Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta Salomé, de Richard Strauss

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 agosto, 2014 16:09

Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta Salomé, de Richard Strauss

Terceira ópera de Richard Strauss, Salome provocou escândalo proporcional ao enorme sucesso que a levou, em pouco tempo, a se tornar uma das obras do gênero mais encenadas no mundo, despertando o entusiasmo de artistas como o compositor Gustav Mahler, que a descreveu como “uma obra forte e genial, que definitivamente está entre as mais significativas que a nossa época criou”. A Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), celebra os 150 anos de nascimento de Richard Strauss, levando ao palco a obra-prima do compositor alemão em montagem inédita a partir do dia 22 de agosto, criada pelo diretor brasileiro André Heller-Lopes, que também elaborou a cenografia. Ausente há 16 anos do Theatro Municipal, onde estreou no Brasil em 1910, Salome terá cinco apresentações até 29 de agosto, na temporada que integra a programação artística sob a responsabilidade do Maestro Isaac Karabtchevsky. Solista especialmente convidada, a soprano Eliane Coelho se reveza no papel-título com a soprano italiana Cristina Baggio, ao lado do tenor irlandês Paul McNamara (Herodes), o baixo-barítono Licio Bruno (Jochanaan), a mezzo-soprano Carolina Faria (Herodiades) e o tenor Ivan Jorgensen (Narraboth), entre outros. O Maestro Silvio Viegas, que assina ainda a Direção Musical do espetáculo, conduzirá a Orquestra Sinfônica do TMRJ.

Salomé

“A música belíssima e a temática impactante fazem desta obra de Strauss um marco especial do gênero. Teremos ainda o privilégio de contar com grande elenco e a participação especialíssima de Eliane Coelho, papel no qual tem brilhado em mais de uma centena de récitas ao redor do mundo”, comenta Carla Camurati, presidente da Fundação TMRJ.

Salome é uma ópera em um ato, com libreto baseado na peça homônima do inglês Oscar Wilde, em tradução alemã de Hedwig Lachmann, e que, por sua vez, é inspirado em passagens dos Evangelhos de São Mateus e de São Marcos. O Rei Herodes Antipas, da Judeia, no banquete de seu aniversário, embriagado e apaixonado, pede à bela Salomé, sua sobrinha e enteada, que dance para ele, oferecendo o que ela quisesse como recompensa. Salomé, instada pela mãe, Herodíades, pede-lhe a cabeça do prisioneiro João Batista em uma bandeja. Salomé, que nutre uma paixão não correspondida pelo profeta, mostra então toda a sua sensualidade na conhecida “Dança dos Sete Véus”, selando assim o destino de João Batista.

Salome estreou no Brasil em 25 de julho de 1910 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cinco anos depois de sua triunfante estreia mundial, em 9 de dezembro de 1905, em Dresden. Mesmo provocando escândalo e sendo considerada indecente e blasfema, proibida em diversas cidades, a ópera teve fulminante carreira, com apresentações em 50 teatros de ópera pelo mundo em apenas dois anos.

“Salome é uma partitura simplesmente perfeita do ponto de vista psicológico dos personagens. Strauss consegue transportar para a música exatamente o caráter, humor e momento vivido por cada um dos indivíduos que compõem este drama. Além de uma obra-prima orquestral, essa ópera é um exemplo da perfeita transposição de uma peça de teatro para a linguagem operística”, afirma o Maestro Silvio Viegas, diretor musical e regente da ópera.

Diretor cênico e autor dos cenários do espetáculo, André Heller-Lopes reverencia nesta produção a soprano brasileira Eliane Coelho, solista especialmente convidada: “A montagem foi criada em torno da Eliane, que é uma cantora-fetiche de muitos diretores de ópera, como eu. É uma homenagem a ela, especialista no papel”, destaca Heller. Para esta montagem, o diretor procurou entender e humanizar a personagem central: “Ela é uma adolescente descobrindo o desejo sexual, é instintiva, não uma ninfomaníaca”, acredita. O número três, recorrente em diversas passagens da ópera, se materializa na forma de um triângulo, figura central da cena: “Criei cenários a partir dos símbolos mais fortes da ópera, emoldurando o talento das duas Salomés, com centenas de lâmpadas árabes, metros e metros de véus e uma bandeja de prata como piso. Queria uma atmosfera exótica, de um oriente noturno e obsessivo, como imaginado por Oscar Wilde”, detalha. André já havia assinado cenários, com sucesso, em Montevidéu, Buenos Aires, Manaus, Lisboa e Salzburg, mas é sua primeira vez no Theatro Municipal do Rio.

Sucesso desde sua estreia em Aida, no ano passado, o projeto Falando de Ópera terá mais uma edição nesta temporada. São palestras grátis com uma hora de duração sobre o espetáculo a ser apresentado – aos moldes das opera talks realizadas em teatros europeus –, com início uma hora e meia antes do começo da sessão, no Salão Assyrio. As palestras serão apresentadas pelo Maestro Silvio Viegas, regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, que falará sobre a história de Salome e abordará também detalhes específicos desta montagem, da qual ele é também faz a direção musical e a regência.

SERVIÇO
Salomé
Datas: 22, 23, 27 e 29 de agosto
Horário: 20h
Data: 24 de agosto
Horário: 17h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 110 minutos, sem intervalo
Capacidade: 2.244 lugares

Preços

  • Frisas e camarotes – R$ 504,00
  • Plateia e balcão nobre – R$ 84,00
  • Balcão superior – R$ 60,00
  • Galeria – R$ 25,00

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 agosto, 2014 16:09


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