Paço das Artes convida o artista Carlos Dias para uma grande e inédita exposição individual

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 14 fevereiro, 2013 18:10

Paço das Artes convida o artista Carlos Dias para uma grande e inédita exposição individual

O Paço das Artes promove a abertura da exposição “Um Paço aoseualcance” de Carlos Dias. Neste dia o evento contará com a participação dos músicos Rodrigo Brandão e Maurício Takara que, junto do artista, apresentarão uma música inédita, parte da exposição.

Carlos Dias exibe trabalhos inéditos produzidos durante o ano de 2012, além de instalações, performances, vídeos e workshops. A exposição ficará em cartaz até o final de março. Nessa exposição não serão apresentadas apenas as obras, mas também um pouco do processo criativo do artista, sua pesquisa de imaginário, gráfica e musical, além de suas incursões por diversos suportes e mídias, bem como seu intenso processo de colaboração com outros artistas e experiências de interatividade com o público.

Carlos Dias é um artista de quase 40 anos e que atingiu grande relevância dentro do circuito de arte contemporânea. Ele fala com um espectro muito amplo de público, tendo seu trabalho presente nas coleções mais tradicionais e, ao mesmo tempo, sendo admirado por um público muito jovem e urbano. Carlos consegue atingir a excelência artística em seu trabalho sem perder a ligação com as linguagens jovens e contemporâneas, como o graffiti, a sticker art, a video art e a web art.

“O hibridismo de linguagens característicos das obras do Carlos Dias, somados ao experimental de seu trabalho, que dialoga com diferentes mídias, vão fortemente ao encontro do trabalho que o Paço das Artes exerce como espaço voltado para o experimental e a arte contemporânea. Além disso, a programação vai além da exposição e se desenrola nas apresentações musicais e oficinas. Intensa e multifacetada, ela caracteriza, mais uma vez, o caráter plural de nossa programação”, revela Priscila Arantes, diretora e curadora da instituição.

O espaço expositivo idealizado pelo artista traz referências dos cenários de filmes expressionistas alemães, sem ângulos retos e com perspectivas distorcidas. Abrindo o percurso, temos um grande corredor que vai afunilando como se as paredes estivessem se fechando a nossa volta. Em seguida, surgem algumas “saídas” para a área de projeção de vídeos e para as instalações de site specific. Além dessas áreas, o público encontrará a “grande oficina”, área onde serão realizados vários workshops e que estará em constante mutação, pois trabalhos feitos com a participação do público serão agregados ao espaço expositivo depois de cada workshop.

Carlos é um artista transita por diversas mídias, criando hibridações e experiências, às vezes surpreendentes, como o karaokê-vídeo-arte, peça que instiga o público a participar cantando ou a “Troca de desenhos”, arte-situação em que o público troca de fato desenhos com o artista dentro de uma sala-instalação. Usando linguagens comuns e novas, misturando música, performance, artes gráficas, animação, vídeo arte, instalação, site specific, fotografia, muralismo entre outras, o artista procura uma aproximação efetiva com seu público. “Minha produção envolve múltiplas linguagens, que se conversam e se misturam em cada uma das minhas obras. Gosto de usar meios populares e até massificados, como vídeo-clipes, shows de música ou fotografias digitais na internet, mas uso também meios tradicionais, como a pintura, a colagem e a instalação de cunho conceitual. Essa é uma característica presente no meu corpo de trabalho, o híbrido e experimental que resulta da mistura entre o analógico e o digital – isso me fascina”, explica Carlos Dias.

Carlos é um pintor gestual e a sua prática está próxima da action painting, sendo que seu trabalho é frequentemente associado com o expressionismo do começo do século passado, a transvanguarda dos anos 80, além de Philip Guston ou Basquiat. Mas essas ligações se dão muito mais pela importância da gestualidade na sua pintura, do que pelo conjunto conceitual e contexto que envolve sua obra. A pintura é realmente essencial no trabalho de Carlos Dias, mas a complexidade do conjunto da sua obra se compara melhor ao trabalho de artistas como Karel Appel, Alechinsky e outros do Cobra (sigla que referencia as cidades-base do movimento: Copenhagen, Bruxelas e Amsterdam), pois o vigor aparece nas pinturas viscerais, e também no uso intensivo de mídias diversas, como a poesia e performance, bem como o desejo do contato direto com as pessoas e com o espaço público.

Nos anos 90, Carlos Dias participa de muitos movimentos artísticos emergentes, juvenis e urbanos que seduziram as gerações juvenis da época, focado na cultura, como o hip hop, o punk, o hardcore, o skate, o movimento dos fanzines e a street art. Todo esse ambiente cultural envolve novas linguagens e territórios, como o espaço público e a internet. A pesquisa de linguagem que brotou desse contexto agrega ao seu trabalho, grande empatia com as novas gerações, com quem o artista consegue se comunicar de modo único.

“A primeira coisa que noto quando as pessoas veem as minhas obras é que elas tomam um choque. Não sei como entendem, mas sinto que minhas pinturas e instalações mexem com alguma coisa dentro delas; acredito que provoca uma espécie de ‘ilusão caótica’, mas que no fundo a pessoa se identifica e vê uma lógica. Embora tenha todo esse lance de ser caótico e barulhento, aquela é a forma subjetiva e sutil como me comunico.”

Essa exposição no Paço das Artes celebra um momento importante para a carreira e reconhecimento do artista dentro do mundo da arte contemporânea. “Mesmo já tendo exposto em outros museus, como no Masp, agora é a hora que vou mostrar a minha cara, só o meu trabalho, mostrar o que eu fico pintando de madrugada. Embora eu encare esse momento com certa frieza, sei que quando as obras estiverem expostas, elas não irão mais me pertencer, e isso dá um pouquinho de frio na barriga. Sempre dá, né?”, finaliza.

Carlos Dias

Nasceu em Porto Alegre, em 1974, e morou muitos anos em São Paulo, onde participou ativamente de manifestações culturais juvenis nos anos oitenta e noventa: skate, punk, hardcore, graffiti, street art etc. Carlos construiu um mundo psicodélico, pop e expressionista, povoado por personagens surreais em cenários caóticos, que o levou a participar de diversas exposições, incluindo uma coletiva em Los Angeles, chamada São Paulo, além de sua última individual no Acervo da Choque e também da coletiva “De Dentro Pra Fora, De Fora Pra Dentro” no Masp em 2010.

Sua expressividade barulhenta dialoga abertamente com a música do Againe, Polara, Caxabaxa e outras bandas formadas pelo artista ao logo das últimas décadas. Carlos é músico, compositor, performer e autor de alguns sucessos gravados por bandas pop, como CPM 22 ou Cansei de Ser Sexy. Mais informações: carlosdiasaoseualcance.tumblr.com.

SERVIÇO
UM PAÇO AOSEUALCANCE | INDIVIDUAL DE CARLOS DIAS (ASA)
Abertura: dia 25 de janeiro, sexta-feira, às 18h
Visitação: de 26 de janeiro de 2013 a 24 de março de 2013
Terças a sextas das 11h30 às 19h
Sábados, domingos e feriados das 12h30 às 17h30
Grátis

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 14 fevereiro, 2013 18:10


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