Cinemateca Brasileira destaca o cinema de Andrea Tonacci em sua programação

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 16 março, 2015 13:13

Cinemateca Brasileira destaca o cinema de Andrea Tonacci em sua programação

A obra de Andrea Tonacci é um dos grandes momentos da cultura brasileira. Nascido na Itália em 1944, Tonacci radicou-se no Brasil e fez sua estreia como cineasta com Olho por olho, um curta-metragem escrito, dirigido e fotografado por ele, e realizado à mesma época – com mesma equipe e câmera – que Documentário, de Rogério Sganzerla, e O pedestre, de Otoniel Santos Pereira. Em seguida, em meio à censura e a ditadura militar, realiza Blablabla, um poderoso filme político. Com Bang-bang, um dos marcos do cinema de invenção brasileiro, Tonacci realiza uma de suas obras-primas.

Um dos pioneiros da linguagem do vídeo no Brasil, registrou shows históricos em São Paulo, como o de Miles Davis no Teatro Municipal, na década de 1970. Nesta mesma década, sua obra se aproxima cada vez mais do cinema documental. Em 1975 dirige Jouez encore, payez encore (Interprete mais, ganhe mais), filmado em VT de meia polegada, preto e branco, e posteriormente ampliado para película em 16mm, durante a excursão internacional da encenação teatral da obra de Calderon de La Barca, ‘Os autos sacramentais’, produzida por Ruth Escobar e dirigida por Vitor Garcia em 1974. Em seguida, iniciou suas pesquisas com as culturas indígenas, em filmes como Guaranis do Espírito Santo (1979), Os Arara (1980) e Conversas no Maranhão.

Realizado entre os anos de 1977 e 1983, Conversas no Maranhão nasceu do contato do diretor e fotógrafo Andrea Tonacci com os índios Canela Apãniekra nos anos 1970. O filme é um importante manifesto dos Canela Apãniekra ao governo brasileiro, no momento da demarcação de suas terras pela Funai. À medida que narra a história da comunidade, os conflitos fundiários, seu massacre e os limites imemoriais de seu território, Conversas no Maranhão observa os rituais e o cotidiano dos Canela Apãniekra, entrevistando também chefes da aldeia. O filme será exibido em cópia digital, com marcação de luz comandada pelo fotógrafo Aloysio Raulino e som restaurado pela Cinemateca Brasileira em 2013. Tonacci realizou diversos trabalhos em vídeo, como materiais em fitas de meia polegada – filmando algumas comunidades indígenas nos EUA, na América Central e América do Sul, parte de um grande projeto chamado A visão dos vencidos. Também registrou performances históricas de músicos como Milton Nascimento, Jards Macalé, Hermeto Pascoal, entre outros, e uma espécie de diário em filme chamado At any time…, iniciado na década de 1970. Nos anos 1990, dirigiu uma série de curtas e médias-metragens, em que se destacam Bienal Brasil século XX, Theatro Municipal de São Paulo e Biblioteca Nacional.

Depois de um longo período de gestação, em 2006 é apresentada a obra-prima Serras da desordem. Aqui, Tonacci retoma sua experiência com grupos indígenas. Misturando registro documental e ficção, Serras da desordem trata do dramático embate entre natureza e civilização e é um dos mais importantes filmes deste século. O filme será apresentado ao ar livre, no espaço externo da Cinemateca. Retomando estudos e materiais realizados em meados da década de 1990 para um filme de ficção chamado Paixões que, por diversos motivos, não chegou a ser concluído, Tonacci realiza Já visto, jamais visto em 2013. Num brilhante trabalho de montagem realizado em parceria com Cristina Amaral, Já visto, jamais visto é uma reflexão profunda sobre cinema e memória. Parte de sua obra está em processo de recuperação e este é um novo passo de uma série de ações em torno do cinema de Tonacci que a Cinemateca Brasileira vem realizando.  É com imensa alegria que convidamos o público a descobrir esta obra.

A Cinemateca Brasileira agradece a Andrea Tonacci, Extrema Produções Artísticas e Patrícia Mourão pela fundamental colaboração para a realização desta mostra.

Coordenador de Difusão: Leandro Pardi
Programação: Sergio Silva
Produção de cópias: Nancy Hitomi Korim
Assessoria de imprensa: Karina Almeida
Produção: Bia Ferreira Leite e Livia Fusco

Programação completa (clique aqui!)

