Cinemateca Brasileira traz retrospectiva “Roberto Santos” em cópias restauradas

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 31 março, 2015 14:33

Cinemateca Brasileira traz retrospectiva “Roberto Santos” em cópias restauradas

Roberto Santos é um dos alicerces do cinema paulista moderno. Nascido em 1928, após alguns trabalhos como assistente de direção, faz seu primeiro longa como diretor em 1957, O grande momento, uma das obras-primas do cinema brasileiro. O filme seguinte é considerado outro clássico, A hora e vez de Augusto Matraga, baseada no conto de João Guimarães Rosa, com grande interpretação de Leonardo Vilar e música original de Geraldo Vandré. O filme foi vencedor do I Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e representante do Brasil no Festival de Cannes em 1966. Dirige um dos episódios de As cariocas (1966), A desinibida do Grajaú, adaptação da crônica de Stanislaw Ponte Preta. O filme tem episódios dirigidos por Fernando de Barros e Walter Hugo Khouri e será exibido em nova cópia 35mm, confeccionada pela Cinemateca Brasileia.

Dirige Paulo José e Leila Diniz em O homem nu (1967), uma bela comédia adaptada do conto de Fernando Sabino. Diante da repressão após o golpe militar, aceita o convite para lecionar no curso de cinema da ECA/USP, então recém-criado. Como professor da Escola Superior de Cinema de São Luís e ECA/USP, ambas em São Paulo, Roberto Santos exerceu um papel fundamental na formação de algumas gerações de cineastas e técnicos. Fruto da convivência com alunos e técnicos de cinema, Vozes do medo é um projeto original de realização de um filme como se fosse uma revista, e contou com a participação de Maurice Capovilla, Roman Stulbach, Hélio Leite de Barros, Mamoru Myao, Ruy Perotti, Plácido de Campos Jr., Aloysio Raulino, Gianfrancesco Guarnieri, Cyro del Nero, Adilson Benini e Augusto Corrêa. Em 1971 dirige Adriana Prieto em Um anjo mau, fotografado pelo parceiro dos dois primeiros longas, Hélio Silva.

Ainda professor, realiza um trabalho em parceria com os alunos da USP, As três mortes de Solano (1975), longa-metragem de Roberto Santos baseado no conto A caçada, de Lygia Fagundes Telles. Em 1977 participa de outro filme de episódios, Contos eróticos, baseado em contos premiados no 1° Concurso de Contos Eróticos da revista Status, com o segmento Arroz e feijão. Realiza em 1979 outro de seus melhores filmes, Os amantes da chuva, drama romântico sobre um casal que provoca tempestades quando estão juntos. Lança Nasce uma mulher, uma comédia, em 1983. Em 1987 lança seu último filme, Quincas Borba, uma adaptação do romance de Machado de Assis. O trabalho foi mal recebido pela crítica no Festival de Gramado e, na volta à São Paulo, Roberto morreu no aeroporto, vítima de um infarto fulminante. Autor de clássicos obrigatórios, como O grande momento, A hora e vez de Augusto Matraga e O homem nu, e de filmes a serem revistos e descobertos como Um anjo mau, As três mortes de Solano e Os amantes da chuva, a

Cinemateca tem o prazer de homenagear este mestre do cinema brasileiro.

Coordenador de Difusão: Leandro Pardi
Programação: Sergio Silva
Produção de cópias: Nancy Hitomi Korim
Assessoria de imprensa: Karina Almeida
Produção: Bia Ferreira Leite e Livia Fusco
Site: Bruno Ishikawa

Programação completa (clique aqui!)

