IMS-RJ recebe a 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema – Experimentação no cinema árabe

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 junho, 2012 13:33

IMS-RJ recebe a 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema – Experimentação no cinema árabe

Entre os dias 6 e 12 de julho, o IMS-RJ apresenta a mostra Experimentação no cinema árabe, que exibirá uma seleção de 23 filmes entre documentários e ficções, que retratam a realidade política, social e cultural dos países árabes. O objetivo é mapear o patrimônio em grande parte desconhecido do cinema do mundo árabe. O evento faz parte da 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo ICArabe – Instituto da Cultura Árabe e que está sendo realizada também em São Paulo (CineSESC, Cinemateca, Cine Olido e Centro Cultural Banco do Brasil). A curadoria da mostra é de Rasha Salti, liderança do movimento de cineastas do mundo árabe, curadora independente de filmes e escritora libanesa, que participará nesta sexta-feira (dia 29), às 20h, de um bate-papo aberto ao público com Nagila Guimarães, diretora cultural e produtora executiva da mostra. Neste dia será exibido o filme OK, Basta, Adeus (Ok, Enough, Goodbye), de Rania Attieh e Daniel Garcia. Entrada gratuita.

No IMS-RJ serão exibidos filmes recentes e clássicos do cinema árabe em cópias restauradas, vários deles jamais veiculados fora da região, exemplos do cinema do Egito, do Iraque, Líbano, Palestina, Síria e Argélia – entre eles “Crônica dos anos de brasa”, de Mohamed Lakhdar-Hamina, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1975.

A partir de 1960, estimulados pela experimentação poética nas artes, na literatura, no cinema e no teatro que tomou conta da Europa, da América do Sul e da América do Norte, os cineastas árabes começaram a se expressar numa linguagem liberta das convenções e das fórmulas comerciais do cinema industrial, preparando terreno para a expressão cinematográfica autoral do mundo árabe de hoje. Muito da inventiva observada nos filmes de agora tem sua origem nas experiências pioneiras dos diretores que começaram a fazer cinema há mais ou menos 50 anos nos países árabes.

A 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema integra o festival Mapeando a Subjetividade: cinema experimental árabe dos anos 60 até os dias atuais, que também tem curadoria de Rasha Salti e que foi apresentado em três partes (2010, 2011 e 2012) no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). O Brasil é o primeiro país da América Latina e o segundo do mundo a receber a mostra.

Programação da 7ª Mostra Mundo Árabe de Cinema – Experimentação no cinema árabe

Para ver a programação de cinema do IMS completa, consulte o site ims.uol.com.br/Programacao/D1013.

ABERTURA SEXTA – 29/06

20h: OK, basta, adeus (Okay, Enough, Goodbye), de Rania Attieh e Daniel Garcia

(Líbano / EUA / Emirados Árabes Unidos. 2011. 93‘)

Um homem solteiro, quase o 40 anos, vive na dependência de sua mãe. Um dia, sem qualquer aviso, ela desaparece e ele se vê forçado a construir sua vida sozinho. Tentando se adaptar, ele se sente incapaz de estabelecer qualquer tipo de relacionamento. O filme é uma incisiva desconstrução da masculinidade e uma meditação graciosa sobre a inércia, a solidão e a covardia. Primeiro longa-metragem de Daniel Garcia e Rania Attieh, Okay, Enough, Goodbye recebeu o prêmio Pérola Negra no festival de cinema de Abu Dhabi em 2010 . Rania nasceu em Trípoli, Líbano, em 1977. Reside e trabalha em Nova York. Tem pós-graduação em Produção de Mídia Arte no City College de Nova York. Seus filmes foram exibidos no M oMA, em Nova York, e em vários festivais internacionais de cinema. Daniel nasceu no sul do Texas (EUA) e formou-se em cinema na Universidade de Nova York.

BATE-PAPO ENTRE RASHA SALTI E NAGILA GUIMARÃES

Entrada gratuita

SEXTA 6/7

14h: Tango do desejo (Tango of Yearning), de Mohamed Soueid (Líbano, 1998. 70‘)

O título do filme é baseado numa canção de Nur AL-Huda. Na produção, o cineasta procura reconstruir os traços dispersos de várias paixões – relacionamentos amorosos, cinema, a cidade de Beirute – à sombra da guerra civil. Extremamente subjetivo e sentimental, o filme discute os paradoxos da vida e da memória e propõe uma reflexão sobre a dor e o perdão.

