Crítica do filme No Olho do Tornado

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 25 agosto, 2014 07:01

Crítica do filme No Olho do Tornado

306535id1b_IntoTheStorm_Main_Intl_27x40_1SheetNo Olho do Tornado
Direção.: Steven Quale
Roteiro.: Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Matt Walsh.
Gênero.: Ação | Thriller
Distribuidora.: Warner Bros. Pictures
Elenco.: Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Matt Walsh, Max Deacon, Nathan Kress, Alycia Debnam Carey e mais.

Avaliação
(3/10)
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Um dos maiores fenômenos meteorológicos que a anos destrói cidades e apavora os norte-americanos, os devastadores “tornados” são novamente tema de uma produção cinematográfica. Hollywood sempre apostou forte neste tipo de enredos, os chamados “filmes catástrofes”, que tem sempre como foco apresentar o poder da mãe natureza em nossa sociedade, quase sempre mostrando que somos apenas coadjuvantes em nossa própria casa, o  planeta Terra. Tentando resgatar toda essa atmosfera, esquecida já algum tempo nos cinemas, o longa No Olho do Tornado traz uma versão moderna dos eventos, usando e abusando dos efeitos visuais (CGIs), tentando fugir dos clichês deste tipo de produção, mas nem sempre conseguindo o efeito esperado, o que acaba apresentando os mesmos erros que seus antecessores cometeram no passado.

Filmes de gênero definido, como este em questão, costumam, ou tentam pelo menos, se sustentar em seu argumento inicial bem definido falhando normalmente no desenvolvimento da trama. Este tipo de erro é mais comum do que podemos imaginar, muitas vezes eles são camuflados de diversas formas, se utilizando de efeitos visuais, 3D, atores conhecidos do grande público, trilha sonora – tudo isso em prol do cinema comercial, ou como muitos gostam de chamar o  “cinema pipoca”. No Olho do Tornado traz em seu argumento o mesmo conflitos e premissa de tantas outras produções que apresentam os efeitos, as vezes assustadores, da natureza nos seres humanos, a sobrevivência à todo custo. Este na verdade definitivamente não é o grande erro deste longa, e sim a falta de compreensão de que para se ter tal efeito (sobrevivência e sentimentos de humanidade) em seus personagens, estes devem sem apresentados de forma muito mais detalhadas e profunda, aproximando o público do drama estabelecido à eles.

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O que vemos na verdade no roteiro de John Swetnam (mesmo de “Ela Dança, Eu Danço 5” e “Evidências”), é o efeito totalmente contrário a ideia inicial, deixando toda carga dramática e peso da história nos temíveis “tornados” – que em certos momentos, são sem dúvida, muito mais interessantes que o conteúdo geral do longa. As cenas apresentada no filme pode causar certo desconforto nos minutos inicias da projeção para aqueles que não estão acostumando ao estilo “found footage” (registro em documentário) e se utilizando de câmeras na mão ao longo de toda projeção, mesmo que limitando bastante a direção (em questão de decupagem) as cenas são mostradas de forma convincente, tendo em vista que esse filme, é um dos poucos que souberam utilizar a seu favor a linguagem de câmera na mão, assim como o primeiro longa da franquia REC, ele opta acertadamente por “câmeras personagem”, o favorece a imersão nos colocando a todo momento dentro da trama e tornando essa forma narrativa ainda mais realista. Diferente de muitos filmes que acabam se perdendo na própria linguagem.

A ambientação do longa se passa na cidade norte-americana de Silverton, localizada no estado de Oregon, no Condado de Marion. Inicialmente o longa acompanha um grupo de estudantes, que acidentalmente começa a registrar a passagem de um tornado e a devastação causada pelo fenômeno natural na cidade em que vivem, sendo um ataque sem precedentes dos tornados mais furiosos já vistos. A cidade inteira está à mercê dos erráticos e mortais ciclones, enquanto os caçadores de tempestades preveem que o pior ainda está por vir. A maioria das pessoas procura abrigo, enquanto outros correm em direção ao vórtice, vendo até que ponto um caçador de tempestades irá para aproveitar aquela oportunidade única. Contado através dos olhos e lentes de caçadores profissionais de tempestades, amadores em busca de emoção e pessoas corajosas da cidade, No Olho do Tornado joga você diretamente no olho do furacão para experimentar a Mãe Natureza em seu comportamento mais extremo.

