Pedro Luís lança Aposto, seu novo projeto solo, em CD e DVD

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 2 junho, 2015 13:06

A partir de um show baseado em canções gravadas por vozes femininas, surgiu “Aposto”, primeiro DVD solo de Pedro Luís em 25 anos de estrada. Gravado em clima intimista no ateliê do artista plástico carioca Sérgio Marimba, responsável pela direção de arte do DVD, o projeto reúne canções conhecidas nas vozes de outros intérpretes, além de canções inéditas e convidados especiais. Realização do Canal Brasil, MP,B Discos e Astronauta Tupy, “Aposto” chega às lojas nos formatos DVD e CD, pela dobradinha MP,B Discos/Som Livre. Confira as faixas do CD no link: http://jukebox.somlivre.com/playlist-492227231.

O desafio do compositor de associar sua imagem e voz a canções que chegaram aos ouvidos e olhos do público através de outras versões, é diretamente proporcional ao prazer de ver quão longe elas chegaram. Para sair do formato convencional dos DVDs ao vivo, Pedro Luís cercou-se de colaboradores que compraram o barulho de criar um projeto diferente e instigante. Bianca Ramoneda e Jorge Bispo assinam a direção de “Aposto” e junto com Pedro a concepção do projeto.  “Eu tenho bons amigos, isso é muito importante quando a gente decide fazer um projeto dessa magnitude. A Bianca é minha parceira, a quem eu sempre recorro na elaboração dos meus projetos, mesmo que ela não esteja diretamente envolvida. Temos uma parceria artística incrível”, pontua Pedro Luís. “O Jorge Bispo é um cara que eu admiro há alguns anos e nossa parceria começa por uma sessão de fotos de divulgação do Monobloco. Depois, ele assinou a capa do meu CD solo, “Tempo de Menino”, e o clipe de “Menina do Salão de Beleza”. Temos muitas afinidades, somos dois tijucanos com referências parecidas, gostos musicais em comum”, conclui.  Juntos, em diferentes posições, Bianca e Bispo ajudaram Pedro a traçar o rumo, executar o projeto e escalar a equipe afinada de “Aposto”.

O show é simples, sintético, mas vigoroso. Pedro Luís (voz, cavaco e violões) e Paulino Dias (percussão) vão construindo juntos uma sonoridade que começa minimalista e íntima e termina com a dupla ganhando força de banda. “Quis fugir de formatos coletivos com os quais estou envolvido há tantos anos e tão intensamente. Também foi um desafio, já que estou acostumado a dividir o palco com tantas pessoas. Eu me pus à prova de ter que dar conta do violão, do cavaquinho, da harmonia de tudo, o que me obrigou a estudar de novo, ter uma concentração mais apurada sobre uma prática que eu não exercitei nesses últimos 10 anos”, define Pedro. A sonoridade minimalista ganha novos contornos quando “Aposto” se apresenta por inteiro: trata-se de uma radiografia do acontecimento, na qual Pedro Luís é também narrador. Tudo está exposto aos olhos do espectador, não só o que comumente se escolhe mostrar, mas também a preparação de um evento como esse. “É um DVD de processo artístico explícito”, brinca o autor que, mais uma vez, buscou driblar o óbvio na concepção estética do registro. “A pós-produção faz parecer normal o que na verdade não é – a gente preferiu entregar essa anormalidade e todos os desconfortos e peculiaridades que existem na gravação de uma obra ao vivo”, conta. A princípio, a captação seria sem plateia, mas os fãs mais ardorosos reclamaram e acabaram convidados a integrar o espaço cenográfico. “Para o artista é bom não se ver tão sozinho, sem resposta – a presença de público garante cumplicidade e interação”, arremata.

Às canções iniciais do repertório, juntaram-se sucessos conhecidos nas versões do Cidade Negra (Girassol), O Rappa (Miséria S.A), além de inéditas como “Aposto” (Pedro Luís e Lucky Luciano), que dá nome ao DVD, e “De Nós”, que canta em dueto com Zélia Duncan. Já Nina Becker divide os vocais em “Parte Coração”, uma das primeiras composições de Pedro Luís. Nos extras do DVD, gravados no estúdio Toca do Bandido, mais novidades: “Samba de Cabôco” (Roque Ferreira e Pedro Luís) cantada por Pedro, Martinho da Vila e Mart’nália; “Indivídua”, interpretada pelos autores João Cavalcanti e Pedro Luís, com intervenção performática de Cabelo; e o forró “Véu de Filó”, com participação de Bruna Caram e Duda Brack.

Da safra de novidades, “Aposto” conta um pouco a história do que o projeto acabou virando e da surpresa de Pedro Luís ao constatar que as pessoas reconheciam várias de suas canções, sem saber que eram dele. “Eu descrevo esse acontecimento para o Lucky Luciano, um grande parceiro, pernambucano da família Queiroga, que só tem gente da melhor qualidade e de um talento impar”. “De nós” é uma canção pela qual Pedro tem muito apreço: “Quando eu quis incluí-la no trabalho pensei em chamar a Zélia, uma grande amiga que eu admiro muito. A gente já tem uma parceria, mas não tínhamos registrado nada juntos. Achei a música a cara dela, que se apropria muito bem da canção e a faz crescer incrivelmente. Ela acaba cantando como se fosse autora. A inédita “Samba de Cabôco” estava guardada e traduz bem o universo que cerca a parceria de Pedro com Roque Ferreira.  “Ele me manda ideias e eu devolvo, a gente fica nesse ping-pong. Na hora de escolher quem iria defender essa canção comigo no DVD, me veio a ideia de chamar essa queridíssima família que eu tanto admito, que é Mart´nália e Martinho. Eles têm muita autoridade para falar do assunto samba e colocá-lo em seu devido lugar”, resume o compositor carioca, que recebeu João Cavalcanti para registrar a primeira parceria dos dois, “Indivídua”. “Essa canção tem a peculiaridade de criar substantivos femininos que não existem. A gente usou de neologismos para falar de um sujeito atormentado por “uma indivídua”. Além de João, Cabelo, parceiro de longa data e artista plástico dos mais criativos, interfere com um texto criado especialmente para a canção, sobre uma base produzida por Marcelinho da Lua e Bruno LT.

Os extras registram ainda a quase desconhecida “Véu de filó”, gravada por uma extinta banda de forró dos anos 90, Farol de Luar. “Cheguei a mostrar para algumas cantoras, mas como nenhuma delas gravou, resolvi convocar as minhas intérpretes particulares, Bruna Caram e Duda Brack, que são cantoras incríveis, artistas incríveis, compositoras interessantes, e têm o frescor que eu queria trazer para a canção”, elogia. Juntos, os três formaram um trio não convencional: “Fizemos um forró camerístico que deu delicadeza à música. Ao mesmo tempo, tem aquela brincadeira, a malícia do forró, eu e duas mulheres cantando… e as duas fizeram bonito!”

A equipe numerosa contou com craques como Andrea Capella na direção de fotografia e dois cineastas entre os fotógrafos: Ricardo Gomes e Pedro Cézar. Na finalização das imagens, Marcia Medeiros assina a edição e Lupércio Bogéa a finalização de cor. Duda Mello e Fabiano França foram os responsáveis pela captação do áudio (Fabiano também pela edição da voz de Pedro), mixado por Renato Alscher, parceiro em vários projetos de Pedro com a PLAP, Monobloco, na publicidade e no cinema.  A produção executiva é de Heloisa Marinho.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 2 junho, 2015 13:06


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