Cinemateca Brasileira inicia nesta quinta (30) “Retrospectiva Cinema Novo”

A Cinemateca Brasileira, em parceria com a Unifesp, apresenta uma grande retrospectiva e exposição dedicada a um dos movimentos centrais da cultura brasileira – o Cinema Novo.

O Brasil vivia um fértil momento de transformações na década de 1950 – uma intensa migração de pessoas do campo para as cidades e uma sociedade de perfil agrário que passava a industrial, o impacto social e cultural da construção de Brasília e a arquitetura de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, a publicação de Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa e Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, a estreia teatral de Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes com música de Tom Jobim, o lançamento do disco Chega de saudade, de João Gilberto. Um grupo de cineastas ainda muito jovens, influenciados por filmes como Rio 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos e O grande momento, de Roberto Santos, pela nouvelle vague, e atentos à movimentação cultural que acontecia, começa a dar forma ao Cinema Novo. É um dos passos mais efetivos de nossa cinematografia em direção ao cinema moderno, tanto na linguagem dos filmes, como no uso de equipamentos mais modernos.

Ao longo da década de 1960 e dos anos seguintes, diretores como Glauber Rocha, Paulo César Saraceni, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Gustavo Dahl, David Neves, entre outros, realizam obras-primas do cinema brasileiro moderno. Ao romper com outros modelos de produção e lançando um olhar crítico sobre a realidade brasileira, os filmes expõem a violência, a injustiça e a pobreza, vivenciadas no sertão e nos subúrbios e favelas das grandes cidades. A programação acompanha os filmes iniciais do movimento, como o coletivo Cinco vezes favela, a consagração de Os fuzis, de Ruy Guerra e Deus e o Diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, passando pelos filmes sobre a classe média urbana sob o regime militar em O desafio, de Paulo César Saraceni, Terra em transe, de Glauber Rocha, O bravo guerreiro, de Gustavo Dahl e Vida provisória, de Maurício Gomes Leite, as obras alegóricas do final da década de 1960 Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr., Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade e Os herdeiros, de Carlos Diegues, até os filmes mais íntimos do início da década de 1970, como A casa assassinada, de Paulo César Saraceni e S. Bernardo, de Leon Hirszman.

Os Cafajestes

Brasil verdade: Subterrâneos do futebol

Bahia de todos os santos

A mostra exibe 53 filmes, diversos deles raramente exibidos, e apresenta alguns dos primeiros passos de cineastas ligados ao movimento: Pátio, primeiro curta de Glauber Rocha, uma obra experimental interpretada por Helena Ignez; O poeta do castelo e O mestre dos Apipucos, dois curtas de Joaquim Pedro de Andrade acerca do trabalho de Manoel Bandeira e Gilberto Freyre, respectivamente; Arraial do Cabo, obra inaugural de Paulo César Saraceni, dirigido em parceria com o fotógrafo Mário Carneiro; os marcos do cinema baiano Bahia de todos os santos, de Trigueirinho Neto, A grande feira e Tocaia no asfalto, de Roberto Pires.

Ao longo dos anos, muitos destes filmes diversas vezes têm sido mais estudados e discutidos do que vistos, muitas vezes pela raridade das exibições das cópias desta programação, a maior parte delas em película. Serão exibidas novas cópias em 35mm de Esse mundo é meu, de Sérgio Ricardo e O bravo guerreiro, de Gustavo Dhal, produzidas especialmente para esta mostra. Cópias restauradas anteriormente pela Cinemateca, e ainda inéditas em São Paulo, de filmes como Câncer, de Glauber Rocha, S. Bernardo, de Leon Hirszman, Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr., Os cafajestes, de Ruy Guerra e O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade.

Também presentes na mostra filmes raros como Gimba, presidente dos valentes, de Flávio Rangel, Ganga Zumba, A grande cidade e Os herdeiros, de Carlos Diegues, O grito da terra, de Olney São Paulo, Garota de Ipanema, de Leon Hirszman e Memória de Helena, de David Neves.; além de preciosidades pertencentes a acervos parceiros, como A vida provisória, de Maurício Gomes Leite, Os deuses e os mortos, de Ruy Guerra e A casa assassinada, de Paulo César Saraceni.

Para ampliar a experiência da mostra, o Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca apresenta ao público um conjunto de materiais raros de seu acervo referentes à produção dos filmes, à sua divulgação e repercussão, e a outros aspectos do movimento cinemanovista.

Os roteiros, desenhos de filmagem e cartazes originais evidenciam os percursos criativos das obras, enquanto os materiais de imprensa e os livros atestam a repercussão mundial do Cinema Novo. Um conjunto de cartas, textos e anotações registra os diálogos, os projetos, as tensões, a colaboração e o afeto entre os cineastas.

