Obsessão, de Carla Faour, no Teatro Glaucio Gill

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 maio, 2012 08:22

Obsessão, de Carla Faour, no Teatro Glaucio Gill

O amor absolve tudo? O amor é culpado de tudo? O questionamento é levantado em determinado momento do espetáculo “Obsessão”, patrocinado pela PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO através do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro), que reúne no elenco os atores Ana Baird, Antonio Fragoso, Carla Faour, Celso Taddei e Daniel Belmonte, sob a direção de Henrique Tavares.

A trama mostra do que uma ex-amiga é capaz ao tentar de todas as formas, e ainda contar com algumas armadilhas do destino, para se vingar de uma traição. Livia e Marina são amigas inseparáveis, confidentes, inúmeras afinidades, com um belo futuro pela frente. A amizade começa a desandar quando Livia se apaixona por Marcelo e engatam o namoro. Marina torna-se testemunha ocular da felicidade da amiga. E, de tanto ouvir Lívia enaltecer as qualidades do rapaz, descobre-se também apaixonada por ele. A peça faz parte da programação da ocupação Complexo Duplo no Teatro Gláucio Gill, que é da Secretaria de Estado de Cultura. 

“OBSESSÃO” é um texto original e inédito, que nasceu e foi, totalmente, escrito nas páginas do www.dramadiario.com . O Drama Diário é um site pioneiro, formado por sete dramaturgos, com forte atuação na cena contemporânea carioca. Lançado em maio de 2008, o site, hoje, conta com mais de 500 textos publicados, tornando-se o maior acervo dramatúrgico inédito da web. Em 2011, o site foi reformulado com uma nova proposta: Produzir dramaturgia em série. Ao invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançaram ao desafio da continuidade. Desenvolveram sete histórias diferentes, publicando um capítulo por semana. O formato teve grande êxito. As visitas ao site triplicaram e a participação dos internautas aumentou sensivelmente.  Desta forma “Obsessão” foi escrita. Os internautas puderam acompanhar, durante quatro meses, os 15 capítulos da história. Enviaram sugestões, comentários, tornaram-se parte importante do processo. O texto fragmentado explorou elementos do melodrama,  experimentando novas possibilidades para o folhetim. A experiência do uso da internet como suporte promoveu o diálogo entre o passado e o presente, fazendo uma releitura do gênero.  A proposta foi tão bem sucedida que reforçou a idéia inicial: escrever uma obra virtual que, posteriormente, fosse encenada. “Obsessão” saiu das páginas da web para o palco. Carla Faour faz parte do Drama Diário junto com Camilo Pellegrini, Felipe Barenco, Henrique Tavares, Leandro Muniz, Renata Mizzrahi e Rodrigo de Roure.

A peça tem uma narrativa elíptica e não linear. A ordem cronológica das cenas é subvertida a todo o instante. A vida das duas mulheres é repassada em ritmo vertiginoso. Passado e presente alternam-se na estrutura dramatúrgica, através de flash backs e  avanços no tempo. A história de duas amigas é apenas o ponto de partida para investigar o universo feminino e suas sutilezas. A rivalidade entre elas torna-se a mola propulsora para falar de questões fundamentais que afligem a todos nós: a natureza das relações amorosas, anseios, frustrações, realização profissional, maternidade, padrões de beleza, auto-estima, casamento, solidão… E, como os anos transformam nossas expectativas e sonhos. O texto faz uso do narrador em terceira pessoa, um recurso muito usado nos folhetins. Com um olhar crítico e  poético, aliado a um humor ácido, o narrador é o mestre de cerimônias que conduzirá o publico através da saga dessas duas mulheres. Grande parte da ação se passa em Lisboa. A cidade é evocada durante todo o espetáculo como um arquétipo. O passado, a terra Natal, as raízes de todos nós. O início. Lisboa simboliza a ligação mais forte com nossos antepassados, laços afetivos e co-sanguíneos. Embora, Lívia e Marina não tenham nenhuma relação de parentesco, são tão próximas como duas  irmãs, rivais como inimigas de guerra, estão conectadas desde todo o sempre. Inexplicavelmente, pelo destino. A trilha sonora toca fundo na alma e serve ao enredo, iminentemente trágico e tragicamente cômico, como uma luva. “Obsessão” é um daqueles espetáculos difíceis de classificar, quando o riso e a emoção embaralham os sentimentos. “Obsessão” é o desdobramento de um trabalhado iniciado em 2006, com a montagem de “A Força do Destino”, adaptação de Carla Faour, do romance homônimo de Nélida Piñon. Dois anos depois, em 2008, Carla também adaptou para o teatro outro folhetim, “Nenê Bonet”, único romance de Janete Clair. Ambos os espetáculos com direção de Henrique Tavares. A montagem de “Obsessão” pretende aprofundar a pesquisa sobre o folhetim e o melodrama.  

Com trabalho voltado para a dramaturgia original contemporânea, Carla Faour e Henrique Tavares são dois artistas dos mais atuantes no teatro carioca.  São 17 espetáculos no currículo, a maioria textos inéditos de autores brasileiros. Ao longo dos anos, a dupla produziu espetáculos de destaque na cena teatral da cidade, sempre com grande acolhida do público e da crítica especializada.

SERVIÇO
Obsessão
Teatro Glaucio Gill
Endereço: Praça Cardeal Arco Verde s/n°, Copacabana
Tel. 2332-7902
Data: De 04 de maio a 04 de junho
Sexta a segunda – 21h
Ingressos: R$ 20,00
Duração: 80 minutos
Classificação Etária: 14 anos

*As informações são de responsabilidade de seus organizadores e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 maio, 2012 08:22


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