16h: Meu coração só bate por ela (My Heart Beats Only for Her), de Mohamed Soueid (Líbano, 2008. 87‘)

Através da história de um filho que tenta reconstruir o passado do pai por meio de um diário, um retrato de duas gerações de homens que foram revolucionários nos anos 1970. Este é um vôo poético, que sai do passado em que os jovens libaneses sonhavam em mudar o mundo com suas próprias mãos para o presente em que os jovens querem apenas a segurança de um trabalho assalariado.

18h: OK, basta, adeus (Okay, Enough, Goodbye), de Rania Attieh e Daniel Garcia

(Líbano / EUA / Emirados Árabes Unidos. 2011. 93‘)

20h: A miragem (The Mirage), de Ahmed Bouanani (Marrocos, 1979. 110‘)

Ao tentar trocar o dinheiro encontrado em um saco de farinha, um jovem camponês vive uma aventura pelos labirintos das áreas mais escuras e hostis da cidade. O filme é permeado de alusões à literatura e ao cinema, à história e à tradição oral marroquinas, e ao fantasma sempre presente do colonialismo. É o único longa-metragem de Ahmed Bounani, cineasta que teve papel fundamental ao trazer a experimentação para o cinema do Marrocos. Ele nasceu 1938. Ajudou a fundar o grupo Sigma 3 e na metade da década de 1960 começou a fazer curtas-metragens. Na década seguinte trabalhou como editor e roteirista de vários filmes. Faleceu em 2011. Outro filme co-dirigido por Bouanani faz parte do programa, 6 ou 12.

SÁBADO 7/7

14h: Éramos comunistas (Sheoeyin Kenna), de Maher Abi Samra (Líbano, França, Emirados Árabaes Unidos, 2009. 85‘)

O trágico legado da guerra civil, a assustadora realidade da paisagem dilacerada do Líbano, através dos destinos cruzados de amigos que dividiram a mesma ideologia e ainda permanecem unidos. Quatro homens narram suas histórias de campo de batalha, seus sonhos despedaçados e desilusões em meio à crise política. O diretor, Maher Abi Samra, nasceu no Líbano em 1956. Cursou Artes Dramáticas em Beirute e Estudos Áudio Visuais em Paris. Trabalhou como fotógrafo em periódicos libaneses e agências internacionais. Dirigiu diversos documentários, entre eles Chatila Roundabout (2006) e Mulheres do Hezbollah (2000).

16h: Eu quero ver (Je veux voir), de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige (Líbano, França – 2008. 75‘)

Julho de 2006: a guerra explode no Líbano. Juntos, um homem (Rabih Mroué) e uma mulher (Catherine Deneuve) percorrem as áreas devastadas pelo conflito. É o início de uma aventura inesperada e imprevisível. Os diretores, Joana Hadjithomas e Khalil Joreige nasceram em Beirute em 1969 e têm trabalhado juntos como cineastas, produzindo filmes de ficção e documentários. Em 1999, escreveram e dirigiram seu primeiro longa-metragem de ficção, Ao redor da casa rosa (Autour de la maison rose, 1999). Ambos também atuam como professores universitários. Dos mesmos diretores, também no programa, na sessão seguinte, O filme perdido.

17h30: 6 ou 12 (Six ou Douze), de Ahmed Bouanani, Abdelmajid R’chich e Mohamed Abderrahman Tazi (Marrocos, 1968. 18‘)

“Escolhemos imagens de uma cidade: a ausência e a solidão de paralelepípedos molhados em uma festa sem graça que já terminou“ explica um dos diretores, Ahmed Bouanani. “De repente, uma sombra, um gesto, um passo, o mar ou o silêncio, ou o choro, ou a espera, o temor, o sono, a insônia. Um coração dividido, nossos rostos na tempestade, duas figuras brilhantes, olhos, corpos a girar como ímãs na tempestade”. De Bouanani, um outro filme desse programa, A miragem. Abdelmajid R’chcich nasceu no Marrocos em 1942. Começou sua carreira como operador de câmera, diretor de fotografia, produtor e diretor. Mohamed Abderrahman Tazi nasceu em Fez, Marrocos, em 1942, e depois de estudos em universidades de Paris e dos Estados Unidos. Entre 2000 e 2003 foi dire tor de produções no canal de televisão marroquino 2M.