A seleção de fotografias mostra cenas marcantes dos filmes, protagonizadas por grandes atores, entre eles, Antônio Pitanga, Helena Ignez, Anecy Rocha, Norma Bengell, Maurício do Valle, Glauce Rocha, Paulo José e Hugo Carvana. Essas imagens revelam ainda o trabalho dos fotógrafos que experimentam novos usos da luz no cinema, como Mario Carneiro, Fernando Duarte e Affonso Beato.

É com orgulho que a Cinemateca Brasileira apresenta esta exposição e retrospectiva sobre um movimento cultural fundamental em nossa história.

Confira a programação completa (clique aqui!)

QUINTA 30/04
SALA BNDES
18h00 A GRANDE FEIRA
20h00 PÁTIO | BARRAVENTO
SALA PETROBRAS
18h30 BAHIA DE TODOS OS SANTOS
20h30 CINCO VEZES FAVELA

SEXTA 01/05
SALA BNDES
16h00 O POETA DO CASTELO | O MESTRE DOS APIPUCOS | ARUANDA | ARRAIAL DO CABO
18h00 TOCAIA NO ASFALTO
20h00 OS CAFAJESTES
SALA PETROBRAS
17h00 PORTO DAS CAIXAS
19h00 GIMBA, PRESIDENTE DOS VALENTES

SÁBADO 02/05
SALA BNDES

​ 16h00 ​

GARRINCHA, ALEGRIA DO POVO
18h00 A FALECIDA
20h00 DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL
SALA PETROBRAS
17h00 GANGA ZUMBA
19h00 O GRITO DA TERRA

DOMINGO 03/05

SALA BNDES
17h00 OS FUZIS
19h00 O DESAFIO

SALA PETROBRAS
18h00 MEMÓRIA DO CANGAÇO | NOSSA ESCOLA DE SAMBA | VIRAMUNDO | SUBTERRÂNEOS DO FUTEBOL

QUINTA 07/05

SALA BNDES
18h00 O CIRCO | INTEGRAÇÃO RACIAL | MAIORIA ABSOLUTA
20h00
O PADRE E A MOÇA
SALA PETROBRAS
18h30 PORTO DAS CAIXAS

SEXTA 08/05

SALA BNDES
18h00 A ENTREVISTA | OPINIÃO PÚBLICA
20h00 COPACABANA ME ENGANA

SALA PETROBRAS
19h00 TOCAIA NO ASFALTO

SÁBADO 09/05

SALA BNDES
16h00 A GRANDE CIDADE
18h00 BRASÍLIA, CONTRADIÇÕES DE UMA CIDADE NOVA | A VIDA PROVISÓRIA
20h30 ESSE MUNDO É MEU

SALA PETROBRAS
19h00 BAHIA DE TODOS OS SANTOS

DOMINGO 10/05

SALA BNDES
17h00 MARANHÃO 66 | TERRA EM TRANSE
19h00 GAROTA DE IPANEMA

SALA PETROBRAS
18h00 CINCO VEZES FAVELA

QUINTA 14/05

SALA PETROBRAS
19h00 PÁTIO | BARRAVENTO
21h00 A FALECIDA

SEXTA 15/05

SALA PETROBRAS
18h00 GIMBA, PRESIDENTE DOS VALENTES
20h00 MEMÓRIA DO CANGAÇO | NOSSA ESCOLA DE SAMBA | VIRAMUNDO | SUBTERRÂNEOS DO FUTEBOL

SÁBADO 16/05

SALA PETROBRAS
17h00 OS FUZIS
19h00 O BRAVO GUERREIRO

DOMINGO 17/05

SALA PETROBRAS
16h00 GANGA ZUMBA
18h00 COPACABANA ME ENGANA
20h00 ESSE MUNDO É MEU

SINOPSES E FICHAS TÉCNICAS

Os cafajestes, de Ruy Guerra
Rio de Janeiro, 1962, 35mm, pb, 93’
Jece Valadão, Norma Bengell, Daniel Filho, Lucy Carvalho

Com a ajuda de um amigo malandro, playboy carioca tenta chantegear um tio rico tirando fotos comprometedoras do velho com a amante. Os Cafajestes foi lançado com escândalo em 1962. Sua trajetória comercial incluiu censura, cortes e manifestações indignadas da Igreja. O filme exibiu o primeiro nu frontal do cinema brasileiro num longo plano-seqüência, repleto de crueza.