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Assim como o roteiro a direção de Steven Quale (responsável por “Premonição 5”), que trabalhou como segundo assistente de direção em “Titanic” e “Avatar”, foca todo seus esforços em mostrar toda a força apavorizante do tornados. Trabalhando em sintonia com sua equipe de efeitos visuais, que roubam a cena à todo momento ao reproduzir tais eventos de forma muito convincente – causando a sensação e angustia perante tal desastre a qual assistimos.

Tentando criar um ar dramático ao filme somos apresentados à diversos personagens, que são divididos em núcleos quase que separados – mas que ao desenrolar dos eventos acabam por se juntarem e assim conduzir uma luta pela sobrevivência coletiva. Richard Armitage (conhecido por viver o personagem Thorin Oakenshield nos dois primeiros filmes da trilogia “O Hobbit”), vive um pai viúvo de dois adolescentes que estão desenvolvendo um projeto em vídeo bastante interessante, que consistem em a pessoa entrevistada projetar seu futuro em 25 anos dizendo o que terá conquistado neste período. Este projeto é de suma importância no desenvolvimento do roteiro do longa, pois com ele toda catástrofe e deixada um pouco de lado tentando dessa forma humanizar diversos personagens – trazendo um sentimento e entendimento de cada um – mas que ao decorrer do longa se mostra bastante vago devido sua premissa falha. Esta falha fica tão evidente que nem mesmo a morte dramática de alguns causa desconforto ou até mesmo sentimentos de dor e perda.

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De outro lado estão os conhecidos, pelo menos nos EUA, caçadores de tempestades que se aventuram na busca desses fenômenos que levam milhões de pessoas a deixar suas casas e trabalhos. Essa equipe composta de cientistas, enfrentam diversos riscos tentando se aproximar de tornados para realizar experimentos meteorológicos de suma importância. Eles são liderados por Pete (vivido pelo ator veterano Matt Walsh) e pela meteorologista Allison – personagem da atriz Sarah Wayne Callies (a Lori da série “The Walking Dead”), seguido pelos “ajudantes de toda hora” Daryl (Arlen Escarpeta) e o caçador novato Jacob (Jeremy Sumpter). Pete tem como característica ser o típico caçador que busca, sem medir o perigo e as consequências, chegar cada vez mais próximo dos temíveis tornados conseguindo registrar em imagens momentos único, tal sentimento é estimulado devido as filmagens de seu sonhado documentário que está produzindo. Em meio a tanta catástrofe, momentos de quase morte, o longa consegue achar espaço para uma trama romântica (que passa quase desapercebida devido a falta de sentimentos nos personagens) envolvendo o filho mais velho de Gary (Richard Armitage), vivido por Max Deacon e a atriz Alycia Debnam Carey – que se veem jogados a personagens mau definidos e em diálogos engessados, chegando ao ponto de um dos personagens simplesmente terminar sem um fim, diferente dos outros personagens de todos os outros núcleos que sabemos exatamente o que aconteceu com cada um deles.

Não podemos deixar de falar que, No Olho do Tornado, sem dúvida é um novo olhar para os filmes de tornado tendo total relação com o longa de 1996 “Twister”, porém esse consegue se diferenciar por estar em uma época cheia de tecnologia e efeitos de alto nível, além de seu roteiro pender para um lado mais humanizado e realista, mostrando sofrimentos humanos, vividos e vivenciados por diversos núcleos, sendo eles os pesquisados, a população que sofre com a tragédia, ou mesmo, as pessoas sem noção que acha que tudo é brincadeira e diversão, aproveitando aquele momento de desastre para diversão própriar. Isso faz com que o filme ganhe mais vida, porém não é o suficiente para um roteiro que não consegue dar carisma para todos os personagens, deixando em certas cenas geladas e sem sentimento algum.

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 25 agosto, 2014 07:01


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