História do jazz e blues é tema de “Minha Loja de Discos” no Canal Bis; Episódio “Jazz Record Mart”

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 27 setembro, 2014 12:31

História do jazz e blues é tema de “Minha Loja de Discos” no Canal Bis; Episódio “Jazz Record Mart”

A maior loja de jazz e blues do mundo não se encontra no sul dos Estados Unidos, mas no norte. Isso porque foi no norte que a maioria dos discos do gênero foram gravados, devido à intensa migração de trabalhadores negros para a cidade de Chicago no início do século XX. Reza a Lenda americana que o jazz nasceu em New Orleans (tema do primeiro episódio da nova temporada do programa), subiu o Mississipi até Chicago – que colocou fogo em sua sonoridade, conhecida como “hot jazz” – e depois chegou a Nova York.

No centro desta história está a Jazz Record Mart, a venerada loja fundada há quase 70 anos por Bob Koester, que é tema do terceiro episódio da segunda temporada da série Minha Loja de Discos, do Canal Bis, desta vez dedicada à diversidade musical americana, em 13 capítulos. Bob é dono também da Delmark, selo independente de jazz e blues também há mais tempo em operação nos EUA, grande responsável por colocar nas prateleiras obras de artistas que dificilmente teriam distribuição nos tempos atuais.

O programa vem recheado de informações sobre a evolução do blues, suas nuances locais e sua relação com o jazz. Relembra os anos dourados de Chicago, em que até a máfia italiana se encantava com os clássicos de Muddy Waters. Artistas considerados  lendas como Ahmad Jamal, Phil Cohran (ex-Sun Ra Arkestra), Tail Dragger, Willie Buck, Lindsey Alexander, funcionários e frequentadores da Jazz Record Mart dão uma aula sobre os dois estilos americanos que mais influenciaram a música do resto do mundo

“Muita gente que diz que ‘tem’ o blues”, diz Tail  Dragger. “Mas o blues é um sentimento, que vem do coração. Mas ele está acabando, porque os jovens estão na do rap, não se acha mais um garoto negro tentando tocar blues”. Willie Buck completa: “quando você tem o blues, ninguém pode tira-lo de você”. 

Já o jazz encontra discípulos à altura na Green Mills, a mais antiga casa de shows da cidade, fundada em 1907, com os Fat Babies.

CANAL BIS-MINHA LOJA DE DISCOS-01SETEMBRO2014

“Você ao Green Mills em plena terça e o público tem a idade da banda, todo mundo dançando!”, surpreende-se Bob, que tem o grupo entre os artistas lançados pela Delmark. 

E como a loja e o selo se mantém a despeito de várias cadeias de lojas de disco terem fechado nas últimas décadas? Um dos vendedores conta o segredo: a paixão de Bob. E muito trabalho duro. “Música é boa parte da minha vida. Acabou virando meu negócio. É, é uma boa maneira de se envolver com música”, ri Bob, figura adorada na cidade por “seus serviços” desde os anos 50, agora do alto de seus 80 anos, pedindo para outro funcionário subir o volume do som.

Lista completa de episódios e suas estreias, sempre às segundas, às 19h

Reprises ao longo da semana: Terça, às 16h l Quarta, às 09h30 e 16h30 l Quinta, às 19h30 l Sexta, às 08h30 l Sábado, às 18h l Domingo, às 6h

08/09 -Louisiana Music Factory (Nova Orleans)
15/09 – Amoeba Music (Los Angeles)
22/09 Somewhere in Detroit (Detroit)
29/09 –- Jazz Record Mart (Chicago)
06/10 – Waterloo (Austin)
13/10 – Goner Records (Memhis)
20/10  – Grimey’s – New and Pre-loved Music (Nashville)
27/10 – Poobah Records (Los Angeles)
03/11/10Academy Records (Nova York)
10/11 – Aquarius Records (São Francisco)
17/11 – Mississippi Records (Portland)
14/11 – Hungry Ear Records (Honolulu)
01/12 – Easy Street Records (Seattle)

Sobre a série

As mais influentes lojas de discos dos Estados Unidos e entrevistas com artistas como Moby, Johny Winter, Sonic Youth, Jeff Mils, Warpaint, Mark Ramone, Neville Brothers e Pixies são a grande novidade da programação do Canal Bis, a partir de 8 de setembro. Depois da primeira temporada focada no Reino Unido, a série documental Minha Loja de Discos, co-produção do canal com a Ton Ton Filmes, explora a diversidade musical americana, na maior produção brasileira feita sobre a música daquele país.

A série é dirigida pela brasileiro Rodrigo Pinto, que também assina o documentário “Continuação”, sobre Lenine, é ex apresentador do programa “Bastidores”, do Multishow, e um dos integrantes da equipe de apresentadores das coberturas de festivais de música do canal, e pela grega-alemã Elisa Kriezis, dupla que já havia feito  a série Londres Assim para o GNT.