Classificação indicativa: 16 anos

Os Fuzis, de Ruy Guerra
Rio de Janeiro, 1963, 35mm, pb, 80’
Átila Iório, Nelson Xavier, Hugo Carvana, Paulo César Peréio

Grupo de soldados é enviado a uma cidadezinha do interior da Bahia para impedir que habitantes esfomeados saqueiem os armazéns locais. Filme representativo do clima de euforia política que antecede o golpe militar de 1964, Os Fuzis é uma das obra-primas do cinema brasileiro. Recebeu o Urso de Prata (Prêmio especial do júri) no Festival de Berlim de 1964.

Classificação indicativa: 14 anos

Memória do cangaço, de Paulo Gil Soares
Rio de Janeiro, 1964, 35mm, pb, 26´

Documentário sobre o Cangaço, movimento armado de bandoleiros que atuou no nordeste brasileiro na década de 1930, incluindo depoimentos de sobreviventes da luta (policiais e cangaceiros), análise do antropólogo Estácio de Lima e imagens originais de 1936, filmadas por Benjamim Abrahão, mascate que se infiltrou nas fileiras de Lampião.

Classificação indicativa: 14 anos

Viramundo, de Geraldo Sarno
São Paulo, 1965, 35mm, pb, 40’

Sarno registra a chegada de nordestinos em São Paulo, a procura de emprego, e seu retorno ao nordeste após constatar a precariedade das condições de vida e trabalho oferecidas pela grande metrópole.

Classificação indicativa: 14 anos

Nossa escola de samba, de Manuel Horácio Gimenez

Rio de Janeiro, 1965, 35mm, pb, 29’

Ao acompanhar a organização do desfile da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, o filme vai nos revelando o cotidiano da vida no morro: homens e mulheres que diariamente descem ao asfalto para trabalhar, adolescentes que esgotam as possibilidades de estudos por falta de escolas, as muitas crianças aprendendo a fazer samba, de olhos vidrados nos passistas e cantores que orgulhosos empunham seus instrumentos na grande festa do carnaval carioca.

Classificação indicativa: 14 anos

Subterrâneos do futebol, de Maurice Capovilla
São Paulo, 1965, 16mm, pb,30’

Documentário sobre a paixão brasileira pelo futebol, o sonho de ascensão econômica dos jovens pobres que tentam ingressam na carreira de jogador e a válvula de escape das tensões sociais da maioria da população torcedora. Depoimentos dos jogadores Pelé, Vavá e Zózimo e do treinador Vicente Feola.

Classificação indicativa: 14 anos

Tocaia no asfalto, de Roberto Pires
Salvador, 1962, 35mm, pb, 100´
com Geraldo Del Rey, David Singer, Othon Bastos, Antônio Pitanga

Rufino, matador de aluguel, é mandado para a Bahia, onde deve assassinar o Coronel Pinto Borges. O mandante do crime é o Coronel Domingos. Na Bahia, Borges dá uma festa para lançar sua candidatura ao governo do Estado. Sua filha descobre várias coisas sobre o pai.

Classificação indicativa: 14 anos

Gimba, o presidente dos valentes, de Flávio Rangel
Rio de Janeiro, 1963, 35mm, pb, 85’
com Pedro Paulo Rangel, Jorge Coutinho, Milton Moraes, Cyro Monteiro

Um jovem favelado do morro carioca, querendo abandonar o mundo do crime, sucumbe à tenaz perseguição de cerco policial. Único filme de Flávio Rangel, com participação especial de Ruth de Souza e Paulo Emílio Salles Gomes. Baseado em peça de Gianfrancesco Guarnieri.

Classificação indicativa: 14 anos

Cinco vezes favela, de Marcos Farias, Miguel Borges, Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman
Rio de Janeiro, 1962, 35mm, pb, 99’
Flávio Migliaccio, Waldyr Onofre, Francisco de Assis, Oduvaldo Viana Filho

Os episódios são cinco histórias sobre as possibilidades do desenvolvimento da consciência política na favela do Brasil dos anos 60. O filme é uma produção do CPC – Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, inspirada pelo curta de Joaquim Pedro de Andrade que compõem o longa com os filmes dirigidos por Leon Hirszman, Miguel Borges, Carlos Diegues, e Marcos Farias.

