Filigranas portuguesas em exposição no Memorial de Curitiba

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 9 março, 2012 14:02

Filigranas portuguesas em exposição no Memorial de Curitiba

O Memorial de Curitiba abriga a partir desta sexta-feira (9) a exposição “Ouro sobre o Azul”, do artista português Seixas Peixoto. A mostra é resultado de um ano de pesquisas e seis meses de produção artística sobre a técnica da filigrana portuguesa, método tradicional de execução de joias praticado principalmente na região norte de Portugal. Nessa técnica, o artista elaborou quadros com fundo na cor azul e desenhos de filigranas douradas.

 

“O objetivo da exposição é fazer com que os espectadores sintam a riqueza cultural da ourivesaria portuguesa, vendo verdadeiras joias impressas em telas”, diz Peixoto. A exposição reúne 25 peças em acrílico sobre tela, tinta de ouro e folhas de ouro 19k, com variadas dimensões, entre quadros de 14cmx14cm e 2mx2m. Antes de chegar ao Brasil, a mostra foi apreciada pelo público em Portugal e na França.

 

Em sua trajetória, o artista Seixas Peixoto atuou em áreas variadas como a arquitetura, o design de moda e a publicidade, optando definitivamente pela pintura e escultura. Já realizou 50 exposições individuais, participou de mais de 100 coletivas e recebeu diversos prêmios. Um deles foi o troféu Pinheiro do Paraná, concedido pela prefeitura de São José dos Pinhais, por uma obra comemorativa dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Seixas Peixoto também já expôs no Aeroporto Afonso Pena.

 

Filigrana portuguesa – Manuel Rodrigues de Freitas, do Museu da Ourivesaria Tradicional Portuguesa, produziu o seguinte texto sobre a filigrana portuguesa:

“Grânulos dispostos em fios ou filas, assim define-se a técnica da filigrana. Para se conseguir esse  efeito, em um passado bastante recente, colocavam-se juntos dois fios de ouro ou prata com a espessura aproximada de um fio de cabelo e, com a ajuda de duas tábuas e um movimento de vai e vem, os fios se enrolavam consequentemente um ao outro. Como efeito, a tal ilusão de grânulos sequenciais.”

 

História – É bem possível que as principais técnicas de fabrico de ourivesaria, (repuxo, soldadura, granulação e filigranação) tenham nascido na antiga Mesopotâmia, hoje território do sul do Iraque, e irradiado para todos os povos –  para o Mediterrâneo e Ocidente, com os fenícios, para Oriente pelos mercadores da rota da seda e posteriormente  para a costa oriental da África pelos árabes.

 

Os etruscos (povo que antecedeu os romanos) desenvolveram a granulação à máxima perfeição, que consistia em dispor dezenas de milhares de microscópicos grânulos em pequenas joias, formando figuras geométricas, isomórficas ou florais. Esta técnica  desapareceu, aparecendo posteriormente imitações de qualidade muito inferior, mas apesar de tudo também muito bonitas.

 

A filigrana dá o mesmo aspecto estético da granulação, mas com muitíssimo menos trabalho. Se os etruscos foram o expoente máximo na granulação, os portugueses são atualmente  os que fabricam a mais fina e bela filigrana de todo o mundo e de todas as culturas.

 

Técnica – Nas oficinas fabricam os esqueletos (contornos exteriores) das peças que entregam a senhoras, juntamente com o fio torcido  (filigrana), que com uma enorme habilidade manual entalam, com a ajuda de uma pinça, aquele fio dentro dos referidos esqueletos. Depois de preenchidos os espaços com a filigrana formando belíssimas figuras, a peça volta à oficina onde é acabada. O maior segredo consiste em soldar todos os finíssimos fios uns nos outros, sem os adulterar, mantendo uma peça compacta.

 

O centro mais antigo onde se fabrica a filigrana é a Povoa de Lanhoso, no entanto, e de uma maneira geral, a mais fina e sublime é feita nas oficinas de Gondomar. Vale realçar que, dada a facilidade e rapidez com que se fabrica uma peça de filigrana,  e por incrível que pareça, ela aparece nas montras das ourivesarias a preços inferiores à maioria das importadas feitas em série, sem alma e à mercê da flutuação da moda.

 

::: Serviço :::

Exposição “Ouro sobre o Azul”, de Seixas Peixoto

Local: Memorial de Curitiba – Mezanino da Praça do Iguaçu (R. Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico)
Data: de 9 de março (abertura às 19h) a 8 de abril de 2012.
Horário: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 14h.

 

Agendamento para visitas monitoradas: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Informações: (41) 3321-3328

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 9 março, 2012 14:02


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