Com roteiro assinado por outros dois apaixonados por música, os irmãos Kika Serra, criadora do Caipirinha Appreciaton Society, o podcast brasileiro mais ouvido no mundo, e Pedro Serra, pesquisador musical e DJ, e edição e trilha sonora de Felipe David Rodrigues, a série de 13 capítulos fica no ar de 08 setembro a 01de dezembro, com um episódio semanal, às segundas, às 19h, e reprises durante a semana (quadro de horários abaixo). Foi integralmente produzida e filmada por Elisa e Rodrigo em quatro meses de gravação nos Estados Unidos.

“No País há mais de 3 mil lojas de discos,  estabelecimentos capazes de mudar a paisagem urbana. São os primeiros a se instalar em bairros de aluguéis baratos. Em seguida, vêm um café na esquina mais próxima e músicos, mudando completamente a realidade local”, conta Elisa, que, com Rodrigo, esteve em 12 cidades americanas, de New Orleans a Honolulu, para traçar o perfil de 13 lojas de discos.

Na primeira temporada tiveram destaque paraísos do Reino Unido, como Sounds of the Universe e Phonica, em Londres, Jumbo Records, em Leeds, e Monorail, em Glasgow. E bandas como Portishead, Primal Scream, Gang of Four e Franz Ferdinand e Peter Hook, (Joy Division/New Order), e os consagrados novatos como Alt-J e Bat for Lashes revelaram como lojas de discos mudaram suas carreiras.

Desta vez, a série mostra a estreita relação entre lojas de discos e gêneros diversos como jazz, blues, techno, grunge e garage rock. Artistas como Animal Collective (indie), The Black Angels (psych), North Mississippi Allstars (blues rock), Moby (pop), Leviathan (black metal), ou o clássico Cyril Neville (funk) relembram como lojas como Aquarius, em São Francisco, ou Luisiana Music Factory, em Nova Orleans, continuam imprescindíveis às cenas locais.

Apesar dos tempos de mudanças radicais na indústria fonográfica com o avanço dos formatos digitais, para os jovens artistas as lojas de discos continuam sendo essenciais. “A Amoeba sempre nos tratou como heróis locais e deu enorme destaque ao nosso primeiro EP”, lembra a vocalista e guitarrista do Warpaint, Emily Kokal. Foi depois da demo, produzida por John Frusciante, ex guitarrista do grupo The Red Hot Chili Peppers, fazer sucesso na Amoeba que a banda explodiu em vendas no resto do país.

Já Black Francis, dos Pixies, é mais um apaixonado pelas bolachas, cujas vendas têm crescido vertiginosamente nos Estados Unidos – e no Brasil. “Eu trabalhava em um depósito quando chegou só a capa, enorme, do nosso primeiro disco, porque o vinil não ficou pronto a tempo. Naquele momento, quando vi a capa grande, pedi demissão”.

A série coloca o telespectador dentro das lojas. “Em Detroit, por exemplo, fomos à Somewhere in Detroit, loja fundada por um dos precursores do techno, Mike Banks”, conta Rodrigo. “Visitantes têm que marcar hora para ir, e, se tiverem sorte, podem ser atendidos pelo próprio Banks, um doce guerrilheiro da música eletrônica. Foi emocionante ver como aquele lugar é responsável por injetar esperança em uma cidade arrasada pelas sucessivas crises do capitalismo, mas marcada pela inovação da música eletrônica e da Motown”, complementa.

Já na vizinha Chicago, Minha Loja de Discos entrevistou a mais antiga geração de bluesmen nos Estados Unidos. “Foi interessante conviver por alguns dias com Tail Dragger, um bluesman típico, uma cara que chegou a ser preso, que toca em bares pequenos e tem dentes de ouro”, lembra Rodrigo. “Por outro lado, em Los Angeles, em conversas com Cut Chemist (Jurassic 5) e Ras G, pudemos mostrar o frescor da Beat Scene, do hip hop instrumental, que traduz uma LA multirracial, um outro retrato dos Estados Unidos de hoje”.LA, por sinal, foi a única cidade a ter duas lojas incluídas na série, a Poobah e a Amoeba Music. “Los Angeles é a cidade da indústria audiovisual. Todo mundo por lá ou é músico ou é ator. Há muitas lojas e achamos que seria justo retratar mais de uma”, diz Elisa

Ficha técnica:

Direção: Elisa Kriezis e Rodrigo Pinto
Roteiro: Kika Serra e Pedro Serra
Edição e trilha sonora: Felipe David Rodrigues
Uma co-produção do Canal Bis com a Ton Ton Filmes

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 27 setembro, 2014 12:31


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1 Comentário

  1. Ricardo Vasconcellos Tinoco dezembro 26, 23:24

    Meu programa favorito . Já tive uma e adoro loja de discos (LPs). Dá vontade de abrir outra …O programa faz uma ótima abordagem da cena musical de cidades Inglesas e Americanas, as entrevistas são super legais e a duração é perfeita. Altamente recomendável!!

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