Classificação indicativa: 14 anos

Ganga Zumba, de Carlos Diegues
São Paulo, 1963-1964, 35mm, pb, 120’
Antonio Luís Sampaio, Eliezer Gomes, Luiza Maranhão, Jorge Coutinho

Escravos de um engenho do Nordeste tramam uma fuga para o Quilombo dos Palmares, comunidade formada por negros que recusam a exploração dos senhores do açúcar. Entre eles, está o jovem Ganga Zumba, futuro líder da república revolucionária. Baseado no livro de João Felício dos Santos, Ganga Zumba foi exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 1964. Primeiro longa-metragem de Carlos Diegues.

classificação indicativa: 14 anos

A falecida, de Leon Hirszman
Rio de Janeiro, 1965, 35mm, BP, 85′ | exibição em HDCAM

com Fernanda Montenegro, Ivan Cândido, Nelson Xavier, Paulo Gracindo, Joel Barcelos

Após uma visita à cartomante, Zulmira é informada que uma loira pode ameaçar sua paz. Ao conversar com seu marido Toninho , ela desconfia que a prima Glorinha pode ser a tal loira. Mal de saúde, Zulmira faz todos os preparativos para o dia de sua morte e pede ao marido desempregado que trate dos custos do caixão e com o funeral mais luxuoso do Rio de Janeiro. Primeiro longa-metragem de Leon Hirszman, uma das melhores adaptações da obra de Nelson Rodrigues para o cinema.

classificação indicativa: 14 anos

O Mestre dos Apipucos, de Joaquim Pedro de Andrade
Brasil, 1959, 16mm, BP, 9′ | Exibição em HDCAM

O filme documenta a vida diária e o método de trabalho do escritor e sociólogo Gilberto Freire, em sua casa em Apipucos: seus prazeres gastronômicos, a beleza da moradia, o exercício da intelectualidade e o prazer sem divisões específicas.

classificação indicativa: 12 anos

O poeta dos Castelos, de Joaquim Pedro de Andrade
Brasil, 1959, 16mm, BP, 10’| Exibição em HDCAM

Versos de Manuel Bandeira, lidos pelo poeta, acompanham e transfiguram os gestos banais de sua rotina em seu pequeno apartamento no centro do Rio; a modéstia do seu lar, a solidão, o encontro provocado por um telefonema, o passeio matinal pelas ruas de seu bairro.

classificação indicativa: 12 anos

Aruanda, de Linduarte Noronha
João Pessoa, 1960, BP, 35mm, 21´| Exibição em HDCAM

Os quilombos marcaram época na história econômica do Nordeste canavieiro. A luta entre escravos e colonizadores terminava, ás vezes, em episódios épicos, como Palmares. Olho d´Água da Serra do Talhado, em Santa Luzia do Sabugui (PB), surgiu em meados do século passado, quando o ex escravo e madeireiro Zé Bento partiu com a família à procura de terra de ninguém.

classificação indicativa: 12 anos

Arraial do Cabo, de Mario Carneiro e Paulo César Saraceni
Rio de Janeiro, 1959, 35mm, pb. 17 min

A instalação de uma indústria química em um reduto de pescadores (Arraial do Cabo), litoral do Estado do Rio de Janeiro, traz como consequência as transformações sociais e interferências nas formas tradicionais da vida local.

classificação indicativa: 14 anos

Pátio, de Glauber Rocha
Salvador,1959,16mm,BP,11´
com Helena Ignez e Solon Barreto

Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham. Belo curta-metragem de estreia de Glauber Rocha e Helena Ignez.

classificação indicativa: 12 anos

Barravento, de Glauber Rocha
Salvador, 1961, 35mm,BP,80´
com Antonio Pitanga, Luiza Maranhão, Lucy de Carvalho, Aldo Teixeira e Lídio Silva

Um homem que volta à aldeiazinha de pescadores em que foi criado para tentar livrar o povo do domínio da religião. O termo “Barravento”, conforme explicado no início do filme, “é o momento de violência, quando as coisas de terra e mar se transformam, quando no amor, na vida e no meio social ocorrem súbitas mudanças”. Primeiro longa-metragem de Glauber Rocha.

classificação indicativa: 14 anos

Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha
Rio de Janeiro, 1964, 35mm, pb, 110’
Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle

Castigado pela seca e pela exploração, camponês sangra o latifundiário que o oprime. Ao lado da mulher, foge pelo sertão até encontrar um líder messiânico. O casal se torna seu discípulo, porém, tempos depois, a mulher se revolta e mata o religioso. Novamente à deriva, eles rumam pelo sertão e encontram, finalmente, um terrível cangaceiro, que está sendo perseguido por um matador de aluguel. Uma obra-prima do cinema brasileiro. Destaque para a música de Sérgio Ricardo, feita a partir do trovadorismo sertanejo e da poesia popular. Letreiros da artista plástica Lygia Pape.

classificação indicativa: 14 anos

O desafio, de Paulo César Saraceni
Rio de Janeiro, 1965, 35mm, pb, 100’
Joel Barcellos, Sérgio Britto, Hugo Carvana, Oduvaldo Vianna Filho

