Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta RIGOLETTO, de Verdi

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 9 julho, 2012 11:09

Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta RIGOLETTO, de Verdi

‘Revolucionária’ na definição do próprio autor − o compositor italiano Giuseppe Verdi − e imortalizada por árias de enorme popularidade como La donna è mobile, a ópera Rigoletto ganha nova versão assinada pelo diretor ítalo-brasileiro Pier Francesco Maestrini, que abre, em 8 de julho, a temporada lírica 2012 do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – vinculado à Secretaria de Estado de Cultura. No papel-título, um dos principais intérpretes verdianos de sua geração, o italiano Roberto Frontali se reveza ao longo da temporada com o premiado barítono brasileiro Rodolfo Giugliani (Rigoletto). O elenco de alto nível conta ainda com as sopranos Artemisa Repa e Lys Nardoto (Gilda); os tenoresFernando Portari e César Gutiérrez (Duque de Mântua); o baixo Sávio Sperandio (Sparafucile); a mezzo-soprano Adriana Clis (Magdalena), e o barítono Manuel Alvarez (Monterone), entre outros. Para conduzir a Orquestra Sinfônica e Coro do Theatro Municipal foi convidado o maestro português Osvaldo Ferreira.

“Escolhemos uma obra fundamental do repertório operístico mundial, de grande beleza musical e forte carga dramática, para esta abertura da temporada lírica de 2012, que é também o Ano da Itália no Brasil”, explica Carla Camurati, presidente da Fundação Teatro Municipal.

Com mais de 80 montagens no currículo desde sua estreia em 1993, em Tóquio, com O Barbeiro de Sevilha, o diretor Pier Francesco Maestrini dará especial atenção ao lado psicológico dos personagens em sua sexta montagem no Brasil. O drama vivido pelo bobo da corte Rigoletto e sua filha Gilda, inspirado na peça Le Roi S’amuse, de Victor Hugo, tornou-se uma das obras mais importantes da carreira de Verdi, ao marcar um período de maturidade musical do compositor e representar uma ruptura formal em que a narrativa é mais importante do que o canto puro e a exibição técnica dos cantores. “O conceito clássico e arquétipo da nêmesis, no qual as culpas dos pais acabam por recair sobre os filhos, e a questão da deformidade física do protagonista, como um aspecto condicionante de seu caráter, são pontos em que trabalhei especialmente nesta montagem”, explica o diretor, que ao todo já dirigiu outras quatro diferentes montagens de Rigoletto.

Com um total de cinco cenas divididas ao longo de três atos, a ópera ganhará um cenário hiper-realista na versão de Maestrini. Assinado por Alfredo Troisi, o cenário funde elementos da cena com imagens de vídeo projetadas ao fundo, criando uma ilusão de profundidade e continuidade. A atmosfera sombria que cerca a trama é reforçada pela iluminação de Jorginho de Carvalho e os figurinos de época, restaurados por Francesca Ghinelli, que concebeu os trajes dos solistas.

Décima-sétima ópera do italiano Giuseppe VerdiRigoletto fez sua estreia em março de 1851, no La Fenice de Veneza, depois de sofrer várias mudanças no libreto de Francesco Maria Piave, praticamente reescrito por exigência da censura, que não via com bons olhos principalmente a figura do rei devasso descrita na obra de Victor Hugo, transformada em duque na ópera. O libreto ainda sofreu troca de nomes, local e data retratados. Apesar das dificuldades em finalizá-la a tempo de atender o prazo do teatro, Rigoletto estreou com enorme sucesso e, somente nos dez primeiros anos, foi apresentada em 250 teatros em todo o mundo. No Brasil, a ópera chegou em 1856 e ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1910.

“Verdi fez uma criação madura para o novo tipo de ópera que ele desejava produzir. Quando ouvimosPari siamo percebemos que estamos em um mundo completamente revolucionário da ópera. Verdi criou uma forma híbrida, aparentada com o solilóquio de Shakespeare no teatro tradicional, que dá ao caráter de Rigoletto amplo espaço dramático para comunicar as emoções turbulentas que existem dentro dele”, comenta o maestro Osvaldo Ferreira.

A história gira em torno do bobo da corte Rigoletto, que é amaldiçoado pelo Conde Monterano por ter zombado de sua dor, ao ter a filha desonrada pelo devasso Duque de Mântua. Supersticioso, o bobo se apavora com a maldição e teme por sua filha Gilda, mantida semi-reclusa. Sem saber que Gilda é filha de Rigoletto, o devasso Duque a seduz depois de conhecê-la na igreja. No caminho de volta para casa, Rigoletto conhece um matador, Sparafucile, que lhe oferece seus serviços. Odiado por muitos na corte, Rigoletto é levado a sequestrar, sem saber, a própria filha, que julgava ser a Condessa Ceprano e que os nobres, por sua vez, achavam tratar-se da amante de Rigoletto e por isso queriam lhe pregar uma peça. Apavorado, teme ainda mais pela maldição lançada. Ele implora pela filha, que lhe conta estar apaixonada pelo Duque. Desesperado, tenta convencer a filha de que o Duque é um devasso e para isso a leva na taberna de Sparafucile, onde vê o Duque cortejando Magdalena, irmã do matador. Isto não é suficiente para abalar o amor de Gilda. Desesperado, Rigoletto manda a filha fugir para Verona vestida de homem e contrata Sparafucile para matar o Duque, cujo corpo ele mesmo jogaria no rio. Magdalena, também seduzida pelo Duque, pede ao irmão que não o mate. Este aceita, dizendo que matará em seu lugar a primeira pessoa que entrar na taberna. Gilda ouve escondida e, vestida de homem, entra na taberna para se sacrificar no lugar de seu amado e é esfaqueada pelo matador. Rigoletto recebe o saco com um corpo e ao chegar ao rio ouve a voz do Duque cantando ao longe. Ao abrir o saco, vê, horrorizado, a filha agonizante. Só há tempo para lhe pedir perdão, antes de vê-la morrer.

SERVIÇO
Rigoletto, de Giuseppe Verdi
Libreto: Francesco Maria Piave, inspirado no drama Le Roi S’amuse, de Victor Hugo
Orquestra Sinfônica e Coro do Theatro Municipal
Direção de cena: Pier Francesco Maestrini
Cenários e projeções: Alfredo Troisi
Restauro de figurinos: Francesca Ghinelli
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Maestro Preparador do Coro: Maurílio dos Santos Costa
Regência: Osvaldo Ferreira
Participação especial: Orquestra de Sopros da Escola de Música da UFRJ
Dias 8 e 15, às 17h
Dias 10, 11 e 12 de julho, às 20h30
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço:
Praça Floriano, s/nº – Centro

Preços:

  • Plateia e balcão nobre – R$ 84,00
  • Balcão superior – R$ 60,00
  • Galeria – R$ 25,00
  • Frisas e camarotes – R$ 504,00

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 9 julho, 2012 11:09


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