Quinta, 19/03
Sala Petrobras

18h00 OLHO POR OLHO | BLABLABLA
19h00 BANG-BANG

Sexta 20/03
Sala Petrobras

18h30 CONVERSAS NO MARANHÃO
21h00 JÁ VISTO JAMAIS VISTOS

Sábado 21/03
Sala Petrobras

17h00 OLHO POR OLHO | BLABLABLA
18h00 BANG-BANG

Domingo 22/03
Sala Petrobras

16h30 CONVERSAS NO MARANHÃO
19h00 JÁ VISTO JAMAIS VISTOS

Área externa

20h00 SERRAS DA DESORDEM

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES

Serras da desordem
São Paulo, 2006, Hi-8/DV/35mm>35mm, cor, 135’
com Carapirú, Sydney Possuelo, Tiramukõn, Camairú, Myhatxiá

Índio nômade perambula pelas serras do centro do país depois que sua família é massacrada por um grupo de fazendeiros. Capturado em novembro de 1988, a dois mil quilômetros de distância de seu ponto de partida, é levado por um sertanista à Brasília. Sua história ganha as páginas dos jornais, gerando polêmica entre historiadores e antropólogos em relação à sua origem e identidade. Um dos maiores filmes dos últimos anos, Serras da desordem recebeu o Prêmio de Melhor filme e Fotografia no Festival de Gramado, Melhor filme na APCA e no I Prêmio Jairo Ferreira. Fotografia de Aloysio Raulino, Alziro Barbosa e Fernando Coster. Montagem de Cristina Amaral.

não indicado para menores de 14 anos

Bang bang
São Paulo, 1971, 35mm, pb, 80’
com Paulo César Pereio, Abrahão Farc, José Aurélio Vieira, Ezequias Marques

“Homem-macaco” é perseguido por uma quadrilha de criminosos bizarros neste filme policial satírico, estruturalmente livre, rodado na Belo Horizonte do início dos anos 1970. Brilhante ficção de cinema sobre o cinema e um dos marcos do cinema brasileiro. Grande interpretação de Paulo César Pereio.

não indicado para menores de 14 anos

Conversas no Maranhão
São Paulo, 1977-1983, 16mm, cor, 120′ | Exibição em HDCAM

Durante a demarcação de suas terras pela Funai, índios Canela Apãniekra decidem interromper o trabalho dos topógrafos para enviar suas reivindicações para Brasília. Mais do que um documentário, Conversas no Maranhão se tornou um manifesto dos índios ao governo brasileiro. À medida em que narra a história do grupo, seu massacre, os conflitos fundiários e os limites imemoriais de seu território, o filme exibe imagens de seus rituais e de seu cotidiano, costuradas a entrevistas com os chefes da aldeia. Exibição em nova cópia digital, com áudio remasterizado pela Cinemateca.

não indicado para menores de 14 anos

Olho por olho
São Paulo, 1966, 16mm, pb, 22’| Exibição em Beta digital
com Francisco Arruda, Ronaldo Ferraz, Sérgio Frederico

Um grupo de amigos da classe média circula de carro pela cidade de São Paulo, reagindo ao sentimento de impotência e frustração que lhes invade a vida. Primeiro filme dirigido por Andrea Tonacci, com montagem de Rogério Sganzerla.

não indicado para menores de 12 anos

Blablabla
São Paulo/Rio de Janeiro, 1968, 35mm, pb, 26’ 
com Paulo Gracindo, Irma Alvarez, Nelson Xavier, Marcelo Pietsh França

Num momento de grave crise nacional, um ditador, confrontado na cidade e no campo por revoltas e guerrilha, faz um longo pronunciamento pela televisão buscando justificar seu programa de governo e obter uma paz ilusória. Melhor curta-metragem no Festival de Brasília. Montagem de Geraldo Veloso. 

não indicado para menores de 12 anos

Já visto, jamais visto
São Paulo, 2013, 35mm/16mm/8mm>HD, cor/pb, 54’

Um diálogo entre as memórias de um autor e as imagens que filmou e guardou ao longo de sua atividade cinematográfica. Segmentos de filmes realizados, de vida pessoal, fragmentos de filmes esboçados, nunca revistos nem editados, imagens como seres outros que nos alteram a percepção do presente, ausências interferindo numa vida que lhes é posterior, imprevisível. Montagem de Cristina Amaral.

livre

SERVIÇO
Evento: Cinemateca Brasileira destaca o cinema de Andrea Tonacci em sua programação
Data: 19 a 22 de março | Horário: consultar programação acima
Local: Cinemateca Brasileira
Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo – SP, 04021-070
Classificação etária: 12 anos
Ingressos: consultar por telefone.
Informações para o público: (11) 3512-6111

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

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Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 16 março, 2015 13:13


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