“Batismo de Sangue”, sobre participação de frades domenicanos entra em cartaz no PROJETO CINE DIREITOS HUMANOS

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 16 abril, 2014 10:00

“Batismo de Sangue”, sobre participação de frades domenicanos entra em cartaz no PROJETO CINE DIREITOS HUMANOS

O ciclo Cine Direitos Humanos – Especial Golpe de 1964, dedicado a obras que tematizam o golpe civil-militar de 1º abril de 1964, por ocasião do cinquentenário da data, encerra-se em 19/04, sábado, às 11h00, com a exibição de “Batismo de Sangue” (2006, 110 min, 14 anos). A sessão é gratuita e acontece no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca (Rua Frei Caneca 569, Consolação, São Paulo).

PROJETO CINE DIREITOS HUMANOS-Batismo de Sangue-PROMO-15ABRIL2014-02

Dirigido por Helvécio Ratton e protagonizado por Caio Blat, Daniel de Oliveira, Cássio Gabus Mendes, Ângelo Antônio, Léo Quintão, Odilon Esteves. Marcélia Cartaxo e Marku Ribas, o filme é baseado no livro homônimo de Frei Betto que foi lançado originalmente no ano de 1983, e vencedor do prêmio Jabuti.

O enredo aborda a participação de frades dominicanos na luta clandestina contra a ditadura militar brasileira, no final dos anos 1960. Movidos por ideais cristãs, eles decidem apoiar a luta armada, e presos e torturados. Um deles, Frei Tito, andado para o exílio na França onde, atormentado pelas imagens de seus carrascos, comete suicídio.

“Batismo de Sangue” foi vencedor dos prêmios de melhor direção e melhor fotografia no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. No Festival de Cuiabá, recebeu os prêmios de melhor trilha sonora e melhor fotografia.

Sinopse do filme

Na cidade de São Paulo, no final da década de 1960, o convento dos frades dominicanos torna-se uma das mais fortes resistências à ditadura militar vigente no Brasil. Movidos por ideais cristãos, os frades Tito, Betto, Oswaldo, Fernando e Ivo passam a apoiar logística e politicamente o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado à época por Carlos Marighella. O grupo dissocia-se após uma conversa entre Frei Diogo e seus frades, de onde se conclui a necessidade de dispersão do grupo a partir de então.

Frei Ivo e Frei Fernando partem para o Rio de Janeiro, onde são surpreendidos e torturados por oficiais brasileiros que, acusando-os de traidores da igreja e traidores da pátria, perguntam por informações sobre o local de reunião do grupo para a posterior captura e execução de seu líder, Carlos Marighella. Após sofrerem tortura, os frades informam aos policiais o horário e o local de reunião do grupo, onde Marighella costumava receber recursos oriundos dos frades. Marighella foi então surpreendido e executado por policiais do DOPS paulista, sob o comando do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Frei Betto refugia-se no interior do Rio Grande do Sul, onde é encontrado, preso, e une-se ao restante do grupo no presídio de Tiradentes, em São Paulo, em 1971. Os frades são posteriormente julgados e sentenciados a quatro anos de reclusão em regime fechado. A única exceção é Frei Tito, que é libertado em troca do embaixador suiço Ehrenfried von Holleben, juntamente com outros presos políticos, em 11 de junho de 1970, e se exila na França.

Sobre o ciclo Cine Direitos Humanos – Especial Golpe de 1964 

Cine Direitos Humanos – Especial Golpe de 1964 reúne sete títulos marcantes da cinematografia brasileira, propiciando diferentes abordagens sobre aquele sombrio período. Foram exibidos na programação “A Memória Que Me Contam”, de Lúcia Murat, “Caparaó” e “Em Busca de Iara”, ambos de Flavio Frederico, “15 Filhos”, de Maria de Oliveira e Marta Nehring, “Ação Entre Amigos”, de Beto Brant, e “Travessia”, de João Batista de Andrade. O ciclo é parte do projeto Cine Direitos Humanos, promovido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, com apoio do Circuito Espaço de Cinema.

Texto da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo sobre o ciclo 

Em 2014 completam-se 50 anos do golpe de Estado praticado em 1º de abril de 1964, responsável pela instalação no país de uma ditadura civil-militar que se estenderia por mais de duas décadas severamente marcadas pelo autoritarismo e por graves violações dos direitos humanos até hoje não esclarecidas totalmente. Trata-se, assim, de uma oportunidade privilegiada para promover a reflexão sobre a valorização da democracia e sobre formas de vivenciar a cidadania pelas ruas da Cidade.

Nessa linha, o Cine Direitos Humanos apresenta, como parte das ações da SMDHC em memória ao cinquentenário do golpe, uma programação especial para tratar da temática, apostando no cinema como ferramenta para disseminar outras perspectivas sobre esse quebra-cabeças de nossa história que tanto custa a fechar.

Sobre o projeto Cine Direitos Humanos 

Com a proposta de exibir filmes brasileiros e internacionais cujo enredo dialogue com temas ligados aos direitos humanos em sessões gratuitas, o projeto Cine Direitos Humanos é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Com curadoria de Francisco Cesar Filho, o projeto promove projeções todos os sábados, às 11h00, no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca. Inaugurado em setembro de 2013, Cine Direitos Humanos já apresentou em pré-estreia os longas inéditos “Nem Caroço Nem Casca – Uma História de Quilombolas”, de Will Martins, “Os Dias Com Ele”, de Maria Clara Escobar, e “Militares da Democracia: Os Militares Que Disseram Não”, de Silvio Tendler.

Outros filmes apresentados foram “O Dia Que Durou 21 Anos” (Camilo Tavares), “Hoje” (Tata Amaral), “Olhe Pra Mim de Novo” (Cláudia Priscilla e Kiko Goifman), ”Flores Raras” (Bruno Barreto), “Estamira” (Marcos Prado), “Uma História de Amor e Fúria” (Luiz Bolognesi), “O Caso dos Irmãos Naves” (Luís Sérgio Person), “Sabotage Nós” (Guilherme Xavier Ribeiro), “Entre A Luz e A Sombra” (Luciana Burlamaqui), “Raça”, (Joel Zito Araújo e Megan Mylan), “O Aborto dos Outros” (Carla Gallo), “Tatuagem” (Hilton Lacerda), “Mataram Meu Irmão” (Cristiano Burlan), “Sobre Futebol e Barreiras” (Lucas Justiniano e José Menezes), “O Retorno” (Rodolfo Nanni), “Muito Além do Peso” (Estela Renner) “Verdade 12.528” (Paula Sacchetta e Peu Robles), “Esse Homem Vai Morrer” (Emílio Gallo), “Sentidos à Flor da Pele” e “À Margem da Imagem” (ambos de Evaldo Mocarzel), “Meu Amigo Cláudia” (Dácio Pinheiro), “O Outro Lado da Rua” (Marcos Bernstein), “Mulheres Africanas – A Rede Invisível” (Carlos Nascimbeni) e uma seleção de curtas-metragens do Festival Entretodos.

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SERVIÇO

Cine Direitos Humanos – Especial Golpe de 1964
Exibição do filme “Batismo de Sangue”, dirigido por Helvécio Ratton (2006, 110 min, classificação indicativa: 14 anos)
19 de abril de 2014, sábado, às 11h00
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca (Rua Frei Caneca 569, Consolação, São Paulo, tel 11-3472.2368)
Entrada franca

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 16 abril, 2014 10:00


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