Festival Panorama chega à 22ª edição e ocupa novos espaços na cidade do Rio de Janeiro

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 24 outubro, 2013 19:02

Festival Panorama chega à 22ª edição e ocupa novos espaços na cidade do Rio de Janeiro

Com um primeiro fim de semana ocupando todos os espaços da Cidade das Artes, uma exposição performática de oito horas por dia no Museu de Arte do Rio (MAR) e mais de 23 artistas internacionais em teatros e centros culturais cariocas, o Festival Panorama, maior evento de dança e artes do corpo do Brasil e um dos mais importantes da América Latina, será realizado de 25 de outubro a 10 de novembro. Em sua 22ª edição, o festival traz nomes consagrados, como o grupo belga Rosas, o francês Xavier Le Roy e o espanhol Roger Bernat.

O Panorama terá atrações a preços populares e por toda a cidade. Dança, performance, música, artes visuais e cinema estão na programação, tendo como foco o corpo como centro da arte. Na ocupação da Cidade das Artes, no primeiro fim de semana, a programação terá seis espetáculos e performances por dia ocupando os teatros, as áreas externas e os jardins, com atividades que incluem piqueniques, workshops, leituras e outras atividades de manhã à noite.

Uma grande festa no sábado vai marcar a abertura da maratona que até o dia 10 vai passar ainda pelo novo MAR, a Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), a Casa França-Brasil e o Oi Futuro no Flamengo, além dos teatros João Caetano, Carlos Gomes, Caixa Cultural e Sérgio Porto.

O grupo Rosas, da Bélgica, é a principal atração da abertura, com “Cesena”, que reúne 19 bailarinos e cantores e chega agora ao Brasil. Fundada pela coreógrafa e bailarina Anne Teresa De Keersmaeker, a companhia belga é uma das mais prestigiadas no cenário internacional de dança. Apresentada pela primeira vez no Festival de Avignon, na França, “Cesena” é uma associação de Anne Teresa e do Rosas com o grupo vocal Graindelavoix, também belga, em que cantores e dançarinos expressam suas habilidades até o limite, interagindo com a Ars Subtilior, estilo musical vocal do século XIV que floresceu em Paris, no sul da França e em Avignon.

Marcando o centenário este ano do balé “A sagração da primavera”, do bailarino e coreógrafo Vaslav Nijinsky (1890-1950) e do compositor Igor Stravinsky (1892-1971), o Panorama traz uma programação especial de obras que se inspiraram neste ícone do século 20. Xavier Le Roy usa a música para uma nova coreografia e Roger Bernat recria a versão de Pina Bausch para a “Sagração”, tendo o público carioca como intérprete.

Ocupação do espaço urbano é uma das linhas da programação

Outra linha da programação é a relação do corpo e do cidadão com a cidade e a ocupação do espaço urbano. Segundo Nayse López, diretora geral do Festival, a ideia é propor performances em paisagens urbanas, e que refletem sobre a construção da memória. No fim de semana de abertura, em um novo projeto voltado para a criação carioca, o festival se associa à Cidade das Artes em três estreias feitas para os espaços do complexo artístico com este objetivo. As criações são de João Saldanha, Gustavo Ciríaco e Denise Stutz. Marcela Levi também faz um novo trabalho para o Panorama, e propõe uma caminhada poética no Centro do Rio, onde o tempo acelerado de hoje freia para revelar uma relação de outra velocidade com a cidade.

No Parque Lage, uma mostra de trabalhos de seis artistas iberoamericanos marca a volta do projeto coLABoratório e repete o enorme sucesso das Tardes no Parque, onde a dança a performance levam milhares de cariocas ao jardins e espaços da EAV durante o segundo fim de semana do festival.

O último fim de semana ocupa o eixo CCBB e Casa França-Brasil com performances, música e uma mostra de filmes. A programação na Casa França-Brasil é em parceria com o Happenings, evento de música e performances com curadoria de Batman Zavareze, que desde 2012 é um projeto associado ao Panorama.

Com atrações para todos os públicos, a programação traz mais uma vez o Panoraminha, com espetáculos idealizados especialmente para o público infantil.

Espaços de pensamento

Além dos espetáculos e outras atrações, o Panorama este ano dedica dois momentos ao pensamento em dança e arte contemporânea. Um encontro de três dias no Oi Futuro no Flamengo vai reunir dezenas de grupos de pesquisa em artes e revelar novas práticas e desafios da universidade hoje.

No MAR, um seminário reunirá vários temas da programação numa série de encontros sobre documentação histórica e dança, movimentos artísticos e movimentos sociais, com convidados nacionais e internacionais.

As companhias internacionais que estarão no Panorama também se apresentarão em outros estados. O Rosas leva “Cesena” para São Paulo, nos dias 23 e 24 de outubro, no SESC, assim como a francesa Olivia Grandville. A companhia portuguesa Real Pelágio, de Silvia Real vai, além de São Paulo, para Belo Horizonte e Fortaleza, e os artistas também portugueses Vítor Roriz e Sofia Dias passarão no Festival Contemporâneo de SP e na Bienal de Fortaleza.

Sobre o Festival Panorama

Criado pela coreógrafa Lia Rodrigues em 1992, o Festival Panorama nasceu do desejo de se construir um espaço para apresentação e discussão da dança contemporânea no Rio de Janeiro. Ao longo dos seus 21 anos de história, o evento já reuniu mais de 350 companhias nacionais e internacionais, ficando reconhecido como um dos festivais de artes do corpo mais importantes da América Latina.

Sem fins lucrativos, o Panorama se diferencia por possibilitar o acesso democrático ao universo da experimentação artística. Inicialmente centrado na dança, seguiu a própria tendência da dança contemporânea de mesclar linguagens e se tornou um evento multidisciplinar que contempla projetos em que a matéria-prima artística é o corpo e os resultados são surpreendentes. Seu principal objetivo é provar que excelência artística e ingresso popular é uma combinação não só possível, mas também a mais democrática.

Preocupado em expandir sua atuação também para a formação profissional e de público, o Festival constrói laços de parceria com universidades, escolas e organizações no intuito de promover o conhecimento artístico.

Oferecendo palestras e propondo discussões, o Panorama trabalha com a preparação de crianças e jovens para o contato com o conteúdo de experimentação artística. No ano passado, mais de dois mil ingressos distribuídos pelo festival possibilitaram que crianças, adolescentes e adultos – e seus professores – de diferentes contextos sociais tivessem o seu primeiro contato com espetáculos de artes cênicas.

O Festival Panorama tem como diretores Nayse López (diretora geral), Catarina Saraiva (diretora artística e de produção) e Renato Saraiva (diretor executivo), e é realizado pela Associação Cultural Panorama, dirigida por Eduardo Bonito e Nayse López.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 24 outubro, 2013 19:02


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