Crítica do filme Hércules

Lucas Lima
Por Lucas Lima 2 setembro, 2014 12:15
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Direção.: Brett Ratner
Roteiro.: Ryan Condal, Evan Spiliotopoulos
Gênero.: Ação | Aventura
Distribuidora.: Paramount Pictures
Elenco.: Dwayne Johnson, Ian McShane, John Hurt, Aksel Hennie, Ingrid Bolsø Berdal, Reece Ritchie, Joseph Fiennes e mais.

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Avaliação (5/10)

Chega aos cinemas nacionais a mais nova aventura épica (sendo a segunda lançada neste ano) protagonizada por um dos mais conhecidos personagens da mitologia grega, HÉRCULES o semi-deus filho de Zeus e da mortal Alcmena. Estrelada pelo carismático ator Dwayne “The Rock” Johnson, que se torna bastante convincente no papel, a Paramount Pictures traz uma obra baseada na graphic novel “Hércules: As Guerras Trácias”, que acompanha o herói grego logo após ele cumprir os conhecidos “doze trabalhos” e perder sua família – desolado acaba juntando a um grupo de mercenários que nunca questionam onde vão lutar ou porque ou com quem, apenas o quanto serão pagos. Do início ao fim o longa é vendido como um blockbuster sem obrigação de ser levado tanto à sério, talvez aqui tenha sido o ponto chave para está boa adaptação, apesar de para muitos poder soar como uma forma estranha de contar sobre um personagem mitológico. O longa é cheio de lutas grandiosas, efeitos CGIs muito bem utilizados e trabalhados harmonicamente com cenários muito bem construídos e com um história que acaba optando pelo simplismo, aonde diversos momentos eles nos faz pensar que estamos entregues a uma sátira e não a um filme sobre o herói, assim como a graphic novel, opta à todo momento por reduzir o peso de toda mitologia e do mito do guerreiro grego, aonde somos conduzidos a um mundo mais realista.

O fascínio, grandiosidade e claro adoração em torno da rica mitologia grega sustenta toda história envolvida nesta produção, que visa trazer um adaptação “fora do convencional” por assim dizer, aonde procura estabelecer toda atmosfera envolto do conhecido e temido herói grego mas não deixando de lado explorar todos os conflitos e dúvidas que passam em sua cabeça, porém o longa assim como a graphic novel, acabam em certos momentos exagerando nessa dúvida, aonde passa um impressão de que o filme pende para uma sátira da mitologia, por se utilizar de elementos cômicos e um personagem totalmente realista, que demostra ser mais esperto do que forte na verdade, por se utilizar de arte manhas, que enganam todos que o vê lutar.

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Apesar de demonstrar uma força sobre-humana, Hércules que se utiliza de grandes feitos em batalha aliado de seus companheiros de luta, para iludir com histórias e mitos de que ele é um imortal, dessa forma recebe o apoio de Iolaus (Reece Ritchie) para engrandecer seu nome e seus atos, dessa forma criando o mito Hércules como conhecemos, mas na verdade o intuito dos mercenários em enaltecer e engrandecer a figura do herói é fazer com que toda a Grécia, o conheça e solicite seu serviço como mercenário.

Desde seu início fica claro que a direção do longa, tenta humaniza-lo aproximando o público do personagem, o que se torna bastante correto em uma primeira impressão mas que ao decorrer do longa perde um pouco de força e distância do público, nada que incomode muito, mas acaba diminuindo e mostrando uma outra visão do surgimento do mito do herói. Talvez está escolha chegue a causar desconforto, o qual está acostumado a conhecer tal guerreiro como um verdadeiro filho de Zeus.

