“Manter em Local Seco e Arejado” traz a água como metáfora para a apatia e acomodação do homem

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 março, 2012 10:17

“Manter em Local Seco e Arejado” traz a água como metáfora para a apatia e acomodação do homem

Seis personagens vivendo em um mundo completamente alagado, onde o chão é coberto por um grande espelho d’água. Caminhando entre três ambientes decorados por baldes e garrafas cheias de água, o sentimento geral entre eles é da mais pura apatia. Neste estranho universo de pura ficção se constrói a trama de “Manter em Local Seco e Arejado”, espetáculo do [pH2]: estado de teatro, que estreia dia 9 de março de 2012 no Teatro Cacilda Becker. Com direção de Rodrigo Batista, a peça tem criação e realização dos artistas Bruno Caetano, Bruno Moreno, Daniel Mazzarolo, Julia Moretti, Luana Gouveia, Maria Emília Faganello, Paola Lopes e Rodrigo Batista.

 

Manter em Local Seco e Arejado” mostra um mundo alagado, em que a água está “brotando” de todos os lugares e os personagens se adaptam a esta nova realidade. Inspirado no texto Narciso ou a Estratégia do Vazio, do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esmiúça a constante individualização do mundo atual e a conseqüente subjetivação das formas de vida, 500 litros de água são utilizados em cena para contar a história dos personagens que vivem em uma espécie de casa de banho, uma lavanderia pública e a cozinha de uma casa qualquer.

 

Fazer um ambiente, literalmente alagado, tem como objetivo mostrar a instabilidade do local em que as personagens pisam. A intenção é passar a ideia de um lugar que está se dissolvendo. No espetáculo a água é algo que comprime as pessoas e está bem afastada de uma leitura ecológica e de sustentabilidade. Nesse sentido, a relação com o que é líquido ganha novo significado: em contato com tudo e estando por toda parte, a água torna-se um risco para a integridade dos corpos. Em cena, a consequente vulnerabilidade que a água traz, revela catástrofes não só naturais, mas também da ordem das relações, ou seja, dos modos de operar no mundo.

 

Os temas tratados são relacionados, em alguma medida, com a ideia de um novo narcisismo sugerido por Lipovetsky e a sua ‘estratégia do vazio’. “Montamos o espetáculo a partir de um recorte baseado no que o filósofo chama de falta de sensação trágica de fim de mundo”, explica o diretor Rodrigo Batista.

 

Os personagens

 

As seis personagens são figuras que sabem que o mundo está alagado e em um processo de ruínas, mas continuam com sua vida normal, como o panfletário que tenta explicar o que está acontecendo ou a figura de Hitler, que aparece no espetáculo como uma espécie de estranhamento. Há também os lavadores, instalados na Casa de Banho, e que aparecem todos paramentados com figurinos que remetem a roupas de guerra biológica, a mulher que recorta jornais é a responsável pelas notícias e o apático, que ainda não captou os acontecimentos ao seu redor.

 

Sempre foi o nosso interesse estabelecer um mundo que afetasse fisicamente as figuras, por isso a criação de um mundo ficcional. Um mundo que não está diretamente ligado com o que vivemos, ou com o que Lipovetsky fala, mas que se remete a ele num campo poético”, conta o diretor.

 

::: Serviço :::

Teatro Cacilda Becker – Rua Tito, 295 – Lapa – São Paulo

Estreia: dia 9 de março de 2012

Temporada: até dia 08 de abril de 2012, Sex e sáb às 21h, e dom às 20h

R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Duração: 50 minutos

Recomendação: 14 anos

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 3 março, 2012 10:17


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