O filme perdido (The Lost Film), de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige (Líbano/França, 2003. 42‘)

Uma exploração da imagem e do status do cinema e dos cineastas do Oriente Médio. Hadjithomas e Joreige viajam para o Iêmen depois de saberem que alguém roubou o roteiro do primeiro filme deles, Ao redor da casa rosa (Autour de la maison rose, 1999). Os dois se aventuram em uma viagem de Sanaa a Aden e contratam um guia que considera o cinema um pecado. No caminho encontram um cinema ao ar livre exibindo filmes de Brigitte Nielsen (atriz, entre outros, de Guerreiros de fogo de Richard Fleischer, 1985, e Rocky IV, de Sylvester Stallone, 1986). Dos mesmos diretores, também no programa, na sessão anterior, Eu quero ver.

19h: Crônica dos anos de brasa (Chronique des années de braise), de Mohammed Lakhdar-Hamina (Argélia, 1975. 177‘)

Este relato dos eventos que levaram à guerra de independência da Argélia foi o primeiro filme do mundo árabe a ser premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Conta a história de um camponês argelino que luta ao lado das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial e ao retornar para casa, junta-se à resistência contra o domínio colonial e morre na batalha. Lakhdar Hamina é argelino, nascido em 1934 em M’Sila. Depois de iniciar estudos de Agronomia e de Direito em universidades francesas, desertou do exército francês em 1958 e juntou-se à resistência pela independência da Argélia. É tido como uma das figuras mais proeminentes do cinema árabe contemporâneo.

DOMINGO 8/7

14h: A China ainda está longe (La Chine est encore loin), de Malek Ben Smaïl (Argélia, França, 2008. 120‘)

Em 1º de novembro de 1954, em uma pequena cidade perto de Ghassira, nas montanhas Aures, dois professores franceses e um argelino foram as primeiras vítimas civis da guerra pela independência da Argélia, que durou sete anos. O diretor Malek Bensmaïl retorna a ese lugar simbólico para relatar o cotidiano de seus habitantes. “A China ainda está longe” é uma expressão argelina que significa que o caminho a percorrer é muito longo. No filme, Bensmaïl, que estudou cinema na Escola Superior de Estudos Cinematográficos de Paris, se refere ao caminho da reconciliação dos argelinos com eles próprios.

16h15: Filmado no verão de 70 (Summer 70), de Nagy Shaker e Paolo Isaja

(Egito, Itália, 1970 -71. 63‘)

Para este projeto os diretores escalaram uma enfermeira americana de ascendência italiana. O filme, uma meditação sobre a liberdade na virada dos anos 70, utiliza uma linguagem experimental para tratar das novas experiências da juventude abandonada. Nagy e Paolo se conhecerem na Escola de Cinema de Roma. Ela estudava cenografia e ele frequentava um cine-clube para se especializar em cinema experimental. Decidiram trabalhar juntos, e com a ajuda de amigos, iniciaram a produção desse seu primeiro longa-metragem.

18h30: Em pedaços (Ashlaa), de Hakim Belabbes (Marrocos, 2009. 91‘)

Uma crônica do cotidiano da família do cineasta, no Marrocos, feita a partir de imagens recolhidas ao longo de mais de uma década. Um relato poético o filme registra como a maior mudança social e política afeta – ou não – sua modesta família. Narrado em um tom híbrido de primeira pessoa no singular e no plural, o filme se desloca graciosamente entre ficção e não ficção. Nelabbes nasceu no Marrosoc em 1961. Após se formar em Literatura Americana e Africana, na Universidade Mohamed V, em Rabat (Marrocos), e em Literatura Africana, pela Universidade de Lyon (França), Hakim viajou para os Estados Unidos, onde estudou Cinema e Vídeo no Columbia College (Chicago). Entre 1993 e 1994, liderou o Departamento de Áudiovisual na Fundação Hassan II, no Ma rrocos, onde produziu e dirigiu documentários sobre a experiência dos imigrantes marroquinos na Europa.

20h00: Oh, os dias! (Alyam! Alyam!), de Ahmed el-Maânouni ( Marrocos , 1978. 80 ‘)

Primeiro filme marroquino selecionado para o programa “Un Certain Regard” do Festival de Cannes, Oh, os dias! é um retrato da vida rural no Marrocos através da história de um jovem camponês que sonha em imigrar para a França e conquistar um futuro brilhante. Sua mãe, recentemente viúva e criando sete filhos, se opõe ao desejo do filho mais velho de ir embora. Ahmed El-Maânouni, nasceu em Casablanca, Marrocos. Estudou economia, teatro e cinema na Sorbonnne (Paris). Trabalhou como diretor de fotografia, roteirista e diretor de vários filmes. Sua filmografia inclui a trilogia intitulada “Marrocos, França, uma história em comum” (La Fiction du Protectorat: Maroc-France, une historie Commune, 2005-2006) e Corações queimados (Les coeurs brûlés, 2007)

