Novo filme de Kiko Goifman inspira exposição no CineSesc

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 20 agosto, 2015 13:36

No dia 27 de agosto será aberta a exposição “Máquinas do Olhar” que ocupará o saguão do CineSesc. A abertura da exposição coincide com o lançamento do longa “Periscópio”, dirigido por Kiko Goifman e protagonizado por Jean Claude Bernardet e João Miguel.

A exposição “Máquinas do Olhar” parte do longa metragem “Periscópio” para apresentar um pouco do universo que revela o interesse que temos em dispositivos para conceber e fabricar imagens, que nos permitem ver além dos limites do olho e da mente.

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Óculos, monóculos, binóculos, lupas, mirantes, periscópios, até mesmo sonhos permitem as pessoas enxergarem coisas que escapam aos limites fisiológicos da visão. Mas por que fazer uma exposição a partir de um filme? Por que levar obras de arte a espaços menos amigáveis à sua fruição o que o espaço neutro dos museus e galerias?

Com obras de artistas e museografia que lidam com diferentes modos de ver, “Máquinas de Olhar” propõe formas de circulação que embaralham as fronteiras nítidas entre os circuitos do cinema e das artes, da mesma forma que o jogo de reflexos e o trânsito obras e museografia entre o olhar para a parede e o olhar para objetos perturba a percepção do que é espaço expositivo, rua e mundo mediado diante de um público convidado o tempo todo a circular e interagir de forma lúdica com as obras e espaços.

Obras como “Spin”, de Raquel Kogan, e “Capacete Gambiológico”, do coletivo Gambiologia permite que o público reconstrua o espaço, seja ao olhar através de um periscópio que reflete e gira as áreas do espaço expositivo para onde estiver apontado, seja ao vestir um capacete que amplia tudo o que estiver diante do olhar.

Dispositivos criados para multiplicar pontos de vista do espaço, exibir textos e vídeos — fragmentos de “A Casa Tomada”, de Cortázar, um texto inédito de Hilton Lacerda sobre o universo das máquinas do olhar, vídeos curtos que circulam como meme no VIMEO (“High Five Camera”, “A Camera Drama”) e obras de vídeoarte de Éder Santos, Raimo Benedetti, Gabriel Menotti, Vic Von Poser e outros — sugerem um olhar através de aparelhos que tiram o corpo do espaço expositivo ao ligar através do olhar aos mundos imaginários apresentados pelas obras.

Este diálogo entre obras físicas que permitem ver o mundo de outra forma, e obras imateriais vistas através de dispositivos que deslocam o olhar para além do espaço físico imediato, se completa pelo diálogo entre obras que dialogam como universo do filme “Periscópio” e outras motivadas diretamente pelo longa — um disco conceito de DJ Dolores, fotos de cenas do filme, os desenhos originais que Laerte fez para o cartaz — num espaço de instabilidades e hibridizações motivados pelo tópico das máquinas de olhar e as reconfigurações do espaço propostas pela exposição.

Sobre o diretor-artista Kiko Goifman:

O percurso de Kiko Goifman e as próprias características de seu cinema são a chave para entender esta relação entre obras e filmes aqui proposta. Com suas produções surgidas no contexto dos debates sobre os caminhos da videoarte, as aproximações entre documentário e videoclipe, e outras discussões marcantes de um momento em que arte e comunicação se cruzavam de forma mais intensa que hoje (algo visível até mesmo no formato histórico de ensino, vide faculdades como a Escola de Comunicações e Artes, da USP), Goifman sempre explorou o trânsito por formatos, criando vídeos, CD-ROMs, sites e instalações, num repertório temático e plástico que informa os procedimentos e a visualidade de seus filmes.

A estabilidade de circuitos e formatos nunca lhe interessou, como fica claro na trilogia que projetou sua obra, composta do vídeo experimental “Tereza”, que ajudou a mudar a maneira de pensar documentários, do CD-ROM “Valetes em Slow Motion”, incluído no acervo do Centre Georges-Pompidou em meio à produção que começou as experiências com imagens numéricas e forjou o conceito de entre-imagens (difundido mais amplamente por Raymond Bellour) e “Jacks 2.0”, exibido na Bienal de São Paulo. Três experiências em torno de uma pesquisa sobre a passagem do tempo na prisão, sempre buscando formas de unir forma e conteúdo de maneiras capazes de transmitir conceitos através da montagem entre imagens, textos, sons, redes.

