Companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros estreia o espetáculo de dança e música “Espaços Invisíveis”, no Paço das Artes

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 31 julho, 2013 16:09

Companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros estreia o espetáculo de dança e música “Espaços Invisíveis”, no Paço das Artes

Inspirada na cidade de São Paulo, principalmente em sua relação com seus habitantes, transeuntes, ritmo e lugares, a companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros estreia o espetáculo de dança e música “Espaços Invisíveis”, no Paço das Artes, em 1º de agosto. A temporada é curta, até o dia 18, com apresentações gratuitas de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 18h. No dia 10, sábado, não haverá sessão; e no último dia, duas, às 18h e às 20h.

No amplo subsolo do Paço das Artes, sem divisórias entre plateia e palco, sob a direção de Alex Ratton, os cinco intérpretes-criadores e Gregory Slivar, responsável pela trilha original, ocupam diversos pontos simultaneamente para explorar diferentes maneiras de relação com o espectador. Os bailarinos tocam em cena acordeom, bateria, percussão e escaleta; o compositor entra com o piano.

Os figurinos são de Fause Haten e foram desenvolvidos com roupas já confeccionadas. “Uma saia é feita com uma camisa ou por várias saias, por exemplo; e camisetas viram tecido para outra peça. Inspirado pelas interferências artísticas dos bailarinos na cidade, peguei roupas de outras pessoas que andaram pelas ruas para grudar no corpo deles, em visuais híbridos, de feminino e masculino, de criança, punk, esportivo e glamouroso”, explica o figurinista.

No primeiro momento, o público se depara com uma tela com transparência com uma cidade estilizada. O pano cai, o espaço se abre e as duas pranchas móveis (com rodas e cadeiras fixadas – para acomodar 8 pessoas) adentram. O espectador pode escolher ainda ser pedestre, usar a própria bicicleta ou pegar uma emprestada com a produção do espetáculo. A ideia é possibilitar ver a performance de formas variadas, fazendo um paralelo com as opções de locomoção urbana.

O público ficará livre para percorrer o espaço. “Todo mundo estará no meio da cena, o espectador vira protagonista. Queremos provocar a sensação de descoberta como a de quem chega a uma cidade nova com olhar curioso”, diz o diretor Alex Ratton.

Os trabalhos da companhia mesclam contato improvisação e referências de improvisação da dança, do teatro e da música e visam diminuir o distanciamento entre público, artista e obra

Em seu quinto espetáculo, o grupo verticaliza sua pesquisa fazendo da cidade o objeto principal; o tema indivíduo-cidade foi explorado no anterior, “Lugar do Outro”. São as possibilidades de viver e pensar o espaço habitado que os artistas propõem trocar com o público – não a metrópole real, mas a imaginária e sentida, como as cidades invisíveis de Italo Calvino: ‘‘… a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana”.

Centro

O desenho de luz de Cristina Souto direciona o olhar do espectador para as cenas, que foram construídas a partir de 15 vivências artísticas dos intérpretes-criadores nas ruas do Centro de São Paulo. Elas foram desenvolvidas assim: o bailarino andava pela cidade com uma pessoa querida em mente, imaginava o que ela faria e transformava isso em dança. Tudo foi registrado em relatos escritos, visuais e verbais e aproveitado em cena.

Os melhores momentos das performances na rua são projetados em um telão. Em dois pontos do subsolo, haverá fones de ouvido fixos com narrações dos bailarinos sobre as intervenções que serviram como matéria-prima para a dramaturgia, que nasceu da relação deles com a metrópole.

“Cada bailarino escreveu uma carta para a pessoa querida, fonte de inspiração da sua intervenção urbana. As mensagens foram trocadas; então cada intérprete-criador faz em cena um solo com base na imaginação e emoção do outro. Carolina Callegaro, por exemplo, criou na ponta dos pés a performance baseada na narração sobre uma mulher que era fascinada por sapatos, entrava nas lojas, experimentava todos, sem levar nenhum”, conta Alex Ratton. No começo da encenação, cinco solos espalhados pelo subsolo são realizados ao mesmo tempo.

O grupo também foi em um lounge a céu aberto de um hotel chique de São Paulo, o Unique, usando roupas mais sofisticadas e desconfortáveis para desenvolver o duo quase clownesco de Carolina Callegaro e Laila Padovan. Os duetos evoluíram a partir das proposições pela cidade de maneira fiel ou alterada.

Depois, durante um dos solos de Clara Gouvêa, som de percussão, vocal tribal e coreografia baseada no movimento punk e nas manifestações de rua que assolaram o Brasil recentemente tomam conta do espaço.

Em seguida, cadeiras são oferecidas para quem quiser sentar. Os artistas tocam, dançam e recitam trechos poéticos sobre suas experiências urbanas ao pé do ouvido do espectador, surpreendendo outra vez.

SERVIÇO
Espaços Invisíveis
Temporada: de 1 a 18 de agosto, de quinta a sábado, 21h, e domingo, 18h. Não haverá espetáculo no dia 10, sábado. No domingo, dia 18, duas sessões, 18h e 20h.
Paço das Artes na USP, subsolo
Endereço:
Avenida da Universidade, 1 (entrada pelo portão principal da Cidade Universitária), Butantã
Tel. 11 3814-4832
Site: www.pacodasartes.org.br
Capacidade: 70 lugares
Grátis
Distribuição de ingressos, uma hora antes da apresentação. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Duração: 60 minutos
RECOMENDAÇÃO etária: livre

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 31 julho, 2013 16:09


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