TERÇA 10/7

15h: O atirador (The Shooter), de Ihab Jadallah (Palestina, 2007. 8 ’)

A violência está implícita nas formas de se representar a Palestina. Esse curta-metragem trabalha a questão de forma satírica e crítica. É uma paródia onde palestinos representam, de forma consciente, personagens relacionados ao que são na vida real. Jadallah nasceu em 1980 na Palestina, onde vive e trabalha. Estudou cinema na Espanha e dirigiu diversos filmes e documentários. É co-fundador da Aanat Filmes, criada para fomentar uma nova geração de cineastas palestinos.

Luz e sombras (Light and Shadows: the Last of the Pioneers, Nazih Shahbandar), de Omar Amiralay, Mohammad Malas, Oussama Mohammad (Síria, França, 1991. 41‘)

O pioneirismo de Nazih Shakhbandar na produção do cinema árabe, nos anos 1930 e 1940. Ele escreveu roteiros, montou um estúdio com equipamentos de filmagem quase que de fabricação própria, produziu e dirigiu o primeiro filme sonoro da Síria e perseguiu o sonho de fazer um filme 3-D. Este documentário é uma ode a este homem e aos primeiros anos do cinema árabe feita por três diretores: Mohamad Malas nascido em 1945 na Síria e formado no Instituto de Cinematografia Gerasimov, em Moscou, em 1974. Oussama Mohamad, nascido na Síria, em 1954, e formado também no Instituto de Cinematografia Gerasimov. E Omar Amiralay nascido em 1944 e falecido em setembro de 2011, deferente dos dois outros, estudou cinema em Paris e ficou conhecido pelo teor crítico de seus d ocumentários. De Oussama Mohamad, tambem no programa, Estrelas à luz do dia. De Omar Amiralay, também no programa, Amor interrompido e O infortúnio de alguns.

16h: Meu pai ainda é um comunista (My Father Is Still a Communist) , de Ahmad Ghossein (Líbano, Emirados Árabes, 2011. 32‘)

O que resta da amizade entre Rachid Ghossein e Hamade Maream são as cartas, gravadas em fitas de áudio, que eles enviaram um ao outro ao longo de 10 anos durante a guerra civil no Líbano. Ao longo de sua infância, o filho de Ahmad inventou histórias sobre seu pai ser um herói de guerra no Partido Comunista no Líbano. Gossein é formado em Artes Cênicas pela Universidade Libanesa. Ganhador do Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema Internacional de Beirute (2004) com o curta Operação N. Ahmad também é intérprete e é um dos fundadores da Maqamat Dance Theatre – companhia de dança contemporânea em Beirute.

Procurado (Wanted), de Ali Essafi (Marrocos, Emirados Árabes, 2011. 27’)

A década de 1970 no Marrocos, conhecida como os “anos de chumbo”, foi marcada por severa repressão policial sobre os dissidentes do regime, com prisões arbitrárias, torturas e prisões secretas. Para sobreviver, diversos ativistas viveram clandestinamente. Essafi se utiliza de imagens de arquivo para contar a história de Aziz, um ativista de 23 anos que sonha com a liberdade da democracia. O protagonista vive sob uma identidade falsa por dois anos até ser descoberto e preso. Essaf é marroquino, nascido em 1963 e formado em psicologia na França. Um dos documentaristas mais premiados de seu país, trabalhou como conselheiro para o canal da Televisão Pública Marroquina por três anos. Atualmente vive e trabalha entre o Marrocos e o Brasil. Do mesmo direto r, também no programa Ouarzazate.

QUARTA 11/7

15h: Amor interrompido (Love Aborted), de Omar Amiralay (França, 1983. 52‘)

No que ano que antecede a conferência de igualdade de gênero em Pequim, realizada em 1985, cineastas ao redor do mundo participaram da produção de documentários que tratavam da mudança de relacionamento entre homens e mulheres. Amiralay, convidado a explorar a mudança do status social e econômico da mulher no Egito, escolheu protagonistas femininas de diferentes classes – advogadas, atrizes, empregadas domésticas – e desafiou-as a revelarem a complexidade de seus mundos. Omar Amiralay (1944 -2011) tem dois outros filmes no programa, Luz e sombras e, na sessão seguinte, O infortúnio de alguns.

