Cia Corpos Nômades estreia novo espetáculo Na infinita solidão dessa hora e desse lugar

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 27 novembro, 2011 16:16

Cia Corpos Nômades estreia novo espetáculo Na infinita solidão dessa hora e desse lugar

Bares, casas noturnas, comerciantes, lojistas e transeuntes. Gays, punks, emos, cross dresser, drag king, drag queen, lésbicas, piriguetes, garotas de programas, travestis, indies, roqueiros, jovens, velhos, ricos e pobres. Cada um sua linguagem corporal própria, seu movimento, seu estilo. E todos se encontram na Rua Augusta, emblema máximo da diversidade em São Paulo.

 

“NA INFINITA SOLIDÃO DESSA HORA E DESSE LUGAR” é o novo espetáculo da Cia Corpos Nômades, e estreia dia 2 de dezembro de 2011, no Espaço Cênico O LUGAR, situado na Rua Augusta, 325. O espetáculo, que conta com a 10ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, fica em cartaz até o dia 18 de dezembro de 2011.

 

Com direção geral de João Andreazzi, o espetáculo se inspira no ambiente da Rua Augusta, situada na parte central da cidade de São Paulo, e nos personagens típicos dessa região, para criar movimentos que compõem as coreografias. Acompanham nessa empreitada cênica os textos de Bernard-Marie Koltès e a assessoria vocal de Madalena Bernardes.

 

Sobre a montagem do espetáculo

 

A construção desse espetáculo teve forte contágio das investidas experimentais com a Rua Augusta, respaldados pelos pensamentos e movimentos advindos da contracultura da geração beat, dos manifestos de Oswald de Andrade (que morou ao lado do Espaço Cênico O LUGAR), dos corpos vendidos e comercializados das prostitutas e dos seres imaginários e suas histórias fantásticas, que como artistas andarilhos notívagos se expõem noite adentro.

 

Os alicerces que suportaram os corpos que daí surgiram foram dados por Guattari e Deleuze, em seus volumosos Mil Platôs, como o capítulo “Como Criar para Si um Corpo sem Órgãos”.   Esses corpos propuseram novas possibilidades de reflexões existenciais, e elaboraram um conflito de discussão entre a loucura e a racionalidade, o isolamento no meio da multidão, o crime e a cumplicidade, a desigualdade, a desterritorialização e a territorialização, o desejo comprado e o vendido.  O transitório e a ideia do corpo nômade foram também a matéria-prima para elaboração dessa roupagem intrigante que coloca em exposição algumas das essencialidades características do corpo e da alma contemporâneos.

 

As ideias presentes nos pensamentos do geógrafo Milton Santos que serviram de motivação para dar nome de O LUGAR na sede da Companhia, também ajudaram na noção de uma transcriação que ocorre no lugar, na terra, no espaço, e como afeta ou transforma o corpo. O abandono e o resgate, do corpo, do prédio, do objeto, da sensação de reerguer-se, também foram uma fonte de inspiração.

 

O trabalho em parceria com o escritor, poeta e tradutor Claudio Willer e com artista da voz Madalena Bernardes possibilitou um maior entendimento e desenvolvimento da dramaturgia no corpo, do corpo e para o corpo, e da corporeidade vocal da fala.

 

Sobre a composição da trilha sonora

 

O universo do baixo Augusta apresenta uma constelação multifacetada de tribos, guetos, ambientes diversificados, sonoridades, imagens  e musicalidades, permeados por ruídos e figuras urbanas. Esse tecido visual e sonoro, formado por diversas linhas e movimentos, se entrelaça, conceitualmente, criando relevos de texturas sonoras, de imagens e músicas que expressam a complexidade de ritmos, sonoridades, estilos, gêneros e atitudes performativas. A construção desse universo se ergueu por meio de uma pesquisa em todos os ambientes da Rua Augusta, como bares, clubes, boates, casas noturnas, saunas e danceterias com objetivo de construir  materiais sonoros e  da paisagem sonora.

 

Ficha técnica

 

Concepção Geral, Direção e coreodramaturgrafia: João Andreazzi 

Elenco:Bruna Dias, João Andreazzi, Leticia Moreira, Ricardo Silva, Talita Bertanha

Inspirações dos Textos: Bernard-Marie Koltès

Assessoria Vocal: Madalena Bernardes

Assessoria Poética Dramatúrgica: Claudio Willer

Adaptações e novos textos: Claudio Willer e Cia. Corpos Nômades

Trilha Sonora: Vanderlei Lucentini

Iluminação: Décio Filho

Figurino: Duda Ohoe

Fotos: Henk Nieman e João Andreazzi

Produção: Cia. Corpos Nômades, Jader Florêncio e Dora Selva.

 

::: Serviço :::

Temporada: de 2 a 18 de dezembro de 2011 (dia 1/12 tem sessão para convidados)

Quinta, Sexta e Sábado às 21h e Domingo às 20h.

Local: Espaço Cênico O LUGAR- Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP.

Reservas por telefone: 11-32373224 ou por e-mail:ciacorposnomades@gmail.com

Bilheteria: abre uma hora antes do evento

Ingressos: R$15,00 (inteira) e R$7,50 (meia)

Lotação: 65 lugares

Faixa etária: 16 anos

Duração total das apresentações: 65 minutos

Estacionamento Conveniado: Rua Augusta, 108

SITE: www.ciacorposnomades.art.br

Rafael Guirra
Por Rafael Guirra 27 novembro, 2011 16:16


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