Jagged Little Pill | Disco de estréia de Alanis Morissette completa 18 anos de seu lançamento

Felippe Alves
Por Felippe Alves 14 junho, 2013 12:00

Jagged Little Pill | Disco de estréia de Alanis Morissette completa 18 anos de seu lançamento

A Frequência Não Modulada desta semana se trata de outra comemoração. Eis outro post que não é um mero post, se é que me entendem. Esse álbum fez parte da adolescência de muita gente (inclusive deste que vos fala). Os fãs desse álbum possivelmente se relacionam com a raiva, com a ira da jovem Alanis Morissette. Seu disco de estréia Jagged Little Pill, ganhador de 4 Grammy Awards, completa 18 anos de seu lançamento e é detentor do título de Disco de Estréia Mais Vendido por uma Cantora no mundo inteiro. Enquanto vocês lêem, que tal ouvir o dito cujo?

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Na verdade, esse é o primeiro álbum da cantora lançado internacionalmente. Alanis havia lançado os álbuns “Alanis”, de 1991, e “Now is the Time”, de 1992, somente no Canadá, álbuns que fizeram um sucesso considerável por lá. Com o programa infantil exibido pelo canal Nickelodeon em 1987 “You Can’t Do That on Television”, shows de calouros e mais algumas pontas que fez na TV, ela pode juntar uns trocados e pagar suas fitas demo. Desde nova, Alanis teve noção do que é a indústria fonográfica e do quão difícil era se estabelecer… até que um dia, ela finalmente conseguiu os holofotes. E muito rapidamente, por sinal.

Em fevereiro de 1994, Alanis se mudou para Los Angeles, Califórnia, com o intuito de procurar por novos produtores, novas parcerias e, além de tudo, dar uma nova cara à sua música. Foi aí que apareceu Glen Ballard, renomado produtor que já havia trabalhado com o astro pop Michael Jackson e futuro produtor do álbum que marcaria pra sempre a carreira da jovem Alanis.

As gravações se deram no estúdio pessoal de Glen em Los Angeles e Alanis teve colaborações importantes como Flea e Dave Navarro, baixista e guitarrista (até então) respectivamente, da banda de rock californiana Red Hot Chili Peppers. Desde o início, Alanis e Glen se deram muito bem. Ele foi uma espécie de mentor para ela, sempre incentivando-a a colocar tudo pra fora, sempre com muita emoção. Na verdade, ela tinha tanta emoção que às vezes era necessário dizer para ela baixar um pouco a bola. Brincadeira a parte, a boa relação entre os dois só ajudou a fluir cada vez mais o processo de composição das letras e das melodias do disco.

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Como Alanis conseguiu o contrato? Em 1992, Madonna criou a Maverick Records, filiada da Warner Brothers Records. E…? E daí que três anos depois, o empresário da rainha do pop, Guy Oseary, ouviu a fita demo de Alanis e, impressionado, a chamou para o estúdio para mostrar “o que a canadense tem”. Ela colocou “Perfect” pra tocar. Guy se arrepiou com aquelas letras e arranjos maduros para uma jovem de 21 anos e naquele momento teve certeza de que deveria contratá-la: “vamos lá, dê uma chance e contrate a garota revoltada e emocional”. Sério. Sem nem ouvir as outras músicas, só tendo ouvido “Perfect”, ele já tinha certeza que queria contratá-la. Ao sair do estúdio, Alanis finalmente conseguiu o que tanto almejava. E isso foi só o começo.

Soaria pretensioso dizer que o Jagged Little Pill é um álbum autobiográfico? Pensemos: letras maduras e arranjos revoltados de uma menina que lutava contra seus demônios e que definitivamente precisava exorcizá-los? Essa certamente foi a melhor forma, não acham? A Revista Rolling Stone publicou um artigo interessante que dizia: o “21” da Adele é o “Jagged Little Pill” dessa geração.

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A comparação é sensata. Se pararmos pra pensar, ambas as cantoras expoem suas almas ao extremo: são albuns que falam pro coração. Alanis, raivosa. Adele, estrela do coração partido. Ambas as cantoras tem os mesmos sentimentos, digamos assim. Só que uma foca mais na raiva, a outra no emocional.

Jagged Little Pill foi a passagem da puberdade pra vida adulta de Alanis. É engraçado dizer o termo “puberdade” com tanta propriedade, logo no “primeiro disco” dela. No primeiro single do álbum, You Oughta Know, Alanis grita com seus vocais poderosos a fúria pela traição de um ex-namorado. Em Hand In My Pocket, ela fala das diversas situações que a vida nos coloca – boas ou ruins – mas que apesar disso, tudo vai ficar bem e que devemos manter a esperança e o otimismo sempre.

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Ironic… Uma das melhores, se não a melhor letra do disco: fala das peças que a vida nos prega sem prévio aviso (oi). A vida tem um jeito engraçado de fazer com que tudo exploda na sua cara quando tudo está indo bem, assim como ela tem a capacidade de te ajudar nos piores momentos da vida. Em You Learn, ela explica que em tudo na vida se aprende uma lição, não importa o quão dolorosa ela seja.

Head Over Feet foi outro ponto alto do álbum, em que ela se diz apaixonada por uma pessoa a qual não pretendia sentir nada. Engolida pelo sentimento, viu que não podia mais lutar contra. O último single do disco, All I Really Want, primeiramente chamada de “The Bottom Line”, não teve um clipe oficial e sim imagens de outras apresentações ao vivo como You Oughta Know e Hand In My Pocket.

O álbum vendeu 30 milhões de cópias mundialmente e mostrou que uma novata pode desbancar cantoras com anos de experiência (Mariah Carey e suas 6 indicações pelo Daydream, grande álbum). Um exemplo disso: o disco foi indicado a seis categorias no Grammy Awards 1996, ganhando quatro estatuetas: Melhor Performance Vocal de Rock Feminina e Melhor Canção Rock para You Oughta Know, Melhor Álbum de Rock e Álbum do Ano.

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No aniversário de uma década do álbum, Alanis se juntou novamente a Glen Ballard pra matar a saudade dos velhos tempos e tomar uns drinks. Foi então lançado o Jagged Little Pill Acústico, uma releitura interessante com arranjos assim digamos, mais espirituais. As mesmas músicas, na mesma ordem, porém como se dissessem: “olha só o meu passado, sobrevivi a ele, hoje eu dou risada na cara dele”.

Jagged Little Pill: um álbum cru, sem mimimis e vocalmente poderoso. Alanis realmente acertou a mão nesse álbum. E sabem por quê? Porque é verdadeiro. Um álbum que transmite a agressividade, a dor e a angústia de uma jovem que não esconde absolutamente nada. Na cara. Na lata. Perfeição em forma de disco. Um pedaço intenso de arte.

Felippe Alves
Por Felippe Alves 14 junho, 2013 12:00


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