16h: O infortúnio de alguns (The Misfortunes of Some…), de Omar Amiralay (França/Líbano, 1981. 52‘)

Hajj Ali ganha a vida como taxista durante o dia transportando pessoas em segurança por toda a cidade. Mas, ele também administra uma casa funerária, esperando “clientes” diariamente. Enquanto documenta a existência de um homem durante a devastadora guerra civil em Beirute, Amiralay cria um retrato tragicômico de uma sociedade prisioneira de um conflito. Omar Amiralay (1944 -2011) tem dois outros filmes no programa, Luz e sombras e Amor interrompido.

QUINTA 12/7

15h: Ouarzazate (Ouarzazate, the Movie), de Ali Essafi (Maroccos, França, 2001. 57’)

Um retrato cômico da pequena cidade Ouarzazate, ao sul do Marrocos. Nela o sol brilha o ano inteiro e sua paisagem, com um exótico deserto, compõe o estereótipo que se faz do Oriente Médio. Em razão dessas qualidades, o lugar passou a atrair produções cinematográficas de todo o mundo, com grandes elencos e grandes equipes de produção, causando forte impacto na economia do local. Nesse cenário, Essafi volta sua câmera para os diretores mal-humorados, figurantes e para um charmoso ator veterano que uma vez trabalhou com Pier Paolo Pasolini. Dessa forma, ele revela a estranha realidade da indústria cinematográfica internacional e a disparidade entre o cinema mágico e sua realidade econômica. Do mesmo diretor, também no programa, Procurado.

16h30: Os 3 desaparecimentos de Soad Hosni (Les trois disparitions de Soad Hosni), de Rania Stephan (Líbano / Emirados Árabes, 2011. 70‘)

Um sentimento melancólico e arrebatador remete a uma era rica e versátil da produção cinematográfica no Egito, através do trabalho de uma de suas mais reverenciadas estrelas, Soad Hosni. Hosni é uma artista excepcional que desde o início dos anos 1960 até o final da década de 1990 personificou a mulher árabe moderna com toda sua complexidade e paradoxos. Além da história da atriz, o filme retrata também, o cinema e a sociedade do Egito e documenta a mudança de clima na sociedade, quando a violência e opressão contra a figura feminina passam a dominar. A diretora, Rania Stephan, é libanesa. Estudou cinema na Austrália e na França e trabalhou como engenheira de som, editora, assistente de direção e produtora com cineastas de renome, como a document arista Simone Bitton (entre outros de L’attentat, 2000) e Elia Suleiman (entre outros, realizador de Intervenção divina).

18h: Estrelas à luz do dia (Stars in Broad Daylight), de Oussama Mohammad (Síria, 1988. 115‘)

Um casamento duplo em uma pequena aldeia se transforma em drama quando uma noiva foge no meio da cerimônia e outra recusa-se a casar. Cheio de humor e forte crítica política, o filme mostra como a violência do poder arbitrário em uma sociedade patriarcal se infiltra na unidade familiar.

Do mesmo diretor, no programa, Luz e sombras.

20h: O quanto eu te amo (How Much I Love You), de Azzeddine Meddour (Argélia, 1985. 105‘)

A questão central é uma afirmação à primeira vista contraditória para um documentário: os fatos não são necessariamente importantes, mas a linguagem sim. é importante. Baseado numa grande quantidade de material de arquivo, incluindo fragmentos de reportagens francesas, o filme é um olhar crítico ao colonialismo e ao poder que estão por trás do discurso diário. Essa amarga visão da política francesa na Argélia, mostra como fatos históricos são postos de lado em favor de um patriotismo beligerante que resulta na repressão de uma população inteira. Azzeddine nasceu na Argélia em maio de 1947, e faleceu em maio de 2000. Estudou literatura francesa na Universidade de Argel e cinema em Moscou. Para a televisão argelina, produziu filmes curtos e docu mentários.

SERVIÇO

7ª Mostra Mundo árabe de cinema – Experimentação no cinema árabe

Terça a domingo e feriados: R$12,00 (inteira) / R$6,00 (meia).
Passaporte | Para o mês de junho – no valor de R$ 30,00 –, é válido para 10 sessões das mostras organizadas pelo IMS.

Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
CEP: 22451-040. Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 3284-7400; Fax: (21) 2239-5559
De terça a domingo e feriados, das 11h às 20h.

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Luiz Guirra
Por Luiz Guirra 29 junho, 2012 13:33


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