Público tem mais uma oportunidade para conhecer o CONCERTO SACRO, de Duke Ellington, agora no Teatro Bradesco

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 maio, 2014 13:06

Público tem mais uma oportunidade para conhecer o CONCERTO SACRO, de Duke Ellington, agora no Teatro Bradesco

Sucesso de público nas duas temporadas realizadas em 2013, até então inédito em Belo Horizonte, o Concerto Sacro, de Duke Ellington, terá nova edição, agora em uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado e o Teatro Bradesco/Minas Tênis Clube. O concerto sela o êxito da união entre o Coral Lírico de Minas Gerais e a Big Band Palácio das Artes, sob a regência do Maestro Lincoln Andrade, Regente Titular do Coral. Serão apresentados os melhores momentos da série de obras sacras do autor, com arranjos dos dinamarqueses John HØybye e Peder Pedersen.

Em outubro e dezembro do ano passado, subiram ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes o canto erudito do Coral Lírico de Minas Gerais e da soprano Rita Medeiros; o swing da Big Band Palácio das Artes; e a precisão improvisada do sapateador Steve Harper. O maestro Lincoln Andrade garante que o público poderá rever essa bela performance nas apresentações dos dias 26 e 27 de maio. “Vamos repetir o espetáculo na íntegra. É um presente para a cidade. Eu espero que as pessoas entendam a mensagem do Duke, ou seja, a liberdade”, destaca o Maestro.

Rita Medeiros vai apresentar diversas peças. Um dos momentos marcantes será a dobradinha que a cantora fará com o Coral Lírico no jingle Sweet, fat and hat, que Ellington compôs para uma marca de adoçantes. Substituindo Steve Harper, o bailarino Charles Renato sobe ao palco para sapatear ao som de David danced before the Lord.

Para a presidente da FCS, Fernanda Machado, o sucesso da apresentação está ligado à qualidade musical. “A música do Duke Ellington é bastante popular nos Estados Unidos. Vamos repetir o concerto para atender aos inúmeros pedidos do público, que também se encantou com o trabalho. Acreditamos que, assim, possibilitaremos que mais pessoas tenham acesso a essa grande obra”.

Causas sociais – Dividida em dez peças, a obra de Ellington traduz as lutas pelas causas sociais da década de 60. Em Freedom, o compositor exalta a liberdade em sete movimentos, que dão o tom ideológico, religioso e musical de todo o concerto. Entre blues, jingles e baladas, a apresentação revelará a obra sacra de Ellington em momentos distintos e especiais. “Há vários coloridos musicais que representam um resumo da linguagem jazzística norte-americana”, comenta Lincoln Andrade.

A apresentação revela o diálogo entre erudito e popular, evidenciado pela qualidade artística dos dois Grupos artísticos envolvidos. “Este é um concerto híbrido. A música das Américas, de um modo geral, é assim. Às vezes, as pessoas ficam tentando rotular a música de popular ou de erudita. Mas, já existe um rótulo: híbrido”, esclarece Lincoln.

A história dos concertos – Duke Ellington raramente expressava sua ligação com a religião em sua música. No entanto, ao completar 66 anos de idade, ele foi convidado a compor uma série de concertos previstos para acontecer nas principais igrejas nos Estados Unidos. Para alguns, o interesse de Duke Ellington pela música sacra pode ter aumentado pelo fato de seu amigo e também compositor Billy Strayhorn ter ficado muito doente e falecer pouco depois da estreia do primeiro concerto sacro, que aconteceu na Grace Cathedral, em São Francisco, em 1965. Para quem não queria ter sua música associada à música de igreja, esse foi o primeiro de uma série de três concertos, compostos e apresentados entre 1965 e 1973.

O segundo concerto sacro foi realizado na Catedral de São João, em Nova Iorque, em 1968. O terceiro aconteceu na catedral de Westminster, em Londres, em 1973, apenas sete meses antes de Duke Ellington falecer. Entre 1966 e 1974, Ellington excursionou com sua banda pelos EUA e Europa com os três concertos sacros. Para as performances, em diferentes lugares, geralmente igrejas, ele utilizava diferentes solistas vocais, sendo a mais famosa a cantora de jazz sueca Alice Babs, e coros locais.

Coral Lírico de Minas Gerais – Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais, corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e que interpreta um repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais.

Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Angela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda e Márcio Miranda Pontes. Seu atual regente titular é o maestro Lincoln Andrade.

O Grupo se apresenta em cidades do interior de Minas e em capitais brasileiras com a proposta de contribuir para a democratização do acesso de diversos públicos ao canto coral. As apresentações têm entrada gratuita ou preços populares. O Coral já atuou com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Lincoln Andrade – Lincoln Andrade possui doutorado em Regência pela Universityof Kansas (EUA), mestrado em Regência Coral pela University of Wyoming (EUA), onde também foi professor assistente e ministrou aulas de canto coral e regência coral. Premiado nos Estados Unidos e na Europa, foi diretor musical do grupo ‘Invoquei o Vocal’, maestro titular do Madrigal de Brasília e do Coral Brasília. Ainda na capital federal, foi professor e diretor da Escola de Música de Brasília. Regeu concertos na Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal e Turquia. É produtor musical, apresentador e entrevistador do programa Conversa de Músico, produzido e veiculado pela TV Senado. Também é professor de regência e coordenador da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ministra palestras sobre regência e canto coral em festivais brasileiros.

Big Band Palácio das Artes – Formada em 2006 como projeto do Curso de Música do Centro de Formação Artística (Cefar), a Big Band Palácio das Artes integra a política do Governo de Minas de fomento e promoção de novos talentos, realizada pela Fundação Clóvis Salgado.

A Instituição é responsável por disponibilizar toda a infraestrutura para a manutenção do grupo e oferecer condições para a profissionalização dos jovens artistas, investindo no apuro técnico, na experimentação e na sua valorização e divulgação junto ao público.

Sob a regência do maestro e arranjador Nestor Lombida, a Big Band Palácio das Artes proporciona aos músicos a oportunidade de participarem de todo o processo de um grupo profissional, desde ensaios, gravações, realização de shows e concertos, além do contato com o público.

A Big Band Palácio das Artes apresenta-se em diversos espaços de Belo Horizonte e em cidades do interior de Minas Gerais. O grupo também participa de eventos importantes na área da música como Savassi FestivalJazz Gerais, Festival Tudo é Jazz e Vi Jazz Blues Festival.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 22 maio, 2014 13:06


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