Um jornalista, amargurado com o fracasso de sua crença na revolução popular, vendo seus amigos serem perseguidos, presos e torturados, vê ruir também o seu caso amoroso com uma mulher burguesa. Concebido e realizado logo após o golpe de Estado de 1964, o filme estuda o desnorteio e a perplexidade das esquerdas com o início do regime militar, em paralelo à efervescência artística e intelectual em curso naqueles anos. Vencedor dos prêmios Torre-Nilson e Revista Cinema Novo no Primeiro Festival Internacional do Filme, em 1965, no Rio de Janeiro e do Prêmio Historiadores do Cinema Mundial no Festival de Cannes de 1965. Uma das obras-primas do Cinema Novo.

Não indicado para menores de 14 anos

Porto das Caixas, de Paulo César Saraceni
Rio de Janeiro, 1962, 35mm, pb, 75’
Irma Álvares, Reginaldo Faria, Paulo Padilha, Joseph Guerreiro

Disposta a matar o marido que a oprime, uma mulher procura a ajuda de seu amante e de diversos homens. Sem encontrar apoio neles, decide assassiná-lo sozinha. Destaque para a fotografia de Mario Carneiro.

classificação indicativa: 16 anos

Bahia de todos os santos, de Trigueirinho Neto
Bahia, 1960, 35mm, pb, 102’ | Exibição em Beta Digital
Elenco:Jurandir Pimentel, Lola Brah, Arassary de Oliveira, Antonio Luís Sampaio

Durante a ditadura do Estavo Novo, jovem rejeitado pelos pais sobrevive de pequenos furtos no porto de Salvador e dos favores de uma amante inglesa. Sua vida fica complicada quando envolve-se com um grupo de operários grevistas. Religião e política, autoritarismo e greve operária, adultério e racismo perpassam Bahia de Todos os Santos, que terá influência significativa na formação do movimento cinemanovista. Prêmio Saci de Melhor argumento, produtor e atriz para Arassary de Oliveira, em 1961.

Não indicado para menores de 14 anos

O Grito da terra, de Olney São Paulo
Feira de Santana, 1964, 35mm, pb, 83’
Helena Ignez, João de Sordi, Lucy Carvalho, Lídio Silva

Duas jovens vivem no sertão nordestino. Enfastiada, uma delas quer sair a qualquer custo do vilarejo onde mora para ir ao Sul; típica camponesa, a outra acredita na força de seus familiares e conhecidos para enfrentar a seca e a pressão dos coronéis. Sob o clima de euforia revolucionária que antecede o golpe militar de 1964, O Grito da terra trata de temas urgentes para a época – reforma agrária, seca e fome no Nordeste. Diretor importante para a história do cinema baiano, Olney foi preso e torturado pelos militares quando um de seus filmes, o curta Manhã cinzenta (1968), foi encontrado na residência de um dos participantes do primeiro seqüestro político no país. Olney não tinha nenhuma ligação com a ação da guerrilha.

Não indicado para menores de 14 anos

Garrincha, alegria do povo
direção: Joaquim Pedro de Andrade
Rio de Janeiro, 1962, 35mm, pb, 61’ | Exibição em HDCam | Legendas em inglês

Documentário sobre a trajetória do grande astro do futebol brasileiro, Mané Garrincha. A partir de depoimentos e cenas dos dribles e gols do jogador, o filme retrata a paixão ardorosa do povo pelo futebol, visto não como um esporte inocente, mas como uma catarse, onde o torcedor esvai aos berros seus anseios e frustrações acumulados durante a semana. Também denuncia as mazelas dos contratos com os times, que subjugavam o atleta ao clube.

Classificação indicativa: Livre

A Grande feira, de Roberto Pires
Salvador, 1961, 35mm, pb, 94’
Geraldo D’El Rey, Luiza Maranhão, Helena Ignez, Antonio Luis Sampaio

Feirantes de Água dos Meninos, em Salvador, são ameaçados de despejo por um empresa imobiliária e lutam para não perder o terreno. A partir desse acontecimento, cria-se uma trama enredando diversos personagens – uma prostituta, um ladrão, um marinheiro e uma milionária romântica. Clássico da filmografia baiana.

Não indicado para menores de 12 anos

SERVIÇO
Evento: Retrospectiva do Cinema Novo
Data: 30 de abril a 15 de junho de 2015 | Horário: consultar programação
Local: Cinemateca Brasileira
Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo – SP
próximo ao Metrô Vila Mariana
Classificação etária: 12 anos
Ingressos: entrada gratuita
Informações para o público: (11) 3512-6111

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

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