SESC São Paulo e Instituto Moreira Salles trazem à capital paulista exposição sobre o cineasta italiano Federico Fellini

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 julho, 2012 12:03

SESC São Paulo e Instituto Moreira Salles trazem à capital paulista exposição sobre o cineasta italiano Federico Fellini

 SESC São Paulo recebe em julho, a exposição Tutto Fellini, que chega à São Paulo após passar pelo Instituto Moreira Salles no RJ. A mostra contém cerca de 400 itens do universo do cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993) e estará aberta para visitação de 06 de julho a 16 de setembro, de terça a sexta das 10h30 às 21h30, sábados das 10h30 às 21h e domingos e feriados das 10h30 às 18h30, no Espaço Expositivo do 2º andar com entrada gratuita.

Tutto Fellini, organizada de modo temático, traz fotografias de bastidores, desenhos feitos pelo próprio diretor, revistas de época, cartazes, entrevistas e trechos de filmes. Muitos dos documentos exibidos são inéditos. Com curadoria de Sam Stourdzé, diretor do Musée de l’Elysée, em Lausanne, na Suíça, a retrospectiva chega ao Brasil graças à parceria entre SESC e Instituto Moreira Salles e já circulou por Paris, San Sebastian, Moscou e Toronto.

Acompanhando a abertura da exposição na capital paulista, as Edições SESC SP e o Instituto Moreira Salles lançam o catálogo da mostra, composto por 184 páginas com fotos de cenas dos filmes de Fellini, além de cartazes de divulgação, gravuras feitas pelo próprio cineasta e imagens dos bastidores. O catálogo da exposição Tutto Fellini  poderá ser adquirido  em todas as unidades SESC São Paulo (capital e interior), nas principais livrarias e também pelo portal www.sescsp.org.br/loja.

A abertura da exposição e o lançamento do catálogo pelas Edições SESC SP e Instituto Moreira Salles será dia 05 de julho a partir das 20h.

Sobre a exposição

Construída como uma espécie de laboratório visual, a mostra favorece o diálogo entre imagens estáticas e em movimento. Seguindo um percurso pontuado pelas obsessões de Fellini, a exposição investiga o século XX do diretor: o século do cinema, claro, mas também o da imprensa, das mídias, da televisão, da publicidade, ou seja, das imagens. A montagem não segue um padrão cronológico, nem filmográfico, e sim temático. Dessa forma, Tutto Fellini é dividida em quatro núcleos:

1. Cultura popular: a mostra exibe seus primeiros trabalhos como caricaturista, iniciado quando, no final dos anos 1930, Fellini deixa Rimini, sua cidade natal, e parte para Roma. Desenha para jornais satíricos como Marc’Aurelio420 e Travaso. Passa a escrever roteiros para vários diretores, entre eles Roberto Rosselini. Em 1950, co-dirige com Alberto Lattuada seu primeiro filme, Mulheres e luzes. Para criar o seu segundo longa, Abismo de um sonho (1952), Fellini se apropria da fotonovela. Esse e outros elementos da sociedade italiana no pós-guerra, que sempre permearam a obra de Fellini, são encontrados nesse núcleo da mostra: os desfiles religiosos ou políticos; os jantares (e a sátira ao excesso de espagueti); o circo, que pautou sua produção desdeMulheres e Luzes até Os palhaços (1970); a mídia – para seus filmes, Fellini produzia peças publicitárias que faziam uma paródia à sociedade italiana, como os outdoors de Ginger e Fred (1986); quadrinhos – a exposição exibe uma fotonovela com Marcello Mastroianni interpretando o papel de Mandrake, o Mágico (inspirado na história de Lee Falk) e também a HQ A viagem de Giuseppe Mastorna, projeto antigo do diretor para um filme nunca terminado publicado na revista Ciak, na década de 1990.

O público também poderá conferir fotos de anônimos que se candidatavam aos papeis de seus filmes. Fellini também guardou imagens de uma jovem atriz italiana que, procurando sucesso, fez um stripteaseno Rugantino, casa noturna badalada da época. As fotos foram publicadas em vários jornais e inspiraram o cineasta a escrever a cena em que atriz Nadia Gray tira a roupa em A doce vida (1960). O filme aborda, entre outros assuntos, o nascimento das publicações sobre celebridades. E é a partir dele que se passa a usar o termo paparazzi, já que o fotógrafo Paparazzo (Walter Santesso), que acompanhava o repórter Marcello Rubini (Marcello Mastroianni), perseguia os famosos para conseguir boas fotos.

2. Fellini em ação: esse núcleo da mostra explora o trabalho de Fellini por trás das câmeras. São imagens que revelam sua relação com sua equipe de cenógrafos; com o Studio 5, da Cinecittá, onde filmou a maior parte de suas produções; a escolha da trilha sonora e sua célebre parceria com Nino Rota; a direção de arte – Fellini trabalhou por muitas vezes com Piero Gherardi, com quem ganhou dois Oscars –; e o roteiro. Mesmo com muito improviso nas filmagens, Fellini era rodeado por uma equipe de grandes roteiristas, que o acompanharam por muito tempo, como Ennio Flaiano e Tullio Pinelli. Em 1956, o então poeta que se tornaria grande cineasta Pier Paolo Pasolini trabalhou no roteiro de Noites de Cabíria.

