Crítica do filme De Volta ao Jogo

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 24 novembro, 2014 06:22
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De Volta ao Jogo
Direção: Chad Stahelski, David Leitch
Roteiro: 
Derek Kolstad
Gênero: Ação, Thriller
Distribuidora: Imagem Filmes
Elenco: Keanu Reeves, Willem Dafoe, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Adrianne Palicki e mais.

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Avaliação (7/10)

Desejo de vingança! Sentimento que já foi tema para inúmeros filmes, nem sempre preso ao gênero de ação/thriller, mas que frequentemente (quando bem conduzido) consegue render histórias envolventes basicamente por se tratar de aborda um instinto mais que natural do ser humano. O mais novo filme estrelado pelo controverso ator Keanu Reeves carrega exatamente essa sede de retaliação contra aqueles que um dia ele serviu. De Volta ao Jogo é um filme que poderia facilmente passar desapercebido no meio de tantas outras produções do gênero, mas se engana aquele que o rótula sem ao menos tê-lo assistido, nem mesmo Keanu poderia esperar um longa tão bem produzido e roteirizado (apesar de uma trama simplista, mas que se torna muito ágil e interessante), que conta com uma direção e fotografia quase que perfeitas, que junto com um trilha potente faz com que este projeto se torne bastante impactante.

Você provavelmente já deve ter ouvido o ditado que “é mais fácil entrar do que sair de certas situações…”, essa frase se encaixa quase que perfeitamente ao contexto do longa em questão. Logo no início somos apresentados ao drama que o protagonista vive atualmente, após anos trabalhando para máfia John Wick (Keanu Reeves) é agora um assassino de aluguel aposentado. Fato ocorrido depois que Wick conhece a mulher que o fez mudar completamente sua vida, mas que devido as voltas do mundo acaba morrendo inesperadamente. Exatamente neste ponto podemos verificar que o roteiro escrito por Derek Kolstad (o mesmo de “Entrega Mortal” de 2012) se esforça bastante em humanizar o personagem vivido por Keanu, que na verdade por dentro transborda sentimentos como raiva, ódio, rancor e um sede quase que insaciável de matar – além claro de ser um assassino extremamente eficiente e altamente treinado.

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No passado agitado, Wick era considerado um dos assassinos mais temidos da cidade de Nova York, trabalhando em parceria com a máfia russa. Com uma composição de personagem que se assemelha a figura do anti-herói, Wick acaba se tornando bastante solitário e quase sem proposito de vida após a morte de sua amada. Assim como a vida real, situações acontecem quando nós menos esperamos, poucos dias após o funeral, ele tem sua casa invadida por ladrões, que não conhecem seu passado. Movido pelos sentimento que ele vem fugindo a anos, John Wick parte em busca de vingança contra estes homens que ele já conhecia muito bem, e que roubaram o último símbolo da mulher que ele amava.

De Volta ao Jogo conta uma eficiente e talentosa direção de Chad Stahelski e David Leitch – ambos conhecidos por seus inúmeros trabalhos como dublês em cenas de ação. Chad Stahelski já foi dublê de Keanu Reaves em diversos trabalhos como “Caçadores de Emoção” (1991), “Matrix Reloaded” (2003) e “Constantine” (2005). A dupla se utilizou de diversos elementos para ampliar a experiência e condução das cenas criando uma estrutura narrativa muito imersiva, usando e abusando de travellings laterais (movimentos laterias), gruas e planos gerais para dar dimensão de cenários, planos sequências em diversas cenas de ação, uma montagem bastante cuidadosa – tudo isso contribuiu e muito para apresentação desse que podemos chamar de grata surpresa no gênero.

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As cenas de ação merecem ser mencionadas a parte, são muito bonitas de se ver. Méritos devidos primeiramente a Chad Stahelski, que coordenou de forma bastante talentosa todas às cenas – com coreografias e cenas de tiros muito bem feitas. Outro ponto favorável para todo o projeto foi a escolha de Keanu Reeves para viver o aposentando assassino, fica muito nítido o empenho do astro no projeto. Ele caiu como uma “luva” no personagem, ou talvez o contrario?, tanto nos momentos mais obscuros do drama como nas cenas de ação – aonde passou por um treinamento intensivo para o longa. Ele se preparou fisicamente durante quatro meses, aonde teve aulas de judô e jiu-jitsu, oito horas por dia, cinco dias por semana. A intensão dos diretores era que Reeves desenvolvesse uma capacidade de lutar diferente e original para as filmagens. Além de todos os méritos mencionados a produção acerta em cheio ao aproveitar todos os recursos que a falta de censura proporciona, principalmente no que diz respeito a violência. Deixando dessa forma a obra livre para explorar o que de melhor tem em seu roteiro, as cenas de ação sempre utilizando armas de fogo para finalizar seu inimigos – Wick nunca deixa de lado de explorar ao máximo técnicas precisas de artes marciais como Judô e Jiu Jitsu o que deixa as cenas simplesmente linda de se ver.

Dois pontos são um espetáculo a parte no filme, primeiramente a fotografia primorosa, que consegue trabalhar com uma paleta de cores para cada personagem e cena. É possível perceber esse cuidado, nitidamente no longa, cuidado esse que torna a fotografia do longa bastante equilibrada e harmoniosa, sendo utilizada em momentos chaves, mostrando toda força narrativa que as cores podem impor nas produções audiovisuais. Além disso, o segundo ponto que dita todo o ritmo da produção fica a cargo da trilha sonora que consegue se impor a toda cena, com um trabalho de mixagem de som muito bem feito aonde podemos, ao prestar mais atenção, ouvir separadamente cada elemento de áudio (sem ruídos irritantes e confusos), principalmente nas cenas de perseguição e tiros (que são muito bem equalizados).

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O grande segredo de De Volta ao Jogo é sem dúvida alguma a forma como ele é conduzido, aonde consegue mostrar que mesmo com um roteiro simplista e muitas vezes já revirado, podemos ver uma grande produção por de trás, causando todo o impacto positivo e tornando um filme digno de boas cenas de luta e ação, algo que muitos filmes com roteiros rocambolescos não conseguem causar. O longa deve todos os méritos ao estudo de produção e coreografia, além de todos os setores, que trabalharam juntos e em total sincronismo tornando toda a produção harmônica e com um visual maravilhoso que dificilmente encontramos em filmes do gênero.

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 24 novembro, 2014 06:22


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