O grande momento
São Paulo, 1958, 35 mm, pb, 80’
Gianfrancesco Guarnieri, Miriam Pércia, Jaime Barcellos, Paulo Goulart
No dia de seu almejado casamento, um jovem trabalhador constata que não possui dinheiro suficiente para honrar seus compromissos: a festa, o alfaiate e a viagem de núpcias. Seu único recurso, paliativo, é vender a bicicleta, seu maior bem. Ambientado no bairro paulistano do Brás. Um clássico do cinema brasileiro.
Classificação indicativa: livre

A hora e vez de Augusto Matraga
São Paulo, 1965, 35mm, pb, 106’ | Exibição em HD-Cam
Leonardo Villar, Jofre Soares, Maria Ribeiro, Flávio Migliaccio
Augusto Matraga, homem poderoso de um vilarejo do sertão mineiro, que perde mulher, filha e propriedades. Massacrado por um coronel, mortifica-se em nome de uma conversão religosa para o Bem, domando o mundo sem impulsos de vingança. Mas o reencontro com um destemido jagunço lhe dá a chance de uma remição definitiva. Brilhante adaptação do romance de Guimarães Rosa para o cinema, uma das obras-primas de Roberto Santos. Música de Geraldo Vandré, montagem de Sylvio Renoldi e o fotografia de Hélio Silva.
Classificação indicativa: 14 anos

As cariocas, de Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos
São Paulo, 1966, 35mm, pb, 101’
com Norma Bengell, John Herbert, Jacqueline Myrna, Sérgio Hingst, Mário Benvenutti, Íris Bruzzi, José Lewgoy, Zezé Macedo. Narração: Sérgio Pôrto
Filme em episódios. A grã-fina de Copacabana: Paula, interessada no carro conversível de Cid, cede ao seu assédio, desde que este a ajude a armar um plano para vender o automóvel para o seu marido Edu, com a intermediação financeira do seu amante, o cirurgião plástico Teo. A noiva do Catete: Júlia desperta para mais um dia da sua vida rotineira – prepara o café, toma banho, se arruma, vai à praia, às compras, prepara a refeição, visita José Luís, o noivo doente na pensão… A desinibida de Grajaú: Num programa de TV, Marlene Cardoso, a Rainha das Praias de 1966, é entrevistada por ter sido manchete dos jornais ao escandalizar os moradores da Penha por seu suposto comportamento imoral. Um excelente elenco interpreta esta adaptação das crônicas de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do escritor Sérgio Pôrto. Exibição em nova cópia 35mm, especialmente confeccionada pela Cinemateca para esta mostra.
Classificação indicativa: 14 anos

O homem nu
São Paulo, 1968, 35mm, pb, 85′
com Paulo José, Leila Diniz, Esmeralda Barros, Walter Forster, Íris Bruzzi
Silvio Proença, um tímido pesquisador e professor de música folclórica, passa a noite com uma amiga. Na manhã seguinte, quando sai para pegar o pão no corredor, o

vento bate a porta do apartamento deixando-o completamente nu do lado de fora. Adaptação do conto de Fernando Sabino, com excelentes interpretações de Paulo José e Leila Diniz. Música de Rogério Duprat.
Classificação indicativa: 14 anos

Um anjo mau
São Paulo, 1971, 35mm, cor, 107’
Adriana Prieto, Francisco di Franco, Bárbara Fazio, Sérgio Hingst
Vendida pela mãe a um comerciante, moça nascida no sertão é alvo de seguidos maltratos.  Ela se torna amante de um tropeiro e tem um filho com ele. Ambos trabalham numa fazenda, porém, um dia, a moça é violentada por um capataz. Baseado no romance de Adonias Filho, Um anjo mau trabalha o contraste entre o lirismo e a violência dos latifúndiários no sertão do país. Por sua interpretação, Adriana Prieto recebeu o Prêmio de Melhor atriz no Festival de Brasília de 1971. Produção de Walter Hugo Khouri, fotografia de Hélio Silva e trilha sonora de Rogério Duprat.
Classificação indicativa: 16 anos

