz: Marcela Katzin/ Técnico de som: Bruno de Castro/ Fotos de cena: Marcos Lobo/ Vídeo de divulgação: Saulo Tomé/ Direção de produção: Alex Bartelli/ Produção executiva: Leandro Brasilio e Marie Auip (Sofá Amarelo Produção e Arte)/ Produção geral: AzAyAh P&C/ Agradecimentos: Governo do Estado de SP – Cultura, Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Cultura, SP Escola de Teatro, Sulla Andreatto, Leandro Resende, Ivam Cabral, Beth Nespoli, Paulo Cesar Pereio, Renato Borghi, Suely Rolnick, Marcia Tiburi, Laerte Coutinho e Dimmy Kieer.

ATIVIDADES PARALELAS DA MOSTRA

Mesas de Intercâmbios

Cia Malayerba (Equador), Grupo Carmin (RN/Brasil) e Cia do Tijolo (SP/Brasil)
Dia 31 de outubro às 14h Local: Anexo (CCSP)

Tryo Teatro Banda (Chile) e Motosserra Perfumada (SP/Brasil)
Dia 06 de novembro às 14h Local: Sala Jardel Filho (CCSP)

A Digna Companhia (SP/Brasil), Compañia Galiano 108 (Cuba) e El Bachin (Argentina)
Dia 08 de novembro às 14h
Local: Sala Jardel Filho (CCSP)

Mesa Redonda: Teatro Cidade

Com Rudifran Pompeu (Cooperativa Paulista de Teatro), Bel Garcia (Secretaria Municipal de Cultura) e Valmir Santos (Crítico de teatro/ TeatroJornal)
Dia: 04 de novembro às 16h – Local: Anexo (CCSP)

Leitura Cênica Papa Highirte

31 de outubro às 19h – Local: Instituto Cultural Pombas Urbanas
06 de novembro às 21h – Local: Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
07 de novembro às 21h – Local: SP Escola de Teatro 

Crepúsculo da Terra Guarani

Dias 6 e 7 de novembro de 2015 – Sala 2 – CCSP – das 14h às 20h
Dia 8 de novembro de 2015 – Sala Jardel Filho – CCSP – às 20 h

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 15 outubro, 2015 17:10


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