Lady Gaga | Estrela pop chega ao Brasil com sua “tão esperada” Born This Way Ball

Felippe Alves
Por Felippe Alves 9 novembro, 2012 12:00

Lady Gaga | Estrela pop chega ao Brasil com sua “tão esperada” Born This Way Ball

Pela primeira vez aqui na Frequência Não Modulada, o assunto é o maior fenômeno pop recente: a estrela nova yorkina Stefani Germanotta, popularmente conhecida como Lady Gaga. O foco aqui não é fazer um especial sobre ela (havia planejado para março de 2013, pra coincidir com o aniversário dela e, claro, se sobrevivermos ao apocalipse) e sim para termos uma breve conversa sobre sua primeira visita ao Brasil com sua turnê “Born This Way Ball”. A tão aguardada “Born This Way Ball”.

De fato, os “little monsters”, apelido carinhoso dela para seus fãs, realmente sonhavam com a vinda de Gaga ao Brasil. The Born This Way Ball, nas palavras da própria, é uma ópera-pop electro-metal; a história do início, o gênesis do Reino da Fama. Como nós nascemos e iremos morrer celebrando. A turnê vai passar pelo Rio de Janeiro hoje (9), por São Paulo no domingo (11), terminando em Porto Alegre na terça (13).

Eu disse “tão aguardada”? Pois é. Sob a premissa de que a turnê está sendo ardorosamente aguardada, espera-se que os ingressos estejam todos esgotados – assim como toda aquela loucura de pré-venda de shows internacionais. Mas acredite se quiser: Lady GaGa não está com essa moral toda no Brasil, não. Lá fora pode vender horrores, mas aqui… Enfim, se fosse só no Brasil… A coisa tá bem preta em toda a América Latina. Em São Paulo foram vendidos pouco mais de 33 mil ingressos, sendo que o total é 65.552. O show que aconteceu em Bogotá dia 3 de novembro vendeu 21 mil ingressos, para capacidade máxima de 38 mil. Isso mesmo, 17 mil ingressos que não viram uma mísera palma da mão. No Peru, de 52 mil ingressos foram vendidos só 13 mil. Ainda assim, Gaga distribuiu McDonald’s pros fãs que ficaram na porta do hotel no Rio.

Tendo em vista essa situação precária, a liquidação achou seu lugar ao sol. “Na compra de um ingresso de qualquer setor, ganha outro inteiramente grátis”, promoção da Riachuelo, patrocinadora do show. A produtora responsável pelos shows aqui no Brasil, Time For Fun, também facilitou as coisas: os ingressos poderiam ser parcelados em até 10x sem juros. Quando que faziam isso aqui? Quando? O que o desespero não faz? E isso não servia só pra Gaga não, servia pra outros shows como o da Madonna, da Joss Stone e etc. Até o Peixe Urbano entrou na dança: ingressos de inteira sendo vendidos pela metade do preço. Quem diria que a megaprodução de Lady Gaga seria reduzida dessa forma? Até foi criado um tumblr: “Ganhei o ingresso da Gaga”, que se trata de fotos de ingressos encontrados em maços de cigarro, pacotes de salgadinhos e até dentro de livros do Paulo Coelho. É, não tá fácil pra ninguém. Confira: http://acheioingressodagaga.tumblr.com/.

O fiasco na venda de ingressos na América Latina em nada tira o mérito da produção. No palco, situa-se um imenso castelo medieval. Depois que as portas se abrem, aparece uma barriga com uma vagina gigante, de onde sai Lady Gaga. Ela “renasce” a cada show, começando com Born This Way. Nada mais oportuno, não? Os sintetizadores a la anos noventa, o brilho das projeções oitentistas, as 18 trocas de roupa – entre elas o soutien de pistolas de Alejandro e o famoso vestido (agora maiô) de carne – e as mensagens de autoajuda compõem, em sua maioria, o show. Quem disse que Lady Gaga é plastificada e montada como um fantoche por um empresário por trás de tudo? Tudo o que ela faz tem um conceito. É sempre muito artística e toma as rédeas da produção de cada momento seu, juntamente com a Haus of Gaga, sua equipe criativa.

Gaga é muito atenciosa com os fãs, conversa bastante com eles nos intervalos das canções. Discursos clichês, mas que tem um efeito gigantesco para os fãs que, por sua vez, são inseguros quanto sua aparência e etc. No mais, Gaga defende a autoaceitação: “no matter gay, straight or bi, lesbian, transgendered life, I’m on the right track, baby I was born to survive”, diz os versos da letra de Born This Way. O show não é composto só de dança. Hair, Yoü and I e Electric Chapel contam com versões acústicas, ao piano, sensacionais, que servem nada menos para ressaltar o vocal poderoso da cantora.


O disco [Born This Way] é bem diferente do The Fame e do The Fame Monster. Ele tem os elementos dos discos anteriores, a batida eletrônica e os refrões eurodance. Só que, por outro lado, ele soa bem mais verdadeiro e pessoal. Gaga mescla, brilhantemente, a ópera, o rock n roll e o heavy metal a elementos do electropop e do synthpop. Essa mescla de estilos pode soar o samba do crioulo doido pra você, fã ou não. A primeira ouvida, o disco pode confundir tudo. Mas quando você ouve de novo, não pára mais de ouvir. Até a sequência das faixas soa sensata. Destaques para Marry The Night, Born This Way, Bloody Mary, Black Jesus + Amen Fashion (excelente faixa e que soa muito Madonna, por sinal) e, claro, Yoü And I, uma belíssima balada country/rock que sampleia We Will Rock You do Queen e conta com a participação mais que especial do guitarrista da banda, Brian May. A produção é de Robert “Mutt” Lange, que já produziu AC/DC, Def Leppard, Shania Twain, etc. Sem mais delongas, o disco abriu (e muito  bem) a nova década.

Acredito que a venda mal sucedida dos ingressos para a Born This Way Ball em nada vai atrapalhar os planos de Lady Gaga de se manter na ativa por mais 25 anos. Ela já mostrou a que veio, está sempre compondo e produzindo suas músicas e defendendo os ideais dos fãs, que a consideram uma mártir de verdade. Ainda se mostrando forte e destemida, o sucesso dela no futuro pode parecer, por vezes, uma incógnita. 

Sabe como é, ela teve que adaptar a sonoridade dela pro que mais toca na rádio, se vendeu para o “hollywood dream”. Quem sabe um dia ela volte às origens, gravando um disco com a sonoridade “before the Fame”, aquela pegada glam rock a la Queen e Elton John. Quem sabe a Stefani resolve voltar da tumba? Tom de cabelo castanho, vestir um jeans e uma camiseta rasgada…

Melhor parar de aliciar. Stefani ou Gaga, não importa. Ela provou a que veio e que ainda tem muito pra mostrar. Então, cariocas: put your paws up tonight. E paulistanos: domingo é a vez de vocês.

Put your drinks up for Gaga!

Antes e depois

Felippe Alves
Por Felippe Alves 9 novembro, 2012 12:00


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