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O roteiro adaptado por Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos (“Mogli – O Menino Lobo” e do inédito “Branca de Neve e o Caçador 2”) se torna extremamente fiel à sua obra original o qual o longa é inspirado (graphic novel de Steve Moore) – abordando os conflitos de uma alma atormentada pelas dúvidas e incertezas, andando pela terra em um rumo claro e definido, não era nem homem nem deus. Hércules (Dwayne Johnson) por  filho do Deus-Pai grego Zeus, depois dos doze trabalhos árduos e a perda de sua família, essa alma escura e cansada do mundo, deu as costas para os deuses, somente encontrando consolo em batalhas sangrentas. Ao longo dos anos, aqueceu-se à companhia de seis almas semelhantes, sua única ligação vem de seu amor a luta e a presença da morte. Estes homens e mulher nunca questionam onde vão lutar ou porque ou com quem, apenas o quanto serão pagos, mas que carregam em si personalidades próprias de sofrimentos e devoção ao seu líder.

Nesse grupo se destacam os personagens Amphiaraus que trabalha como uma espécie de vidente, mas que quase nunca consegue chamar à atenção sobre o futuro de todos, dessa forma oscilando entre pontos sérios e algumas pitadas engraçadas bem executadas (soando como um fuga cômica do roteiro). Ele é vivido pelo veterano e excelente ator Ian McShane, que mesmo com sua extensa filmografia, consegue enriquecer cada projeto que faz parte – mesmo que como este, seja trabalhado como coadjuvantes. O brutal Tydeus (Aksel Hennie) também se destaca neste grupo de mercenários carregando um mistério por trás de sua história, o que deixa ainda mais interessante sua presença. A presença feminina no grupo fica a cargo da bela atriz norueguesa, que talvez não aparente tanta beleza na telona devido sua caracterização bastante convincente (para uma guerreira) no longa, Ingrid Bolsø Berdal que interpreta a habilidosa arqueira Atalanta, uma das Abantíades, que foi abandonada no monte Partênio logo após o nascimento, tendo sido alimentada por uma ursa e depois recolhida e criada por caçadores.

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Com tamanho e força proporcional ao mito, Dwayne Johnson convence ao interpretar o herói grego. Claro que o próprio roteiro não exige cargas dramáticas nem atuações dignas de ®Oscar, longe disso, mas podemos afirmar que ele entrega exatamente (em questão de atuação) o que a proposta inicial desta produção exigia – ser um “filme pipoca” sem a necessidade de ser levado tão a sério. Johnson ao longo de sua filmografia vem demonstrando que pode ser utilizado em produções que trabalham mais seus personagens e consequentemente necessitam entrega maiores dos atores, um exemplo que quase passou desapercebido na mídia em geral foi o longa de 2013 “O Acordo” – aonde seus dotes físicos são deixados de lado e foca em abordar um lado mais maduro e emocional (apesar de oscilar muito), se mostrando novamente bastante aceitável e mostrando que pode sim variar suas escolhas de futuros trabalhos.

A direção do cineasta Brett Ratner (“Roubo nas Alturas”, “Rogue”) juntamente com sua decupagem se mostram, ao decorrer da projeção, bastante interessante e acertada ao tentar extrair o máximo possível das cenas de ação, sem esquecer dos personagens secundários que a todo momento são destaque das cenas. O cineasta ainda consegue conduzir bem e variar entre os gêneros, cenas que necessita de ação conseguimos ver bem, cenas que necessitam de uma decupagem com planos mais fechados para causar uma dramaticidade ele também realiza com maestria. E sem dúvida seu forte fica para um tempo de comédia apurado, aonde em nenhum momento cai para o besteirol.

Hércules, é um filme que visa trazer uma nova roupagem, apresentando uma nova visão para a história do herói, aonde sua principal fraqueza é causar uma estranheza aos adoradores dos mitos gregos, por trazer um Hércules humanizado e sem a grandiosidade que é mostrada na mitologia. Porém, é valido por nos apresentar como o mito foi criado e colocado na mente das pessoas e não apenas mostrar o mito como um mito (por assim dizer), como é normal em todas as produções que tentam abordar deuses mitológicos.

Lucas Lima
Por Lucas Lima 2 setembro, 2014 12:15


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