Vozes do medo, de Roberto Santos, Mamoru Myao, Adilson Bonini, Helio Barroso, Cyro Del Nero, Augusto, Ruy Perotti Barbosa, Maurice Capovilla, Gianfrancesco Guarnieri, Plácido de Campos Jr. e Aloysio Raulino
São Paulo, 1969-1973, 35mm, cor e pb, 140’ | Exibição em 16mm
com Claudio Mamberti, Antonio Pitanga, Julia Miranda, Afonso Claudio, Errol de Almeida, Clarice Piovesan
Vozes do medo é um filme em forma de revista. Diversos episódios acerca do medo, misturando cinema-verdade com ficção, animação, realismo fantástico e outros gêneros. Uma experiência sobre o Brasil da década de 1970, realizada por Roberto Santos, técnicos e estudantes da ECA/USP.
Classificação indicativa: 16 anos

As três mortes de Solano, de Roberto Santos
São Paulo, 1976, 35mm, cor, 100’
Stênio Garcia, Líbero Rípoli, Bárbara Fázio, Clarise Piovesan
Sobre um cenário feito de um tapete com imagens de uma caçada, três histórias fantásticas, envolvendo a personagem de Solano, se desenvolvem. Baseada no conto A caçada, de Lygia Fagundes Telles, que foi roteirizado coletivamente pelos alunos de Roberto Santos, sob sua supervisão, no período em que foi professor do curso de cinema da ECA/USP. Participação especial de Gianfrancesco Guarnieri.
Classificação indicativa: 14 anos

Arroz e feijão
São Paulo, 1977, 35mm, cor, 39’ | Exibição em HDCam
Joana Fomm, Davi José, Carlos Roberto Martins
Uma mulher mais velha se relaciona com um adolescente inexperiente. Joana, a mulher, tenta seduzir o rapaz interiorano durante a refeição que ele faz todos os dias em sua casa. Baseado em conto de Sérgio Toni, parte do longa em episódios Contos eróticos.
Classificação indicativa: 16 anos

Os amantes da chuva
São Paulo, 1979, 35mm, cor, 106’
Helber Rangel, Beth Mendes, Davi José, Zanoni Ferrite, Beatriz Segall
Todas as vezes que um casal de namorados se encontra, chove – mesmo contrariando qualquer lógica meteorológica. Quanto mais se apaixonam, mais violenta se faz a chuva, até que, descobertos por uma televisão, são promovidos a “os amantes da chuva”. Um dos mais belos filmes de Roberto Santos, retomando elementos de alguns de seus filmes iniciais.
Classificação indicativa: 14 anos

Nasce uma mulher
São Paulo, 1983, 35mm, cor, 100’
com Marlene França, Dani Patarra, Davi José, Alberto Baruque, Flavio Portho, Denoy de Oliveira, Myriam Muniz
A paixão entre Jô e Fernando é abalada pela descoberta dos pais da garota de que ela não é mais virgem e toma pílulas anticoncepcionais. Comédia de costumes com participação de Myriam Muniz e que deu a Marlene França o Prêmio Governador do Estado como Melhor Atriz em 1984.
Classificação indicativa: 16 anos

Quincas Borba
São Paulo, 1986, 35mm, cor, 116’
com Helber Rangel, Fulvio Stefanini, Brigitte Broder, Paulo Vilaça, Laura Cardoso
Ao morrer, o filósofo Quincas Borba lega um enorme fortuna a Rubião, seu discípulo e amigo. Rubião se apaixona à primeira vista por Sofia, que o mantém preso aos interesses de Cristiano Palha, o marido que a domina inteiramente. Aos poucos, Rubião delapida a fortuna em negociatas que Cristiano Palha conduz, tendo como escudo a própria mulher. Sem nunca ter conquistado Sofia, Rubião se isola de tudo e de todos voltando para sua cidade natal, levando apenas suas alucinações e seu pequeno cão, também chamado Quincas Borba. Adaptação do romance de Machado de Assis.
Classificação indicativa: 14 anos

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 31 março, 2015 14:33


Escreva um comentário

Nenhum comentário

Ainda não há comentários!

Não existem comentários ainda, mas você pode ser o primeiro a comentar este post.

Escreva um comentário
Leia os comentários

Escreva um comentário

O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados*

Facebook

Paris Pode Esperar


Um Tio Quase Perfeito