3. A cidade das mulheres: serão apresentadas ao público os vários tipos de mulher presentes nos filmes de Fellini. Prostitutas, mães, femme fatales, ninfomaníacas, etc. Além disso, ganharão homenagens as atrizes que se tornaram divas, como Anita Ekberg (de A doce vidaBoccaccio 70Os palhaços e Entrevista), Anna Magnani (Roma de Fellini) e Giulietta Masina (Mulheres e luzesAbismo de um sonhoA estrada da vidaA trapaçaNoites de CabíriaGiulietta dos espíritos e Ginger e Fred), com quem Fellini se casou em 1943.

4. A invenção biográfica: nesta seção o público poderá rever imagens das visões de alguns personagens dos filmes de Fellini (como as que Snàporaz, alterego do diretor interpretado por Marcello Mastroianni, tem no filme Cidade das Mulheres), além de conhecer o Livro dos Sonhos, reunião de desenhos feitos por Fellini durante 30 anos (entre 1960 e 1990) a partir de seus sonhos.

A exposição Tutto Fellini foi organizada com o apoio da Fondation Fellini pour le Cinéma (Sion, Suíça), Fondazione Federico Fellini (Rimini, Itália), Carlotta Films (Paris, França), Cineteca di Bologna (Bologna, Itália), Fondation Jérôme Seydoux-Pathé (Paris, França), e Gaumont (Paris, França). Segundo o curador, a mostra evidencia que “o que interessa a Fellini não é a realidade em si, e sim a percepção da realidade. Parece que, com seus filmes, ele quer nos dizer que o cinema é um instrumento intermediário entre a realidade e a percepção que temos dela”. A exposição integra o calendário do Momento Itália/Brasil 2001/2012.

Sobre o catálogo

Catálogo publicado em razão da exposição realizada pelo Instituto Moreira Salles e pelo SESC São Paulo, que convida o público brasileiro a mergulhar no mundo das imagens de Federico Fellini, um dos inventores da visualidade do século XX. Resultado de pesquisa do curador Sam Stourdzé, diretor do Museu de Lausanne, na Suíça, este trabalho apresenta linhas temáticas, divididas em: cultura popular, Fellini em ação, a cidade das mulheres e a invenção biográfica. Espécie de laboratório visual, Tutto Fellini tem um percurso pontuado pelas obsessões do diretor e por suas fontes de inspiração, mostrando as várias facetas do maestro: devorador onívoro de imagens, admirador das mulheres, crítico da sociedade, realizador enérgico, criador profuso, entre outras tantas.

Mais sobre Federico Fellini

Aos 19 anos, Fellini partiu de Rimini para conquistar Roma. Iniciou a carreira como caricaturista de jornais satíricos, mas já nos anos 1940 começou a escrever e colaborar com a redação de vários roteiros de filmes. Amigo de Roberto Rossellini, foi seu assistente em Roma, cidade aberta (1945), antes de começar a atuar como diretor, em 1950, com Mulheres e luzes. O Oscar obtido por A estrada da vida (1954) lhe trouxe o reconhecimento internacional. Quando estava com 40 anos, Fellini provocou escândalo com A doce vida (1960). A Igreja, que até então o apoiava – a ponto de considerá-lo um cineasta católico –, ficou indignada com o filme, que julgou decadente e blasfemo. Homem de espírito livre, Fellini seguiu sua carreira longe de correntes ou escolas. Abalou as regras da narrativa, desconstruiu a noção de enredo, repensou o cinema. Oito e meio  (1963) representou uma nova ruptura. Suas interrogações acerca da criação e a reflexão sobre o cinema o levaram a ultrapassar as fronteiras do real para explorar o mundo do imaginário. As lembranças de infância, o inconsciente e os sonhos passaram então a fazer parte de sua obra. Além de manter sua biografia pessoal como tema recorrente de seu cinema, Fellini não hesitava mais em interpretar a si mesmo nos filmes (Anotações de um diretor, Os palhaços, Roma de Fellini, Entrevista).

SERVIÇO
EXPOSIÇÃO – TUTTO FELLINI
Data:
 De 06 de julho à 16 de setembro
Terça a sexta, das 10h30 às 21h; sábados, das 10h30 às 21h; domingos e feriados, das 10h30 às 18h30.
Espaço Expositivo – 2º andar.
Livre para todos os públicos.
Grátis

SESC PINHEIROS
Endereço: Rua Paes Leme, 195.
Horário de funcionamento da Unidade: Terças a sextas, das 13 às 22h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h horas.
Horário de funcionamento da Bilheteria: Terça a sexta das 10h às 21h30. Sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30.
Telefone: 11 3095.9400
ESTACIONAMENTO COM MANOBRISTA (VAGAS LIMITADAS): Veículos, motos e bicicletas.
Terça a sexta, das 7h às 22h; Sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h
(Horários especiais para a programação do teatro).
Taxas:
 Matriculados no SESC: R$ 6,00 nas três primeiras horas e R$ 1,00 a cada hora adicional
Não matriculados no SESC: R$ 8,00 nas três primeiras horas e R$ 2,00 a cada hora adicional.
Para atividades no Teatro, preço único: R$ 6,00

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 julho, 2012 12:03


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