Coleção de fotografias do Museu Imperial é reconhecida como patrimônio nacional

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 dezembro, 2013 08:01

Coleção de fotografias do Museu Imperial é reconhecida como patrimônio nacional

Na última sexta-feira, 29, o Museu Imperial/Ibram recebeu seu quinto Registro do Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O prêmio foi concedido à “Coleção Sanson”, que reúne 1.374 fotografias estereoscópicas de vidro do início do século XX (entre 1900 e 1930), de autoria do fotógrafo amador Octávio Mendes de Oliveira Castro.

A coleção foi doada ao Museu Imperial pelo casal Luiz Alberto de Sanson e Maria Lúcia David de Sanson, descendentes do fotógrafo, em 2005 e 2009. Além dos positivos em vidro, o Museu recebeu também um caderno manuscrito de Oliveira Castro com o índice das imagens produzidas. Identificado como “Coleção Sanson”, o conjunto recebeu tratamento técnico, sendo catalogado, digitalizado e disponibilizado parcialmente no portal da instituição. Desde então, passou a ser considerado por pesquisadores como um dos mais significativos registros iconográficos do Arquivo Histórico do Museu Imperial.

Imagens da vida doméstica e privada de uma família aristocrática, com seus passeios, viagens e eventos sociais, juntam-se aos registros de importantes eventos ocorridos no Rio de Janeiro, como a grande exposição nacional de 1908 e a exposição internacional de 1922, e de transformações econômicas, como a construção de praças, edifícios e abertura de estradas de ferro e de rodagem em diferentes partes da federação. Como resultado, a “Coleção Sanson” documenta a natureza exuberante do país e o desenvolvimento arquitetônico, urbanístico e paisagístico de diversas cidades do Brasil e do exterior sob o olhar sensível de um apaixonado fotógrafo amador.

Octávio Mendes de Oliveira Castro era filho do barão de Oliveira Castro, industrial e figura proeminente do Império do Brasil, e genro do renomado engenheiro João Teixeira Soares, responsável por inúmeras construções de estradas de ferro. O fotógrafo teve o privilégio de observar e documentar as realizações de seu sogro, bem como as propriedades da família com suas edificações, festejos, empregados e animais; as viagens no Brasil e no exterior; os eventos cívicos, políticos e religiosos; o desenvolvimento urbano e, principalmente, a vida social com seus hábitos e costumes no início do século XX.

A “Coleção Sanson” é constituída de chapas estereoscópicas de vidro do sistema Verascope, que era um sistema padronizado que integrava o filme em chapa de vidro, a câmera e o visor estereoscópico, lançado em Paris, em 1893, pela Maison Richard. As chapas estereoscópicas têm um valor excepcional pelo pioneirismo técnico que possibilitou a popularização da fotografia no Brasil e no mundo, tornando-se um objeto de pesquisa.

Na estereoscopia, a mesma cena era registrada duas vezes, com pequena variação de posicionamento, de modo que, ao inserir o positivo de vidro com a imagem dupla em um aparelho chamado estereoscópio, o espectador a visualiza em três dimensões (3D).

No Museu Imperial, os pesquisadores podem ter acesso aos documentos no Arquivo Histórico. As consultas devem ser agendadas com, no mínimo, dois dias de antecedência pelo e-mail mimp.arq.historico@museus.gov.br ou pelos telefones (24) 2233-0327 e 2233-0315. Parte da coleção também pode ser consultada no site www.museuimperial.gov.br, no link do Projeto DAMI (Digitalização do Acervo do Museu Imperial).

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 dezembro, 2013 08:01


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