Crítica do filme No Limite do Amanhã

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 26 maio, 2014 17:11

Crítica do filme No Limite do Amanhã

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No Limite do Amanhã
Direção.: Doug Liman
Roteiro.: Christopher McQuarrie e Jez Butterworth & John-Henry Butterworth
Gênero.: Ação, Aventura, Sci-fi
Distribuidora.: Warner Bros. Pictures
Elenco.: Tom Cruise, Emily Blunt, Brendan Gleeson, Bill Paxton, Jonas Armstrong, Tony Way, Kick Gurry e mais.

Avaliação
(2/10)
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Mais uma vez Tom Cruise embarca em uma missão, quase suicida, para conter um raça de alienígenas que planejam uma invasão à Terra, dessa vez na aventura sci-fi NO LIMITE DO AMANHÃ. Com uma narrativa interessante, o longa trabalha com uma linguagem temporal aonde seus protagonistas revivem os eventos do mesmo dia, o que ao longo da projeção perde força e acaba se tornando uma repetição sem sentido.

Invasão alienígena é tema mais que recorrente na cinematografia americana sendo abordado de todas as formas possíveis, desde extraterrestres que querem nos extinguir completamente (quase sempre sem um motivo sólido), até aqueles que chegam tentando ajudar os seres humanos de diversas formas. Durante sua campanha de divulgação, o mais novo blockbuster da Warner Bros., No limite do Amanhã ganhou algumas versões de trailers promocionais que conseguiram mostrar, em poucos minutos, tudo aquilo que o longa em mais de duas horas de projeção não conseguiu. O sci-fi se perde em inúmeras pontas soltas que foram sendo deixadas ao longo do filme, que atrapalha ainda mais a tentativa de contar algo maduro. A história deste filme pode ser comparada a premissa inicial do longa “Contra o Tempo” de 2011, que trabalha também com uma linha temporal similar, mas conta com um desenvolvimento muito mais convincente, maduro, e claro, que consegue seguir um raciocínio logico na sua temática.

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Ambientando em um cenário de guerra, quase que apocalíptico, o roteiro do sci-fi foi escrito por Christopher McQuarrie e Jez Butterworth & John-Henry Butterworth é baseado na excelente graphic novel “All You Need is Kill” de Hiroshi Sakurazaka. O que vemos nesta trama são inúmeras falhas em sua construção, o que atrapalha toda a narrativa do longa, que se sustenta apenas na repetição de cenas, e claro nas cenas de explosões gigantescas para tentar segurar seu público. O sci-fi acompanha o major William Cage (vivido por Tom Cruise), que nunca esteve presente, um dia sequer, em um combate de verdade. As falhas do roteiro são vistas logo no início da projeção, se agravando consideravelmente ao decorrer do filme, aonde Cage é colocado diretamente no campo de batalha, mesmo sem nunca ter sido treinado para isso. Lá ele acaba morrendo minutos após chegar em terra, ele se vê inexplicavelmente num túnel do tempo que o força a viver o mesmo combate brutal diversas vezes, lutando e morrendo de novo… e de novo se tornando um ciclo que parece não ter fim. Depois de inúmeras tentativas ele acaba se ambientando aos acontecimentos, nesse mesmo período ele conhece a guerreira das Forças Especiais Rita Vrataski (vivida pela atriz Emily Blunt), que ajuda Cage a treinar e ganhar mais confiança para juntos assumirem a luta contra os alienígenas, aonde cada batalha repetida se torna uma oportunidade de encontrar a chave para derrotar o inimigo.

Em um clima alucinado do início ao fim, usando e abusando de cenas de explosões, o longa consegue pouco tempo para desenvolver um roteiro mais amplo explorando seus personagens e todo o ambiente criado. Toda ficção cientifica tem por obrigação explicar pelo menos, todo universo criado para tal ambientação que o longa se passa, ou seja, o porque de tudo isso. Porém em No Limite do Amanhã, o que vemos é apenas fatos sendo mostrados sem uma explicação muito convincente para tudo isso acontecer, além, de um erro mais grave ainda, é conseguir tropeçar em suas próprias “invenções”, se sustentando em uma direção que tenta segurar o ritmo do filme. O que não era para menos se tratando de Doug Liman, que já havia realizado longas como “A Identidade Bourne” e “Mr. and Mrs. Smith” (deixemos de lado o péssimo “Jumper” de 2008. Infelizmente o cineasta norte-americano se encontra preso à um roteiro falho, que não explora seu talento, mas mesmo dessa forma ele tenta acrescentar um certo dinamismo para a trama, mas para um filme com 2h de projeção, acaba por seguir repetições maçantes que incomodam e cansam o espectador.

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Um dos motivos para tal falta de empática com o longa num todo, recai sobre seus personagens. O elenco comandado pelo astro Tom Cruise, infelizmente não consegue se destacar, e novamente o galã é jogado em um produção com um roteiro mal explorado, pouco desenvolvido e com personagens que pouco acrescentam para a história.  A construção dos personagens, ou melhor a falta de perfil claro e construção dos personagens no roteiro, acaba deixando o longa sem um brilho e sem uma identificação com estes, o que o roteirista tenta com suas repetições de sempre voltar para um ponto, é criar esse vinculo, através dessas repetições que pouco convence. O mais evidente problema fica para a personagem vivida pela talentosa atriz Emily Blunt, a guerreira das Forças Especiais Rita Vrataski. Personagem este que pouco se conhece, mesmo sendo responsável por influenciar a toda uma nação com sua extrema eficiência e comprometimento na guerra contra os alienígenas. Mesmo sendo co-protagonista de toda a trama, Rita Vrataski quase não acrescenta em nada nos acontecimento que existem no desenrolar da trama, passando quase que desapercebida, sendo responsável apenas pelo treinamento de William Cage. Se por um lado Blunt vive uma personagem mal desenvolvida, do outro lado vemos neste longa um Tom Cruise tentando sair da rotina, algo que nos último longa ele sempre cai no mesmos trejeitos e personagens parecidos, porém devido ao desenvolvimento de seu personagem novamente fracassa. Na pele do major William Cage, Cruise, ainda, consegue trazer um personagem atrapalhado, extremamente medroso e sem confiança alguma em si mesmo, sobrando tempo para sacada cômica que ajuda um pouco a quebra da rotina massante do longa.

Outro problema grave neste sci-fi é a opção por focar nesta dupla de protagonista, deixando de lado todos os personagem, que de certo modo poderiam contribuir para contar melhor a história. Aonde ao longo do filme muitos desses personagens são jogados para trás, ou simplesmente, deixados para morrer de forma imatura.

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Mais uma vez somos levados para os 10 minutos iniciais com um 3D bem feito e bem trabalhado, porém como é de se esperar, tendo em vista que muitas produções fazem isso, o 3D começa a desaparecer após os minutos iniciais e voltamos para nossa realidade que ainda poucas ou quase nenhuma são as produções que são realmente 3D do início ao fim. Com a opção de Efeitos estilo videogame acabam tornando muitas das cenas com um visual diferente, porém pouco convincente e em certos momentos confusas, mesmo que a direção de Doug Liman tente ajudar nisso.

O longa No Limite do Amanhã, é mais uma frustração para os fãs do ator, que sempre sonham e rever Tom Cruise em atuações maravilhosas como em “Vanilla Sky” e “Minority Report: A Nova Lei”. Mais um dos filmes aguardados de 2014 que chega aos cinemas decepcionando e entrando para a lista dos fracassos de 2014.

Flávio Siqueira
Por Flávio Siqueira 26 maio, 2014 17:11


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