Este cruzamento de circuitos e linguagens atinge um primeiro ápice com “33”. Convergindo para um documentário dispositivo, em que o diretor passa 33 dias a procura de sua mãe biológica, “33” explora da publicação online aos processos de lançamento do filme como parte de uma lógica que posteriormente ficou conhecida pela palavra transmídia: formatos de narrativa que não se restringem a um único suporte, nem se deixam recortar pelos limites das quatro linhas que encerram a tela de cinema no final da sala escura.

O projeto parte de um diário publicado num site jornalístico, pauta uma matéria no programa de TV Fantástico, resulta em um site que reconfigura os procedimento de “Valetes em Slow Motion” diante das possibilidades da Internet, coloca o diretor em cena num exercício de esgarçamento dos limites entre ficção e documentário, reconfigura os enquadramentos e iluminações do cinema noir, e escapa da sala de exibição com quiosques multimídia que ampliam a experiência do filme.

“Periscópio”, desloca para o âmbito mais explícito da ficção, este elenco de temas e procedimentos. As passagens de Kiko Goifman não se restringem ao âmbito dos formatos e circuitos. O artista-diretor opera no intervalo entre documentário e ficção, como quem sabe que impor limites não é a melhor maneira de lidar com a complexidade do mundo — no que ele conversa com o Godard que provoca: “O documentário é uma ficção sobre a vida dos outros”. E em sintonia com um mundo de redes sociais e selfies em que as pessoas tornam-se cada vez mais

protagonistas dos discursos que colocam em circulação.

Sobre o filme:

“Periscópio” é um longa-metragem de ficção dirigido por Kiko Goifman, produzido por Jurandir Muller (PaleoTV). O filme teve a première nacional no Festival de Cinema do Rio e a estreia mundial no importante Festival de Rotterdam. No elenco, o premiadíssimo ator João Miguel e o crítico, diretor e também ator, Jean-Claude Bernardet. O filme será distribuído pela Vitrine Filmes e entra em circuito comercial em 27 de agosto.

Dois homens em um apartamento. Conflitos, brigas e ironia. Tudo parece ter chegado ao fim, o tempo está congelado e a iminência da morte marca o cotidiano. Subitamente, um objeto de ferro e luz rasga o assoalho da sala da casa. A rotina se quebra, as mudanças são radicais.    

Filmado integralmente em um apartamento na cidade de São Paulo, PERISCÓPIO compreende dois momentos claramente marcados: No início, o insustentável ambiente entre os dois homens (Eric, com quase oitenta anos e Élvio, com a metade). Provocações mútuas e conflito. No filme não interessam as histórias prévias dos personagens. Um proposital embaralhamento  é criado sugerindo num primeiro momento que são vizinhos, depois pai e filho e, posteriormente, que o mais novo é um enfermeiro e cuidador do mais velho.

A monotonia, o ciclo repetitivo dos dias se quebra de forma abrupta. Um periscópio vindo do apartamento do andar abaixo rasga o chão da sala. Num primeiro momento o susto. Depois, a fruição. Alguém no mundo se interessa por suas vidas miseráveis. Eles começam a encenar, cantar e dançar para o Periscópio. Até que novidades surgem…

PATROCÍNIOS E APOIOS

“Periscópio” contou com o Patrocínio da Sabesp, do Programa de Fomento ao Cinema Paulista, com o apoio de finalização do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural/2012, do Fundo Setorial do Audiovisual/BRDE e da produtora Canal I (Canal Independente). 

Dois homens em um apartamento. Brigas, conflitos, ironia. Eric, 76 anos e Élvio, 43, não se suportam. O mais jovem é um misto de assistente, secretário e enfermeiro do mais velho. Em um cenário no qual o mundo lá fora parece não existir, sobram provocações. O tempo está imobilizado, suspenso e o tédio media a relação entre eles. Não existe uma gota de esperança e eles parecem estar apenas à espera da morte. Até que, subitamente, surge um estranho objeto do apartamento de baixo. Tudo se modifica.
SERVIÇO

Abertura da exposição “Máquinas do Olhar”
Dia: Dia 27 de Agosto
Horário: 19h
Local: CineSesc (Rua Augusta, 2075)

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 20 agosto, 2015 13:36


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